Activismo, ou o acto de agir sobre a realidade para a transformar.

Para o biénio de 2011-12, o Teatro do Vestido estabeleceu como tema geral o Activismo, ou o acto de agir sobre a realidade para a transformar. Consciente do momento crucial que o país atravessa, apelidado pela generalidade das pessoas como “crise”, o Teatro do Vestido, não querendo negar a realidade dos factos nem utilizar estratégias escapistas, prefere não obstante, ater-se no caracter chinês para “crise” que é “oportunidade”. Por isso chamamos a este momento um momento crucial. Empenhados que estamos em construir um teatro que activamente fale sobre a realidade, à realidade, um teatro dito político naquilo que enuncia como seus vectores de pesquisa – uma relação activa com a realidade do presente e as suas perplexidades e múltiplas perspectivas – desenvolveremos ao longo dos próximos dois anos uma programação consonante com estes pressupostos, e que aposta mais do que nunca numa formação consistente de públicos, através de um serviço educativo directamente relacionado com cada uma das criações, bem como de acções complementares de partilha dos nossos processos de trabalho. Estamos também empenhados numa maior abertura à nossa comunidade envolvente, nomeadamente com a existência do espaço físico da companhia, que se situa no Cais do Sodré.

É nossa convicção de que este é o tempo certo. Certo no sentido em que é o tempo em que vivemos e o tempo em que vivemos é sempre o certo: para alcançar qualquer coisa, para transformar qualquer coisa. Porque acreditamos que os valores do humanismo se devem impor aos do capital e das trocas meramente monetárias. Porque acreditamos neste tempo (como já dissemos), neste mundo, e no nosso papel nele. Porque acreditamos no teatro e no contributo disso. Porque não consideramos que o que fazemos é supérfluo. Porque não acreditamos no discurso que pretende julgar o que é ou não é teatro, o discurso da ausência de dramaturgia em Portugal, o discurso dos subsídio-dependentes, o discurso absurdo de quem não faz a mínima ideia do que fazemos realmente todos os dias e alimenta fantasias (porque são fantasias) do tempo em que os artistas viviam em águas-furtadas num bairro do centro de Paris e morriam de tuberculose (o que de si era também já então uma fantasia). Porque, enfim, nós ainda estamos vivos, estamos aqui, a fazer coisas, ainda a fazer coisas.

Mais do que numa rede económica – a cujos limites e falências todos estamos a assistir e a experienciar – propomos aqui a criação de uma rede essencialmente solidária. E é enquanto companhia de teatro que o fazemos, pois esse é o contributo que podemos prestar à comunidade – um contributo que deriva directamente daquilo que somos e que fazemos.

«…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.» (John D. Caputo)

Projectos 1º semestre 2012:

Tropeçar: (Digressão) Centro Cultural de Cascais, Teatro Viriato, Centro Cultural de Vila Flor, Espaço do Tempo
(espectáculo encomendado e co-produzido pelo CCB/Fábrica das Artes)

Em Tropeçar misturamos as nossas memórias com as apropriações que fomos fazendo das crianças que observámos, recuperamos perguntas que ainda hoje nos inquietam sem tentarmos dar-lhes resposta (ainda), falamos de jantares de natal, de viagens de carro, de quando mudamos de pele (e dói um pouco), do absurdo de algumas histórias que nos contavam, de quando pensávamos ser invencíveis e da descoberta de não o sermos, de acidentes e percalços, de dificuldades, da parede que se atravessa à nossa frente quando menos esperamos, e da coragem de finalmente a atravessar.

Tropeçar pretende ser mais sobre aquilo que as crianças nos dizem e menos sobre o que nós lhes dizemos a elas.

Zona de Acolhimento

abrir a nossa casa para acolher os sem casa que quiserem fazer do nosso espaço o espaço de apresentação dos seus projectos. Zona de Acolhimento é um projecto semanal (em semanas pré definidas ao longo do ano) e cuja curadoria está a cargo da equipa TdV. Convidamos todos a construir esta comunidade de ideias, partilha, projectos.

