UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

©TUNA-MUSEUvivo-2829©João Tuna

Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas | FITEI 

11 de Junho | 20h30 | TNSJ

Este projecto parte de uma pesquisa sobre as memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica, política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes 3 períodos/ acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que construímos estas sete palestras performativas, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham realmente passado.

 O ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

 “There is a secret agreement between past generations and the present one.” (Walter Benjamin)

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça[1], ou algo semelhante, são os activistas e cientistas sociais, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vistas – reescrever a história.

Paula Godinho descrevia assim em 2011, o que ela considera ser um fenómeno desde o final dos anos 80, “que passa pela desqualificação dos momentos revolucionários, pela sua avaliação com ressalvas ou pelo completo banimento, e, concomitantemente, por uma desvalorização do carácter repressivo do Estado Novo, por imposição de uma agenda política mais generalizada.” E acrescenta: “…falar e escrever acerca de revoluções e revolucionários não está na moda (…)” (Paula Godinho, introdução a Aurora Rodrigues, Gente Comum – Uma História na PIDE, Castro Verde: 100Luz, 2011)

Investigação, texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Colaboração criativa e assistência: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Figurinos: Ainhoa Vidal
Desenho de luz: João Cachulo
Produção: Cláudia Teixeira
Assistente de produção: Igor de Brito

Para mais informações, por favor consulte os sites do FITEI  e do TNSJ

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes

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[1]Por exemplo. o Brasil estabeleceu a Comissão Nacional da Verdade em Maio de 2012, para averiguar, esclarecer e reconstituir os acontecimentos e crimes cometidos entre 1946 e 1988, ou como os próprios afirmam, “a busca pela verdade e a promoção da reconciliação nacional.”
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LABOR #2

Labor#2_Teatro do Vestido_©João Tuna_001 ©João Tuna

LABOR #2 | 5 e 6 de Junho | 21h30 | Cineteatro João Mota, Sesimbra

Labor #2 faz parte de um projecto teatral do Teatro do Vestido em várias partes sobre a história, função e contradições do trabalho. O trabalho “edifica,” “liberta,” “confere dignidade,” “identidade” – dizem-nos, e desde cedo começámos a pensar no que ‘queríamos ser’, ou ‘aquilo em que queríamos trabalhar.’ A sociedade moderna, como a conhecemos, organizou-se e organiza-se em função do trabalho. Mas mudanças subtis tomaram conta da realidade desta sociedade moderna na qual crescemos, e têm vindo a operar uma transformação no lugar central que o trabalho ocupava até agora. O desemprego galopante – e por vezes escondido por estatísticas enganadoras que contabilizam trabalho precário e estágios profissionais como se de emprego real se tratasse – o esvaziamento dos sindicatos, as questões da contratação colectiva, os polémicos acordos da concertação social, as sucessivas greves – tudo isto nos levou a sair da sala de ensaio para as ruas de algumas cidades a ver o que resta, então, do trabalho – e que lugar é que este ocupa ainda hoje na nossa sociedade. Em Labor #2, investigamos realidades laborais particulares dos concelhos do Barreiro, Moita, Sesimbra, Oeiras, Abrantes e Santarém. Movemo-nos no meio das pessoas, das suas histórias de vida, por entre as ruínas de fábricas, salinas, barcos, e as memórias da resistência anti-fascista e de um tempo – o da revolução – em que tudo estava por inventar. Construímos assim uma espécie de teatro documental, o tipo de teatro capaz de expor a realidade nas suas múltiplas facetas, deixando ao espectador a reflexão possível a realizar. O Teatro do Vestido prossegue com este projecto a sua tentativa de compreensão do presente através de uma convocação da história de Portugal, nomeadamente, fragmentos de uma história que considera ‘invisível’ e esquecida. Labor #1 estreou em Julho de 2013 no Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa.

