Até comprava o teu amor (mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

“Só as casas explicam que exista/ uma palavra como intimidade.”

Foram estes os versos de Ruy Belo que iluminaram o desígnio da última criação do

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Até comprava o teu amor

(mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

Um espectáculo do Teatro do Vestido acerca das possibilidades e impossibilidades do amor num clima de falta geral de tudo o resto.

6 actores. 1 casa na cidade. Confissões, lugares, histórias e algumas perguntas.

Um texto original de Joana Craveiro, escrito para/com estes actores e para este espaço.

Uma viagem empreendida por cada espectador dentro de uma casa (dentro de si?..), expostos à frágil e comovente exposição destas seis pessoas.

 Com este espectáculo o Teatro do Vestido retoma uma relação com a cidade do Porto iniciada com Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, co-produção de 2012 com o TNSJ. Sete actores estrategicamente colocados em diversas esquinas em torno do Mosteiro São Bento da Vitória, conduziam o espectador numa viagem poética por memórias reais e ficcionadas da cidade do Porto e dos habitantes daquele bairro.

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©TUNA_TNSJ-CIDADEdos-5838Depois do enorme êxito e empatia que se gerou com o público portuense, o Teatro do Vestido regressa agora para dentro de portas – uma casa no meio da cidade – para falar de histórias íntimas – da cidade também, mas sobretudo das pessoas que a habitam. O amor como pano de fundo para uma viagem do espectador através de sete monólogos – um por quarto – escritos por Joana Craveiro a partir de uma pesquisa em torno da cidade do Porto, da casa onde o espectáculo se realiza, e as vidas dos próprios actores do projecto.


É um espectáculo sobre o amor  – 

 as muitas histórias tristes e as outras com finais felizes – e, sobretudo, questiona-se se no clima geral de falta de tantas outras coisas (supostamente mais essenciais) há ainda lugar para um espectáculo sobre o amor. E responde a essa pergunta através do acto (talvez subversivo) da própria construção deste espectáculo.

É ainda uma colaboração do Teatro do Vestido com três artistas da cidade do Porto: Victor Hugo Pontes, Daniel Pinto e Miguel Bonneville, intérpretes e co-criadores do projecto.

Ficha técnica

Texto e direcção: Joana Craveiro

Co-criação e interpretação: Daniel Pinto, João Paulo Serafim, Miguel Bonneville, Rosinda Costa, Simon Frankel, Tânia Guerreiro, Victor Hugo Pontes

Movimento e Figurinos: Ainhoa Vidal

Imagem: João Paulo Serafim

Desenho de Luz: João Cachulo

Produção Executiva: Rosário Faria

Assistência: Sara Barros Leitão

Participação Especial: Maria Leonor

Contra-regra: Diana Raimundo, Diogo Limas, Flávio Miller, Maria Leonor, Sofia Lopes (alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo) e Bruno Relvas

Coprodução Teatro do Vestido, TNSJ
Colaboração Câmara Municipal do Porto

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada por Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes


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Em criação: RETORNOS, EXÍLIOS E ALGUNS QUE FICARAM Estreia dia 31, às 21:30h, no Teatro Viriato


©Rosinda Costa

I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do IARN entre 1975 e 1991 naquela região. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na região de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica. Sentimos que uma das missões primordiais do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’ que nos serve de título ao biénio 2012-14. Paralelamente, o Teatro do Vestido produz assim mais um texto dramático original, escrito por Joana Craveiro, e prossegue a relação privilegiada com o Teatro Viriato enquanto espaço especial de criação – e com a cidade de Viseu – que foi iniciada em 2013 com a criação Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela.

Estreia: 31 de Janeiro, no Solar do Dão, em Viseu, às 21:30
Espectáculos: 1 e 2 de Fevereiro às 21:30

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro, Rosinda Costa
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Maria Aguiar
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

Informações e reservas: 232480110 – Teatro Viriato | Bilheteira – de 2ª à 6ª das 13h às 19h | Teatro Viriato

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A Importância de Ser António de Macedo | Miguel Bonneville | em residência no TdV


©Cláudia Varejão

‘A Importância de Ser António de Macedo’ é a primeira obra, de um conjunto de performances em série, baseada em vidas de artistas cuja importância tenha sido vital no meu percurso.

António de Macedo (Lisboa, 1931) é um cineasta português. Foi um dos realizadores mais activos do Novo Cinema, que explorou as técnicas do cinema directo. É autor de filmes de longa-metragem, de curta-metragem e de séries de televisão. Macedo é mais conhecido como realizador, actividade que abandonou em 1996, por se sentir marginalizado. Depois disso, dedicou-se inteiramente à escrita.

Atravessando quatro décadas, António de Macedo, presenteia-nos com uma obra experimental de indubitável originalidade, cuja importância se evidencia agora, depois da retrospectiva na Cinemateca Portuguesa, vinte anos após a estreia da sua última longa metragem. Assim, não só este espectáculo se presta a uma simples homenagem, mas presta-se sobretudo a ajudar que se escreva no nosso mapa a história da arte contemporânea em Portugal.

‘A Importância de Ser António de Macedo’ deve-se principalmente ao impacto que um artista de 82 anos, lentamente esquecido, provocou em mim,trespassando lancinantemente os 50 anos que nos separam.

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Em acolhimento no TdV entre 28 de Outubro e 10 de Novembro

ESTREIA a 21 de Dezembro, na sala de ensaio do CCB, Lisboa
Mais info. em: http://www.ccb.pt ou http://www.tempsdimages-portugal.com/2013/

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