Zona da Comunidade

Dias específicos em que o TdV abre o seu espaço à comunidade envolvente – do Cais do Sodré – pretendendo estimular relações de proximidade prolíferas e em que a companhia desempenhe um papel proactivo e positivo na zona em que está inserida. Neste dia, convidamos a comunidade envolvente a expressar-se no nosso espaço, a falar dos seus produtos, dos seus trabalhos, das suas questões – uma comunidade que se vá tornando menos estranha e mais empenhada e partilhada. Numa zona da cidade em rápida transformação e alguma descaracterização, esta Zona pretende registar e relembrar o que já vai passando, bem como o que se vai instalando e que é, também, comunidade.

Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela – Edição Porto

Originalmente concebido como um projecto de colaboração para intervir sobre espaços de Lisboa, onde o Teatro do Vestido está sedeado, o projecto Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela já contou com três edições, em espaços tão diversos quanto o Largo de Santo Antoninho, o nº 49 da Rua da Barroca (espaço da ZDB), e o Internacional Design Hotel. Em cada uma das edições, um membro do Teatro do Vestido convidou um criador exterior à companhia e, num espaço de duas semanas intensivas, o trabalho foi criado a partir de um lugar, de um tema ou de uma questão suscitada pela cidade.
Para a edição do Porto, e contando com a co-produção do Teatro Nacional de São João, o Teatro do Vestido propôs-se descobrir uma cidade que lhe é, de certa forma, estrangeira, pelos olhos dos que a ela pertencem, ou pertenceram, ou se encontram no processo de vir a pertencer. Conduzidos pelos olhos deles, as memórias deles, as perguntas deles, lançamo-nos como cegos numa cidade nova para podermos vir a desejar viver nela também.
Esta é a minha cidade e eu quero viver nela (edição especial Porto) é uma colaboração entre a equipa do Teatro do Vestido e criadores oriundos da cidade do Porto ou que nela habitam.

Monstro – Projecto de criação a partir da ideia de “Calamidade”

De onde vem este título?
De uma carta que um de nós escreveu a outro, era uma espécie de carta sobre o estado da nação (do mundo?), como se o outro fosse um alienígena ou assim, como se o outro andasse de abalada mas nem sequer no estrangeiro, noutro planeta. E dizia assim:

“CALAMIDADE É O NOME DADO A ESTE MONSTRO que mata o desejo e a possibilidade de conseguir construir
CALAMIDADE É O FIM DO COMBATE DOS COWBOYS CONTRA OS FEDERAIS EM QUE OS FEDERAIS DIZEM O SEGUINTE AO OUVIDO DO PRESIDENTE:
- Senhor Presidente, já não há cowboys, as suas carcaças estão estendidas ao longo das avenidas, estradas e vias públicas. Os pássaros alimentam-se assim há duas semanas.
- O preço das rações desceu, senhor presidente, mas não façamos disso grande alarido.
- Já podemos arrumar o país, senhor, a um canto, depois tratamos dele quando tivermos tempo e for a altura certa, a altura certa senhor.
CALAMIDADE será não apenas os abusos de poder, as violações dos direitos e dos corpos humanos mas também o começo da coisa má humana, o desistir perante o poder pequeno, desistir perante o grande poder, o roubo da vontade e a cedência da mesma por questões hierárquicas e medo do nunca-melhor
CALAMIDADE é a observação não-participante na comédia divina
LOGO TÂNIA, O NOME DISTO QUE ANDAMOS A VIVER NÃO É OUTRO, É CALAMIDADE
a destruição do valor humano em todas as suas intensidades diferentes, do poucochinho à saturação total.”

E ficou Monstro. Porque queremos reflectir neste trabalho acerca daquilo que nos come por dentro e às coisas à nossa volta, e que queremos que pare, que pare, que pare.
Convidámos Maurício Paroni de Castro, encenador brasileiro, de ascendência italiana, residente em São Paulo, mas com vasto trabalho realizado na Europa, para criar connosco este objecto cefalópode, que terá carreira em São Paulo e em Lisboa.
Trabalhando a partir de uma metodologia que apelidou de “deriva” e da qual o Teatro do Vestido já em 2003 se apropriou e adaptou como parte do seu modus operandi de construção criativa, Maurício Paroni de Castro descreve a sua forma de trabalhar com as seguintes palavras: “O exercício da Deriva foi criado para trabalharmos praticamente com o conceito de cartografia emocional. O exercício é, na prática, criar situações reais, em locais públicos, nas quais o ator realiza um deslocamento a partir de premissas previamente determinadas e com um tempo de duração também estipulado. O exercício gera um fluxo de ações que é determinado pelo percurso feito. Ao termino, são feitas as considerações e reflexões acerca do mesmo, para compreender e contextualizar a trajetória emocional. Esse exercício foi o ponto fundamental desta pesquisa, onde os atores são o suporte da dramaturgia, e não o contrário, como costuma-se fazer tradicionalmente. Os ganhos dessa inversão de percurso são de vários níveis: conceitual, criativo e interpretativo.” A “deriva” será, portanto, a base metodológica da construção de Monstro, e existe à partida um grande entendimento artístico entre o Teatro do Vestido e o encenador. Para este projecto estamos também a tentar viabilizar a participação de Janine Rosati, actriz que integra a companhia Manufactura Suspeita, de Paroni de Castro, e Sérgio Romano, actor e criador italiano, que trabalhou durante um largo período de tempo com Paroni de Castro.