Direcção e texto: Joana Craveiro
Interpretação: Ainhoa Vidal, Estêvão Antunes, Gustavo Vicente, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Figurinos: Ainhoa Vidal
Participação especial: Altino Cândido e Valdemar Capítulo
Direcção técnica / desenho de luz: Carlos Ramos
Técnico / assistência de luz: José Pedro Sousa
Produção: Cláudia Teixeira
Assistentes de produção: Armando Valente, Igor de Brito
Co-produção: Teatro do Vestido e Artemrede
Apoio: Anacleto António Herdeiros, Casa da Moagem, Citemor – Festival de Montemor-o-Velho, Fotoval

Duração: 2h aprox.
M/12
Custo dos bilhetes: 5€

 

RESERVAS
Cineteatro João Mota: 212 234 034 // cineteatro@cm-sesimbra.pt
Quarta a Domingo, das 16h às 20h

Para fazer a sua reserva, indique, por favor, o seu nome, o seu contacto telefónico e o número de bilhetes a reservar. Os bilhetes reservados deverão ser levantados nos locais indicados até 48h após a reserva.

 

COMO CHEGAR
Cineteatro João Mota
Rua João da Luz, nº 5
2970-762 Sesimbra

DE CARRO
Pela Ponte 25 de Abril: siga em direcção à A2 Setúbal até ao nó do Fogueteiro e, de seguida, pela EN 378. Desça a serra até chegar ao centro da vila. Siga sempre em frente até ao Cineteatro João Mota.

DE AUTOCARRO
Durante o dia pode viajar de autocarro para Sesimbra com partida na Praça de Espanha. Consulte os horários no site dos Transportes Sul do Tejo.

TÁXIS
Zimbratáxis
212 232 035

PARA DORMIR
Hotel Sana Sesimbra // 212 289 000

A Bela Piscosa // 210 897 821

 

Co-produção:

ARTEMREDE_2014_juntos

Apoio à produção:

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O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes Print_OG_SEC_4C_H_FCdgartes_logo

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Labor #2

Por motivos de força maior o projecto Labor#2 sofreu uma interrupção nos Municípios da Moita e de Oeiras. Retoma no Município de Sesimbra nos dias 5 e 6 de Junho e terá a sua conclusão nos municípios de Abrantes e Santarém em Dezembro de 2015
Obrigada pela compreensão!

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes 

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LABOR #2

Labor#2_Teatro do Vestido_©João Tuna_001 ©João Tuna

LABOR #2 | 29 e 30 de Abril | 21h30 | Espaço Memória, Barreiro

Labor #2 faz parte de um projecto teatral do Teatro do Vestido em várias partes sobre a história, função e contradições do trabalho. O trabalho “edifica,” “liberta,” “confere dignidade,” “identidade” – dizem-nos, e desde cedo começámos a pensar no que ‘queríamos ser’, ou ‘aquilo em que queríamos trabalhar.’ A sociedade moderna, como a conhecemos, organizou-se e organiza-se em função do trabalho. Mas mudanças subtis tomaram conta da realidade desta sociedade moderna na qual crescemos, e têm vindo a operar uma transformação no lugar central que o trabalho ocupava até agora. O desemprego galopante – e por vezes escondido por estatísticas enganadoras que contabilizam trabalho precário e estágios profissionais como se de emprego real se tratasse – o esvaziamento dos sindicatos, as questões da contratação colectiva, os polémicos acordos da concertação social, as sucessivas greves – tudo isto nos levou a sair da sala de ensaio para as ruas de algumas cidades a ver o que resta, então, do trabalho – e que lugar é que este ocupa ainda hoje na nossa sociedade. Em Labor #2, investigamos realidades laborais particulares dos concelhos do Barreiro, Moita, Sesimbra, Oeiras, Abrantes e Santarém. Movemo-nos no meio das pessoas, das suas histórias de vida, por entre as ruínas de fábricas, salinas, barcos, e as memórias da resistência anti-fascista e de um tempo – o da revolução – em que tudo estava por inventar. Construímos assim uma espécie de teatro documental, o tipo de teatro capaz de expor a realidade nas suas múltiplas facetas, deixando ao espectador a reflexão possível a realizar. O Teatro do Vestido prossegue com este projecto a sua tentativa de compreensão do presente através de uma convocação da história de Portugal, nomeadamente, fragmentos de uma história que considera ‘invisível’ e esquecida. Labor #1 estreou em Julho de 2013 no Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa.

