Teatro do Vestido viaja até à Galiza, dias 14 e 15 Fevereiro

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Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas | Viseu 7 e 8 Fevereiro

 

 

Foto (c) Estelle Valente

Foto (c) Estelle Valente

Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas

Teatro Viriato – Viseu
7 Fevereiro 19h00 | 8 Fevereiro 17h30
Duração 330min (inclui jantar).
No final do espectáculo haverá debate com o público
Bilhetes disponíveis em: www.bol.pt e na bilheteira do Teatro Viriato
*Lotação limitada

Museu Vivo em Viseu

Joana Craveiro é artista residente do Teatro Viriato
O Teatro do Vestido é apoiado por República Portuguesa – Cultura | Direcção-Geral das Artes

 

 

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Começa hoje a nossa viagem poética

Viagem a Portugal

ou como saber quando a viagem acaba

Sabemos como estas coisas se passam. Metemos o carro ao caminho sem destino e depois é isto. Às terras sucedem-se as terras, às estradas as estradas, e às paragens as paragens. Não há como saber até onde.

Desde há anos a esta parte a trabalhar em regime intensivo sobre memórias de pessoas, histórias de vida, memórias de trabalho, de terras, de lugares, demos por nós com o carro cheio.

Não cabia mais nada, mas – por onde começar?

O projecto viagem a Portugal iniciou-se oficialmente em Janeiro passado, com a colaboração com as Comédias do Minho – chamámos-lhe Paragem Minho. Foi toda uma viagem. Depois chegámos ao Centro, que andávamos a rondar e a percorrer desde o ano passado. Foi em colaboração com o Festival Materiais Diversos, em Alcanena, em Setembro. E, agora, Viseu. Uma paragem singular que marca o fim da viagem sem fim. E durante todo o tempo, aquela música. Aquela.

Porque a paragem final de um projecto é sempre o culminar de alguma coisa que se andou a escavar, bem-vindos à nossa dramaturgia em camadas, à nossa poesia, às nossas homenagens – a José Saramago, a Sophia de Mello Breyner, a José Mário Branco, que nos morreu tão de repente; às pessoas que nos contaram as suas histórias, às pessoas-protagonistas de todas as histórias que nos constituem e que nos trazem até aqui. Bem-vindos à nossa confusão, à nossa interpretação, à nossa leitura das coisas; bem-vindos às nossas dúvidas, às nossas ausências, ao que nos falta saber, ao que não nos foi explicado e que tivemos que tentar perceber de uma maneira muito nossa. Na margem, de certa maneira, a olhar o centro das coisas e a pensar – e como é que se fala disto tudo? E o que é isto de um país? Aprendemos com os outros, os Antes de Nós, o preço e o valor de certas Coisas, que não são na verdade Coisas mas Valores, Princípios e Direitos. Fazer perguntas na volta das respostas, eternamente perguntar porquê, explica-me, como assim?, outra vez. Olha outra vez quando não vês esperança. Procura outra vez quando te dizem que já não dá. Vai lá outra vez quando te falam em muros e em portas e em como é difícil, mania de usar essa palavra como se não houvesse outra. Difícil. Pois.

Teatro do Vestido, 18 anos de idade, a braços com uma ideia de Portugal e abrindo-a ao mundo, que o nosso problema (como país) foi por vezes estarmos abertos ao mundo no sítio errado e sem nos abrirmos de facto – fosse por medo, complexos, ou simplesmente porque acreditávamos que era mais seguro sozinhos – ou porque não sabíamos como fazer.

Partimos para esta última paragem a saber que o que tínhamos feito nas paragens anteriores era irrepetível. Esta é, por isso, uma estreia mesmo. E que alegria que o seja aqui, no Teatro Viriato, a que chamamos Casa; com esta equipa, a que chamamos Família.

Esta viagem não foi pensada como manifesto, mas como pergunta.

Joana Craveiro

(já sabem que isto foi escrito naquela velha ortografia)
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