FILHOS DO RETORNO

©TUNA-RETORNOfilhos-0130-1©João Tuna

Teatro Viriato, Viseu (24 a 26 de Maio | 21h30)

Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa (21 de Junho a 01 de Julho | quarta, às 19h30 – quinta a sábado, às 21h30 – domingo, às 16h30)

 

Um projecto do Teatro do Vestido a partir das pós-memórias daqueles cujos pais ou familiares próximos viveram em África no período colonial português, anterior ao 25 de Abril de 1974.
Como é que estas gerações que não viveram esses acontecimentos directamente se relacionam com as memórias dos pais? A nostalgia passa de pais para filhos, ou as memórias são guardadas em baús sem chave, que ninguém quer abrir? Como é a relação da geração dos filhos com o processo de descolonização e com o 25 de Abril? E qual a ideia de África que ficou nestas famílias?
Estas são algumas das perguntas de partida de um projecto que se constrói a partir de testemunhos de uma geração que viveu os acontecimentos através das memórias da família.

Texto, direcção e co-criação: Joana Craveiro
Co-criação e interpretação: Cláudia Andrade, Daniel Moutinho, Lavínia Moreira, Marina Albuquerque e Rafael Rodrigues
Colaboração criativa: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Iluminação: João Cachulo
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Co-produção: Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Teatro Nacional D. Maria II e Teatro Viriato

Duração: 2h3o (aproximadamente)
M/12

Para mais informações, por favor consulte o site do Teatro Viriato

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

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RETORNOS, EXÍLIOS E ALGUNS QUE FICARAM

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7 a 10 de Junho | 21h

Palácio Sinel de Cordes*, Lisboa

 

I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

 “No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas…Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”

(Dulce Maria Cardoso, O Retorno) 

II.
Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) entre 1975 e 1991 naquela região. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na região de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica. Sentimos que uma das missões primordiais do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos.

III.
Falar no plural é sempre difícil – eles. Generalizar é sempre perigoso – eles, outra vez. Eles nós. Neste espectáculo, procuramos ir para além do eles, para descobrir a singularidade de cada uma das histórias, onde eles próprios se assumem ou como retornados, ou como refugiados, ou como exilados, ou até como nada disso, como pessoas só, apanhadas num momento histórico de grande complexidade e que os afectou de uma forma directa e imediata. Dar a possibilidade a diferentes vozes deste processo serem ouvidas, foi uma das coisas que nos propusemos fazer. Esse é, acreditamos, um papel fundamente que o Teatro pode ter. Repetimos que este espectáculo é construído a partir de exemplos únicos, que não é possível escrever uma história colectiva destas pessoas – por muito que seja tentador aproximar as experiências de cada um e dizer ‘ah, os retornados’.
Todos eles viveram um retorno diferente.
E ainda hoje, muitos dentre eles, estão presos dentro da memória desse retorno.
Porque nos horroriza a vitimização, o carpir colectivo, tanto quanto o sectarismo ideológico, a ignorância histórica e o preconceito, a ideia principal que está na base da construção deste espectáculo é a de reconciliação – do país e das pessoas com a sua história, e do país entre si.

 Joana Craveiro

Direcção, texto, espaço cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro e Rosinda Costa
Desenho de luz: Cristóvão Cunha
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Co-produção: Teatro do Vestido e Teatro Viriato

Duração: 2h30 aprox.
No final do espectáculo haverá uma conversa com os espectadores.

*Palácio Sinel de Cordes
Campo Santa Clara, 142
110-155 Lisboa
(no local onde se realiza a feira da ladra)

Para mais informações, por favor consulte o site do Teatro Nacional D. Maria II

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

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UM MINI-MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS DO PORTUGAL RECENTE

Mini-Museu Vivo

24 a 29 de Abril | todos os dias às 16h (excepto quarta, 25, às 11h)

Teatro Municipal Joaquim Benite

Almada

Partindo dos materiais que são a base da construção de Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, que aborda, a partir das memórias das pessoas, a ditadura de 1926-1974, a revolução de 25 de Abril de 1974 e o processo revolucionário de 1974-76, o Teatro do Vestido constrói agora este Mini-Museu contado aos jovens. Nele, são revisitados muitos temas da história recente de Portugal que nem sempre se encontram nos livros do Ensino Secundário; ou que, mesmo sendo aí abordados, não o são do ponto de vista das memórias pessoais, dos pequenos objectos. Estamos rodeados de versões gloriosas sobre a história, contadas pelos grandes protagonistas militares e políticos. Este mini-museu vivo, pelo contrário, contará histórias dos anónimos que fizeram, também eles, essa história, mesmo que na história não tenha ficado o seu registo. 42 anos depois do 25 de Abril, já são os filhos de Abril que transmitem as memórias que ouviram contar, a outros para quem este passado é já um país distante. E, no entanto, como mostra este espectáculo, este passado faz muito daquilo que é o nosso presente. Não o conhecer, não saber como chegámos até aqui, é como faltar-nos um mapa para o futuro.

Texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Colaboração criativa: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Desenho de luz: João Caculho
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Co-produção: Teatro do Vestido e CCB / Fábrica das Artes

Duração: 75 minutos
M/12

Para mais informações, por favor consulte o site do Teatro Municipal Joaquim Benite

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

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