Direcção e texto: Joana Craveiro
Interpretação: Ainhoa Vidal, Estêvão Antunes, Gustavo Vicente, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Assistente de encenação: Sabine Delgado
Figurinos: Ainhoa Vidal
Direcção técnica: Carlos Ramos
Técnico: José Pedro Sousa
Produção: Cláudia Teixeira
Assistência no terreno: Igor de Brito
Co-produção: Teatro do Vestido e Artemrede
Apoio: Alkantara, Citemor – Festival de Montemor-o-Velho, Dupla Cena e Espaço L – Estação do Lavradio

Duração: 2h30 aprox.
M/12
Custo dos bilhetes: 5€

 

RESERVAS
Auditório Municipal Augusto Cabrita: 212 068 230
Avenida Escola de Fuzileiros Navais (Parque da Cidade)
2830-150 Barreiro
Terça a Domingo, das 14h às 20h

Posto de Turismo do Barreiro: 212 068 287
Mercado Municipal 1º de Maio
Avenida Alfredo da Silva
2830-302 Barreiro
Terça a Domingo, das 9h30 às 13h e das 14h30 às 18h

Os bilhetes reservados deverão ser levantados nos locais indicados até 48h após a reserva.

 

COMO CHEGAR
Espaço Memória
Rua Industrial Alfredo da Silva
Parque Baía do Tejo, rua 17
2831-904 Barreiro

Espaço Memória_ mapa

TÁXIS
Central de Táxis do Barreiro
212 156 008 | 212 157 386 | 914 214 542 | 935 064 113

DE CARRO
Pela Ponte 25 de Abril: siga em direcção à A2 Setúbal; ao km 7,5 saia para o IC1, em direcção a Moita/Montijo/Barreiro. Passe pela portagem em Coina e siga pela esquerda em direcção ao Barreiro. Mantenha-se no IC21; passe uma rotunda e continue em frente até ver uma bomba da GALP do lado esquerdo e um Pingo Doce em frente. Vire à esquerda para o Parque Baía do Tejo. Na rotunda do Mausoléu Alfredo da Silva vire na 3ª à esquerda. Siga em frente e siga as setas para Espaço Memória.

DE BARCO
Os barcos para o Barreiro partem da estação da Transtejo, no Terreiro do Paço. Pode consultar os horários de ida e de volta no site da Transtejo.

DE COMBOIO
Pode viajar de comboio para o Barreiro com partida em Lisboa-Oriente, Entrecampos ou Sete Rios. Consulte os horários no site da CP.

 

LABOR #2
Barreiro | 29 e 30 de Abril
Moita | 15 e 16 de Maio
Oeiras | 29 e 30 de Maio
Sesimbra | 5 e 6 de Junho
Santarém | 11 e 12 de Dezembro
Abrantes | 18 e 19 de Dezembro

 

Co-produção:

ARTEMREDE_2014_juntos

Apoio à produção:

Alkantara_logo  Logo_Citemor_vermelho    dupla cena   Espaço L

 

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes Print_OG_SEC_4C_H_FCdgartes_logo

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UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Teatro do Vestido_©Susana Paiva_004“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração actual.”

Walter Benjamin

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os activistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.

O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

Depois da ante-estreia, em Agosto, no Citemor Festival de Montemor-o-Velho, e da participação no Y#11, Festival de artes performativas organizado pela Quarta Parede, temos o prazer de anunciar a estreia absoluta no Negócio/ZDB:

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Teatro do Vestido_©Susana Paiva_007

Este projecto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica, política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado.

Paula Godinho descrevia assim em 2011, o que ela considera ser um fenómeno desde o final dos anos 80, “que passa pela desqualificação dos momentos revolucionários, pela sua avaliação com ressalvas ou pelo completo
banimento, e, concomitantemente, por uma desvalorização do carácter repressivo do Estado Novo,
por imposição de uma agenda política mais generalizada.” e acrescenta: “…falar e escrever acerca de revoluções e revolucionários não está na  moda (…)”

(Paula Godinho, introdução a Aurora Rodrigues, Gente Comum – Uma História na PIDE, Castro Verde: 100 Luz, 2011)

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Investigação, texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Colaboração Criativa e Assistência: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Figurinos: Ainhoa Vidal
Desenho de luz: João Cachulo
Produção: Cláudia Teixeira
Assistentes de Produção: Ana Santos e Sabine Delgado