Direcção: Maurício Paroni de Castro.
Co-criação/ Interpretação: Joana Craveiro, Tânia Guerreiro
Espaço Cénico, Imagens, Ruído: Gonçalo Alegria
Colaboração: Sérgio Romano, Janine Rosati.

O projecto será criado de raiz em São Paulo, onde terá o seu primeiro conjunto de apresentações, e terá posteriormente a segunda fase do projecto em Outubro/Novembro de 2012 em Lisboa. Este é um projecto pensado para espaços não convencionais da cidade, decorrendo em avenidas, becos, jardins e entradas de prédios de determinadas zonas de São Paulo. Será também utilizado o espaço de um antigo clube de boxe.

Manifesto-me #2
A premissa deste projecto é a mesma que assistiu a Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela: um elemento da companhia convida um criador exterior para colaborar durante duas semanas, e o resultado é uma criação efémera que documenta esse encontro e, no caso específico deste projecto, a reflexão e manifestação activa sobre algo que se tenha muita urgência de dizer hoje, aqui onde estamos.
É condição obrigatória que as apresentações tenham lugar em espaços diversificados e não-convencionais da cidade. Ainda há uma relação com a cidade neste projecto, apesar de a palavra “cidade” ter desaparecido do título.
Como objecto integrante da criação, far-se-á uma publicação, cuja forma, formato, extensão dependerá do encontro entre os dois criadores e da dinâmica de manifestações que forem criadas.

A primeira edição deste projecto decorreu em Dezembro de 2011: Tânia Guerreiro convidou Maria Gil e juntas criaram “Rua da Esperança.”
Em 2012 as 4 edições de “Manifesto-me” serão apresentadas no CITEMOR, Festival de Teatro de Montemor o Novo.

Posted in TdV | Leave a comment

ZONAS CONDENSADO – métodos de trabalho para a criação individual e em colaboração

Zonas Condensado – métodos de trabalho para a criação individual e em colaboração (9h)
Na sequência das edições anteriores do projecto pedagógico Zonas, que decorre desde 2006, o TdV realiza agora uma edição condensada do Zonas: 9 horas de laboratório de criação, tendo como ponto de partida as diferentes metodologias desenvolvidas pelo TdV para a criação.
O projecto pedagógico Zonas é um laboratório de criação onde os participantes são encorajados a desenvolver ferramentas criativas para abordar qualquer ponto de partida e a construir material performativo a partir dele. É ainda um espaço de pesquisa acerca da criação em colaboração, um espaço de partilha e de construção de uma comunidade de pessoas empenhadas em pensar e experimentar o processo de criação nas suas diversas vertentes.

O Zonas está aberto à participação de qualquer pessoa que o queira experimentar, proveniente de qualquer área profissional. De facto, o Zonas está aberto às pessoas, e cada edição deste projecto é única e irrepetível precisamente por causa daqueles que nela participam.

