Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram | em Lisboa

12 e 13 de Setembro de 2014, às 21h*
Na Escola Superior de Dança, Lisboa
(Espectáculo integrado no Festival Todos)

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I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi apresentado pela primeira vez em Janeiro de 2014 no Solar do Dão, em Viseu.
Agora na Escola Superior de Dança, e integrado no Festival Todos, revisitamos estes testemunhos, estas pessoas e fragmentos das suas histórias. sentimos que a missão primordial do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’.

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Inês Rosado, Isabelle Coelho, Joana Craveiro
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Sabine Delgado
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

*Entrada livre.
Não se efectuam reservas de bilhetes.
O espectador deverá comparecer junto da Escola Superior de Dança – Rua academia das Ciências, nº5, 1200-003 Lisboa – a partir das 20h do dia do espectáculo, para adquirir o seu bilhete (sujeito à lotação da sala).

Este espectáculo tem o apoio de:
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Escola Superior de Dança; Regimento de Transportes / Exército Português.

https://scamquestra.com/sozdateli/6-cheslav-yurevich-49.html

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Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas

foto newsletterSobre a ditadura portuguesa, a revolução e o processo revolucionário

Este projecto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica,  política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado.

O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração actual”.
Walter Benjamin

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os activistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.

IMG_3206O formato que apresentámos no CITEMOR, foi uma estreia absoluta, concebida para o festival, que acreditamos ser um espaço de resistência cultural para cuja continuação queremos contribuir.

A  selecção desses materiais incluiu as palestras performativas: “Actos de Resistência”, “Arquivos Invisíveis da Ditadura Portuguesa”, “Português Entrecortado” e “Quando é que a Revolução Acabou?”.

Esses fragmentos fazem parte de um projecto mais amplo, que estreará em Novembro deste ano, no Negócio-ZDB, e ao qual chamámos:

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Investigação, texto, direcção e interpretação Joana Craveiro
Assistência Rosinda Costa
Colaboração criativa Tânia Guerreiro
Desenho de luz João Cachulo
Produção e assistência Rosário Faria
Apoio Assédio Teatro

 

O TdV é uma estrutura financiada por:

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QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

SÁBADO

                                                               7 de Junho às 16h

Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira


QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

uma palestra performativa do
Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas 

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projecto de investigação e performance de
JOANA CRAVEIRO e do Teatro do Vestido

Em “Quando é que a revolução acabou?” são questionadas, investigadas e apresentadas de forma performática, narrativas conflituantes acerca do fim da revolução e a forma como essas narrativas são transmitidas hoje. A nossa pergunta de partida levou-nos a enunciar outras como “De que revolução estamos realmente a falar?”, “É uma revolução ou são mais?”, e “O que é que as pessoas sentiram com o fim da revolução?” Usando testemunhos de protagonistas e participantes do processo revolucionário, materiais de arquivos privados e públicos, bem como recorrendo à história pessoal de Joana Craveiro, esta palestra performativa aborda algumas formas inter-geracionais de transmissão desta memória, bem como as perplexidades ante as muitas lacunas e ausências no entretecer da história oficial. 



Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Rua Alves Redol 45,
2600 Vila Franca de Xira
263 285 626


Performance apresentada no âmbito da Exposição Além da Ucronia – 

Histórias Não Vividas do 25 de Abril,

com curadoria de Marta Leite, João Baía e Catarina Laranjeiro

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