Apoio: Citemor, Festival de Montemor-o-Velho

PRODUÇÃO DO TEATRO DO VESTIDO EM CO-PRODUÇÃO COM A ZDB
NEGÓCIO
Programação: Marta Furtado | Comunicação: Daniela Ribeiro | Imagem: Sílvia Prudêncio | Direcção Técnica: Diogo Fidalgo | Acolhimento: Carlos Alves | Manutenção: Emília Pereira
Rua de O Século nº9 porta 5, Lisboa
Entrada:
12 €, com ceia incluída
Entrada estudantes em grupo (10px ou +):
10€
Reservas:
reservas@zedosbois.org | Tel 213430205
www.zedosbois.org
Duração:
4h30m – com ceia incluída.
A ZDB  e o TdV são estruturas financiadas pelo Governo de Portugal / Secretaria de Estado da Cultura / DGArtes.  A ZDB tem o apoio da C.M.L. O Instituto Financeiro da Segurança Social apoia a ZDB.

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Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram | em Lisboa

12 e 13 de Setembro de 2014, às 21h*
Na Escola Superior de Dança, Lisboa
(Espectáculo integrado no Festival Todos)

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I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi apresentado pela primeira vez em Janeiro de 2014 no Solar do Dão, em Viseu.
Agora na Escola Superior de Dança, e integrado no Festival Todos, revisitamos estes testemunhos, estas pessoas e fragmentos das suas histórias. sentimos que a missão primordial do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’.

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Inês Rosado, Isabelle Coelho, Joana Craveiro
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Sabine Delgado
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

*Entrada livre.
Não se efectuam reservas de bilhetes.
O espectador deverá comparecer junto da Escola Superior de Dança – Rua academia das Ciências, nº5, 1200-003 Lisboa – a partir das 20h do dia do espectáculo, para adquirir o seu bilhete (sujeito à lotação da sala).

Este espectáculo tem o apoio de:
   logo-buildmybike  logo-topo

Escola Superior de Dança; Regimento de Transportes / Exército Português.

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Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas

foto newsletterSobre a ditadura portuguesa, a revolução e o processo revolucionário

Este projecto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica,  política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado.

O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração actual”.
Walter Benjamin

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os activistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.

IMG_3206O formato que apresentámos no CITEMOR, foi uma estreia absoluta, concebida para o festival, que acreditamos ser um espaço de resistência cultural para cuja continuação queremos contribuir.

A  selecção desses materiais incluiu as palestras performativas: “Actos de Resistência”, “Arquivos Invisíveis da Ditadura Portuguesa”, “Português Entrecortado” e “Quando é que a Revolução Acabou?”.

Esses fragmentos fazem parte de um projecto mais amplo, que estreará em Novembro deste ano, no Negócio-ZDB, e ao qual chamámos:

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Investigação, texto, direcção e interpretação Joana Craveiro
Assistência Rosinda Costa
Colaboração criativa Tânia Guerreiro
Desenho de luz João Cachulo
Produção e assistência Rosário Faria
Apoio Assédio Teatro

 

O TdV é uma estrutura financiada por:

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QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

SÁBADO

                                                               7 de Junho às 16h

Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira


QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

uma palestra performativa do
Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas 

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projecto de investigação e performance de
JOANA CRAVEIRO e do Teatro do Vestido

Em “Quando é que a revolução acabou?” são questionadas, investigadas e apresentadas de forma performática, narrativas conflituantes acerca do fim da revolução e a forma como essas narrativas são transmitidas hoje. A nossa pergunta de partida levou-nos a enunciar outras como “De que revolução estamos realmente a falar?”, “É uma revolução ou são mais?”, e “O que é que as pessoas sentiram com o fim da revolução?” Usando testemunhos de protagonistas e participantes do processo revolucionário, materiais de arquivos privados e públicos, bem como recorrendo à história pessoal de Joana Craveiro, esta palestra performativa aborda algumas formas inter-geracionais de transmissão desta memória, bem como as perplexidades ante as muitas lacunas e ausências no entretecer da história oficial. 



Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Rua Alves Redol 45,
2600 Vila Franca de Xira
263 285 626


Performance apresentada no âmbito da Exposição Além da Ucronia - 

Histórias Não Vividas do 25 de Abril,

com curadoria de Marta Leite, João Baía e Catarina Laranjeiro

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Até comprava o teu amor (mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

“Só as casas explicam que exista/ uma palavra como intimidade.”

Foram estes os versos de Ruy Belo que iluminaram o desígnio da última criação do

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Até comprava o teu amor

(mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

Um espectáculo do Teatro do Vestido acerca das possibilidades e impossibilidades do amor num clima de falta geral de tudo o resto.

6 actores. 1 casa na cidade. Confissões, lugares, histórias e algumas perguntas.

Um texto original de Joana Craveiro, escrito para/com estes actores e para este espaço.

Uma viagem empreendida por cada espectador dentro de uma casa (dentro de si?..), expostos à frágil e comovente exposição destas seis pessoas.

 Com este espectáculo o Teatro do Vestido retoma uma relação com a cidade do Porto iniciada com Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, co-produção de 2012 com o TNSJ. Sete actores estrategicamente colocados em diversas esquinas em torno do Mosteiro São Bento da Vitória, conduziam o espectador numa viagem poética por memórias reais e ficcionadas da cidade do Porto e dos habitantes daquele bairro.

©TUNA_TNSJ-CIDADEdos-5083

©TUNA_TNSJ-CIDADEdos-5838Depois do enorme êxito e empatia que se gerou com o público portuense, o Teatro do Vestido regressa agora para dentro de portas – uma casa no meio da cidade – para falar de histórias íntimas – da cidade também, mas sobretudo das pessoas que a habitam. O amor como pano de fundo para uma viagem do espectador através de sete monólogos – um por quarto – escritos por Joana Craveiro a partir de uma pesquisa em torno da cidade do Porto, da casa onde o espectáculo se realiza, e as vidas dos próprios actores do projecto.


É um espectáculo sobre o amor  - 

 as muitas histórias tristes e as outras com finais felizes – e, sobretudo, questiona-se se no clima geral de falta de tantas outras coisas (supostamente mais essenciais) há ainda lugar para um espectáculo sobre o amor. E responde a essa pergunta através do acto (talvez subversivo) da própria construção deste espectáculo.

É ainda uma colaboração do Teatro do Vestido com três artistas da cidade do Porto: Victor Hugo Pontes, Daniel Pinto e Miguel Bonneville, intérpretes e co-criadores do projecto.

Ficha técnica

Texto e direcção: Joana Craveiro

Co-criação e interpretação: Daniel Pinto, João Paulo Serafim, Miguel Bonneville, Rosinda Costa, Simon Frankel, Tânia Guerreiro, Victor Hugo Pontes

Movimento e Figurinos: Ainhoa Vidal

Imagem: João Paulo Serafim

Desenho de Luz: João Cachulo

Produção Executiva: Rosário Faria

Assistência: Sara Barros Leitão

Participação Especial: Maria Leonor

Contra-regra: Diana Raimundo, Diogo Limas, Flávio Miller, Maria Leonor, Sofia Lopes (alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo) e Bruno Relvas

Coprodução Teatro do Vestido, TNSJ
Colaboração Câmara Municipal do Porto

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada por Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes


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Em criação: RETORNOS, EXÍLIOS E ALGUNS QUE FICARAM Estreia dia 31, às 21:30h, no Teatro Viriato


©Rosinda Costa

I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do IARN entre 1975 e 1991 naquela região. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na região de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica. Sentimos que uma das missões primordiais do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’ que nos serve de título ao biénio 2012-14. Paralelamente, o Teatro do Vestido produz assim mais um texto dramático original, escrito por Joana Craveiro, e prossegue a relação privilegiada com o Teatro Viriato enquanto espaço especial de criação – e com a cidade de Viseu – que foi iniciada em 2013 com a criação Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela.

Estreia: 31 de Janeiro, no Solar do Dão, em Viseu, às 21:30
Espectáculos: 1 e 2 de Fevereiro às 21:30

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro, Rosinda Costa
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Maria Aguiar
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

Informações e reservas: 232480110 – Teatro Viriato | Bilheteira – de 2ª à 6ª das 13h às 19h | Teatro Viriato

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