16, 17, 18 de Dezembro das 20h às 23h
Local: Teatro do Vestido – Travessa do Corpo Santo, nº29 2º 1200-131 Lisboa
Valor: 50€
Inscrições (limitadas): geral@teatrodovestido.org

Formadores: Joana Craveiro, Pedro Caeiro, Simon Frankel
Produção: Joana Vilela
Assistência: Raquel Leão

Posted in TdV | Leave a comment

Manifesto-me #1 Rua da Esperança

MANIFESTO-ME 

“A premissa deste projecto é a mesma que assistiu a Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela: um elemento da companhia convida um criador exterior para colaborar durante duas semanas, e o resultado é uma criação efémera que documenta esse encontro e, no caso específico deste projecto, a reflexão e manifestação activa sobre algo que se tenha muita urgência de dizer hoje, aqui onde estamos.”Tânia Guerreiro convida Maria Gil
Hoje cruzei-me e disse bom dia ao meu vizinho a quem dei o nome de “Senhor Francisco”.
Ele respondeu-me mas eu ainda não sei o nome dele.
Há uma frase de Benjamim que não me sai da cabeça: “As pessoas que estão encurraladas neste país perderam a percepção dos contornos da pessoa humana. Todo aquele que seja livre lhes parece um extravagante.
Fotografia Manuel Moreira
Apoio Teatro do Silêncio
Produção Teatro do Vestido/Joana Vilela
Estagiária Raquel Leão

dias 10 e 11 de Dezembro às 22h no Lavadouro de Carnide, Estrada A Correia, 1500-210 Lisboa (Metro Carnide, autocarros 726, 768, 729)
Tratando-se de um espaço muito frio, recomendamos o uso de agasalhos.

SERVIÇO EDUCATIVO
Laboratório sobre o espectáculo dias 10 e 11 de Dezembro, das 16h às 18h no Lavadouro de Carnide.
Inscrições (máximo 10 pessoas) para: geral@teatrodovestido.org
Recomendamos o uso de roupa quente.
Posted in TdV | Leave a comment

Esta é a minha cidade e eu quero viver nela #4

Nocturno para Sala Silvestre é uma coisa feita de noite e uma tentativa forçada de viver a cidade quando está toda a gente a dormir. Visitamos lugares nocturnos, esperamos pelo autocarro da carreira duzentos e tal enquanto ainda existe, passamos pelas ruas, olhamos para cima e vemos a luz acesa naquela janela, oscilações de azul da emissão televisiva. A coisa mostra-se depois numa composição física e sonora por João Ferro Martins e Gonçalo Alegria.

LOCAL:
espaço do vestido sala principal:
21:30
duas apresentações
8 e 9 de Dezembro
Travessa do Corpo Santo, nº29 2º 1200-131 Lisboa
Posted in TdV | Leave a comment

Acção Serviço Educativo

Sábado dia 8 de Outubro às 15h

Laboratório complementar a (e agora tinham passado 10 anos) e nem sombra deles em lado algum

um laboratório de coisas sobre como falar sobre o passado e o presente sem fazer uma palestra, sem fazer um best of, sem fazer uma homenagem, sem ser sentimental. Partindo da sua experiência de diversos anos na orientação do Projecto Pedagógico Zonas, a equipa do TdV desenvolve aqui um laboratório de criação vocacionado para trabalhar técnicas e temáticas relacionadas com arquivo, catalogação, autobiografia, e a relação de tudo isso com o nosso presente imediato.

 

Coordenação: Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Pedro Caeiro, Rosinda Costa, Simon Frankel, Tânia Guerreiro

Produção: Joana Vilela

Assistência: Raquel Leão

uma co-produção: Teatro do Vestido/ Negócio/ZDB

 

 

Posted in TdV | Leave a comment

[agora já tinham passado dez anos e] nem sombra deles em lado algum

Estreia dia 6 de Outubro (quinta-feira) no NEGÓCIO

De quinta dia 6 a quarta dia 12 de Outubro, todos os dias às 21.30

Em 2001 o Teatro do Vestido apresentou na Galeria Zé dos Bois Tua, a sua primeira criação. Em Outubro, retorna à ZDB, no NEGÓCIO, celebrando e confrontando uma década. Este aniversário é ocasião para, com ele, também o público e a ZDB reflectir, conjecturar e festejar.

isto não é um objecto nostálgico

isto não é uma reconstituição

isto não é um trabalho de arquivo

isto não é uma reinvenção

isto se calhar não é o que parece

isto se calhar afinal é todas as coisas que diz não ser

é uma espécie de celebração, mas mais do presente do que do passado. É que de facto passaram dez anos e nós, perplexos, decidimos começar a falar sobre isso.

como é que se comemora e reflecte acerca de 10 anos de trabalho de uma companhia? Com esta premissa, o Teatro do Vestido lança-se aos seus arquivos, dossiers, textos não editados, e as memórias de cada um, não exactamente para recontar ou reconstituir uma história, ou para chapinhar na nostalgia, mas para construir um novo objecto performativo e assim o passado deixar de ser uma coisa obsoleta para passar a ser algo com que se constrói o futuro.

