Operação PREC ou antes do arquivo

 

Antecipando a instalação do seu “Arquivo Vivo” em Marvila, o Teatro do Vestido -companhia de teatro apaixonada por histórias e por pessoas e lugares, e cheia de objectos, de documentos para partilhar com todos – vem por este meio apresentar-se à comunidade de Marvila. Chegamos aqui a fazer teatro – que é como sabemos chegar às coisas e às pessoas, com este OPERAÇÃO PREC OU ANTES DO ARQUIVO. Fica marcado este nosso primeiro encontro, a que muitos se seguirão. Abraços fraternos, a acreditar no futuro. Até já!

 


 

E se a minha casa estivesse dentro de mim?
Como se mostrar a minha casa fosse mostrar aquilo que sou.

As danças, os cheiros, as obras, as músicas, as placas de lusalite, as avós e os avôs.
O calor que já não existe mas que ainda sinto perto de mim.

Onde acaba a revolução?

Desenho tudo aquilo de que me lembro e gostava que, depois de hoje, te lembrasses também.
Onde antes estava tudo agora não existe nada. Só a memória de um entulho que, de vez em quando, me entulha a memória, e aí eu paro e reconstruo tudo outra vez.
Bom no meio disto, é tu estares aí a ajudares-me a lembrar. Ontem, hoje e amanhã.

“Operação PREC ou antes do arquivo” são todas essas memórias que ansiamos partilhar com o coração aberto como a porta de uma casa por onde possas entrar e tomar um caldo quente daqueles que aquece a alma; como se fosse possível aquecer a alma…

Seria, por certo, um feito especial.
Hoje é, por certo, um dia especial.
Hoje é dia de teatro.
Obrigado.

 

Estêvão Antunes


Ficha PREC

 

 

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Gaveta de Joana Craveiro

Este solo, que combina objectos de memória do espólio pessoal de Joana Craveiro com uma colecção de fotografias de uma família anónima, adquiridas numa feira da Bagageira em 2018, reflecte sobre a memória e as formas de a fixar, bem como sobre segredos, omissões e apagamentos, partindo da frase de Annette Kuhn, “o passado é como a cena de um crime.” Annette Kuhn em Family Secrets, parte ela própria de uma única imagem da sua infância – uma aparente imagem de felicidade e inocência – para revelar a sua história pessoa de abandono. A imagem não regista o seu trauma de infância.

Em Gaveta, Joana Craveiro parte de um colecção de fotografias que existia em casa da sua avó, mas que nunca lhe foi contada, para a relacionar com a outra colecção adquirida em 2018. No fundo, em ambas as colecções, são quase todos desconhecidos para Joana Craveiro. Como Christian Boltanski disse, “Hoje em dia morremos duas vezes: a primeira quando morremos de facto; a segunda, quando já ninguém sabe quem somos numa fotografia.”

O que é que uma colecção cuidadosamente legendada diz sobre a vida desta família de uma possível classe média baixa, no Portugal do final dos anos 50, até aos anos 70? Que transformações na paisagem, na política, nas relações de género, e nas dinâmicas familiares podem ser intuídas naquele conjunto de imagens? E, porque acabaria uma colecção destas numa feira, vendida a uma desconhecida?

A colecção pessoal de Joana Craveiro, por seu turno, longe do nível de conservação da colecção adquirida, está na posse de um elemento familiar com alguma ligação às imagens. A vontade de preservar não existia desde o início; mas a colecção foi preservada, não obstante. Ficou ‘na família.’

O espectáculo reflecte sobre os usos pessoais, políticos, familiares e afectivos das fotografias. E também sobre a materialidade destes objectos num mundo cada vez mais imaterial.

Rodapé gaveta

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ESTREIA | Atalhos | 20 Novembro | Festival de Teatro do Seixal

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