Ao escrever sobre a sua performance A Decade of Forced Entertainment, a companhia Forced Entertainment dizia: “part autobiographical, part archive, part historical meditation and part theoretical speculation”.

Sem querermos copiá-los, ainda assim dizemos: o mesmo.

Desde o início da companhia que queríamos comemorar os dez anos dela. E este ano vamos finalmente conseguir.

Este é um objecto performativo circunstancial, efémero e único, que reflecte o nosso percurso de 10 anos enquanto companhia de pesquisa e criação.

- pensei: onde é que estiveste este tempo todo?

- também já pensei isso uma vez

- depois pensei que nunca mais ia acabar

- também pensei que nunca mais ia acabar

- pensei que já passou um ano e parece impossível que tenha aparecido isto

- pensei se tinha alguma coisa para dizer

- penso sempre isso

- pensei: porque é que eles continuam a não ter confiança no que têm para dizer?

(fragmento de uma cena desta peça)’

Direcção: Joana Craveiro
Co-criação, interpretação, investigação: Gonçalo Alegria, Pedro Caeiro, Rosinda Costa, Simon Frankel, Tânia Guerreiro
Publicação (design e concepção): Catarina Vasconcelos
Dramaturgia, espaço cénico: Teatro do Vestido
Ruído: Gonçalo Alegria
Participação de várias formas: Inês Rosado, Leocádia Silva, Miguel Seabra Lopes
Produção: Joana Vilela
Assistência: Raquel Leão

uma co-produção: Teatro do Vestido/ Negócio/ZDB

Posted in TdV | Leave a comment

Brevemente, Tropeçar.

Tropeçar é o mais recente trabalho do TdV. Estamos embrenhados numa sala do CCB sem ver a luz do dia para apresentar o resultado do que é voltar a pensar e olhar para mundo do adultos. É um trabalho que parte das nossas experiencias e memórias, da investigação do universo das crianças. Brevemente mais informações, ficando já aqui a mais importante: Estreamos dia 4 de Junho.

Tropeçar, na Fábrica das Artes, CCB – Sala de Ensaio. De 4 a 9 de Junho.

Mais informações aqui

 

Gonçalo

Posted in TdV | Leave a comment

Estreia CHEGADAS

Liberdade Provisória – Av. da Liberdade, nº 220 – 3º  | 1250 – 147 Lisboa

24 a 27 de Fevereiro e 2 a 6 de Março 2011, 22h

Chegadas – peça de teatro documental sobre actos de chegar e algumas das implicações desse verbo

Aquele sítio onde paramos vindos de não sei onde. Aquele não lugar. Aquele sorriso que trazíamos, expectantes. Aquele olhar inquieto. Aquela coisa de que nos esquecemos no banco de trás. Aquela pessoa que deixámos para trás. A forma de entrar, de andar, de sair, de procurar com olhos, de tropeçar.

E agora nós éramos pessoas que sabiam perfeitamente estar à altura de qualquer situação.  E agora nós éramos pessoas que não precisavam que as viessem buscar. E agora nós não tínhamos esta sensação de orfandade, e sabíamos o que fazer numa gare vazia, ou à chegada a um aeroporto, ou mesmo à porta de casa naqueles dias em que não encontramos as chaves e tudo vai mal.

Chegadas é um projecto que parte da ideia de chegar, nas suas mais variadas formas. Gostamos de pensar nele como um projecto de teatro documental ou documentário, que começou connosco sentados em diversos locais de chegada a olhar para tudo de olhos espantados e a tirar notas freneticamente em pequenos cadernos discretos que cabiam no bolso de uma gabardine.

Chegadas partiu da ideia de uma de nós (Ela contou-me várias histórias acerca de um tempo em que havia um vidro e conseguíamos ver as pessoas antes que elas chegassem de facto. Ela disse-me que de cada vez que o pai dela partia, eles de despediam como se fosse para nunca mais se verem.)

Chegadas é uma peça, que apesar se já ter sido apresentada em Agosto na Estação Ferroviária de Évora, no âmbito do Festival Escrita na Paisagem, ainda está em construção. Agora numa casa, num terceiro andar na Avenida da Liberdade, em Lisboa. (como é que se encaixa uma peça assim como esta numa casa? Da mesma forma que se encaixa tudo o resto a toda a hora onde já parece não haver mais espaço disponível, respondemos nós)

Em Chegadas recuperamos movimentos e textos que são como que um ensaio geral de actos quotidianos, mil vezes repetidos e vividos, mas que ninguém repara que estão lá. Todos estão demasiado ocupados em vivê-los. Desde há uns anos a esta parte, o Teatro do Vestido tem-se dedicado sistematicamente a uma observação das coisas mínimas do quotidiano com vista a inscrevê-las em objectos performativos que reflictam uma relação íntima com a realidade e transmitam o nosso olhar perplexo (apaixonado?) perante ela.

“Cheguei ontem.

Eles apertam-se ao andar na rua e é difícil saber se o fazem porque têm frio ou porque precisam do conforto da carne humana. Olho para as suas casas de pedra que se estendem a perder de vista, ao longo das margens de cada rio e penso na minha casa e em como nunca mais vou poder voltar. Porque virei costas. E conheço as regras de quando se vira costas a uma coisa: NÃO VOLTARÁS.” (in texto dela quando chega)

Direcção: Joana Craveiro

Criação, Interpretação, Textos: Inês Rosado, Joana Craveiro, Rosinda Costa
Colaboração: Simon Frankel, Tânia Guerreiro
Dramaturgia: Teatro do Vestido
Instalação: Gonçalo Alegria
Vídeo: Manuel Pureza
Assistência de Encenação: Lara Portela
Produção: Joana Vilela

Co-produção: Festival Escrita na Paisagem

Projecto Financiado pelo: Ministério da Cultura/DGArtes

Posted in TdV | Leave a comment

ZONA #2 Inscrições Abertas

Inspirando-se nos universos de Jorge Luís Borges, Shuiten and Peeters, Italo Calvino, Hugo Pratt, a Zona #2 traça retratos de lugares imaginados e trabalha-os nos modos de performance, escrita e instalação.
O projecto pedagógico Zonas é um laboratório de criação onde os participantes são convidados a desenvolver projectos de criação a solo ou em colectivo com base em pontos de partida diversos que os levem a explorar linguagens e metodologias criativas inspiradas nos processos de criação da equipa do Teatro do Vestido, que coordena estes laboratórios.
Cada Zona tem uma identidade e temas próprios, e não tem como objectivo fornecer uma formação de actor, mas sim o desenvolvimento de ferramentas de criação diversas e de formas de trabalho em colectivo, bem como potenciar os interesses e apetências criativos de cada participante e criar com eles projectos que os levem a explorar novos rumos nas suas pesquisas criativas.

Data: 25 janeiro a 17 abril 2011

Horário: terças e domingos | 20h00 às 23h00
Espaço: Liberdade Provisória (av. da liberdade, 220 – 3º, Lisboa)
Orientadores: Joana Craveiro, Gonçalo Alegria
Preço: 350 euros
Número máximo de participantes: 12

NOTA: Informamos que a GDA, Direitos dos Artistas, atribui um apoio a quem se candidatar ao Fundo Cultural e preencher os requisitos solicitados. Mais informações em: http://www.gdaie.pt/fundocultural.php

Informações/Inscrições:
tm +351 918 388 878
teatrodovestido@gmail.com
geral@teatrodovestido.com
Posted in TdV | Leave a comment

ZONA AVANÇADA Teatro Turim

16, 17, 18 Dezembro 2010, às 21h30 – Entrada Livre
Teatro Turim (Estrada de Benfica, 723 A, Lisboa)

Zona Avançada é uma deriva do projecto pedagógico Zonas, do Teatro do Vestido, que, desde 2006, tem gradualmente assumido a sua verdadeira identidade enquanto laboratório de criação performativa e experiências várias.
Para a Zona Avançada o Teatro do Vestido lançou o desafio a ex-alunos para apresentarem projectos a solo ou em duetos, com vista à sua produção/orientação/viabilização por parte do colectivo TdV. Foram seleccionados os projectos de Sabina Delgado e Sandra Simões.

Continue reading

Posted in TdV | Leave a comment