2022_10_19-21_Naquele dia_FB (1)Naquele dia, não passou na televisão

Este espectáculo evoca a memória e a história do estudante António José Ribeiro Santos, assassinado por um agente infiltrado da polícia política portuguesa (PIDE), numa reunião no ISCEF (Instituto de Ciências Económicas e Financeiras, hoje ISEG), em Lisboa.

O assassinato não passou na televisão, e o regime chamar-lhe-ia um acidente.

O que temos hoje, para além dos testemunhos dos que estiveram junto a Ribeiro Santos naquele momento, e os que participaram no seu funeral, é um conjunto de panfletos a apelar à luta conjunta dos estudantes e associações. “Abaixo o Terror Fascista”, lia-se num desses panfletos, que descobrimos numa caixa cheia de memórias, em 2011.

Este espectáculo é sobre isso e, mais, é sobre como os estudantes estavam a unir-se naquela fase final do regime de Marcello Caetano, para o detonar por dentro e contra uma guerra na qual não queriam lutar. Porque não era a guerra deles.

Em torno da morte de Ribeiro Santos, a resistência estudantil cerrou fileiras, e este jovem de 26 anos tornou-se num símbolo da luta contra o aspecto mais repressivo de um regime que durava há demasiado tempo.

Escrevia Ribeiro Santos numa carta a um amigo, em Julho de 1972, “Porém, todas as notícias que eu gostaria de te fornecer condensam-se numa só, que se pode sintetizar em poucas palavras: cresce rapidamente o descontentamento popular, e, com ele, a repressão”.

Alguém sublinhou a parte: “cresce rapidamente o descontentamento popular.”

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Naquele dia, não passou na televisão, uma co-produção com o Museu do Aljube Resistência e liberdade e com o Teatro das Figuras, inscreve-se nas iniciativas que assinalam os 50 anos da morte de Ribeiro Santos. No ano em que se iniciam as comemorações do 50º aniversário do 25 de Abril, esta é a evocação de um dos acontecimentos mais marcantes na história da resistência e luta contra o sistema repressivo mantido pelo regime português que, na sua fase final, como nas anteriores, teve pouco de Primavera.

Naquele dia, não passou na televisãoestreia no Museu do Aljube, com apresentações nos dias 19, 20 e 21 de Outubro às 19h00 (+ info: inscricoes@museudoaljube.pt) e entre 26 e 29 de Outubro, estará em cena no Palácio da Quinta Alegre, na freguesia de Santa Clara, com sessões para escolas às 15h e às 19h para público geral.

Ficha tecnica_Naquele dia

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Teatro do Vestido na abertura do Festival Mirada – Brasil

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Um espectáculo profundamente poético e metafórico, escrito e dirigido por Joana Craveiro, e que pede emprestado a José Saramago e a Sophia de Mello Breyner as ideias de viagem, de perda e de pergunta para onde se vai (e de onde se vem).

Parte de um amplo projecto de investigação sobre Portugal, no contexto do trabalho artístico do Teatro do Vestido, alicerçado sobre metodologias da etnografia e da história oral, é com um enorme regozijo que comunicamos que Viagem a Portugal será o espectáculo de abertura da edição de 2022 do Festival Mirada – Festival Ibero Americano de Artes Cênicas, em Santos, no Brasil, este ano homenageando Portugal (programa completo disponível aqui).

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Em 2019, a propósito deste espectáculo, descrevia Gonçalo Frota, no Público:
Viagem a Portugal comec?a com os actores a calc?arem umas luvas como quem se prepara para realizar uma auto?psia, dispondo depois em cima de uma mesa um saco que se diria conter um corpo. Do seu interior, no entanto, saem pec?as de lego – que na?o demoraremos a ver percorrer estradas, serem colocadas em cena?rios de lagos ou barragens, aparecerem como figurantes na construc?a?o de um pai?s. Afinal, o corpo imagina?rio, na?o custa a projectar, e? Portugal. E e? encaixando va?rias pec?as, de pla?stico ou na?o, que se esboc?a a construc?a?o de um qualquer projecto colectivo.” (Texto completo disponível aqui)

Com uma curta vida, travada por uma pandemia que ninguém esperava, e depois da apresentação no Festival de Teatro de Almada, em 2021, este delicado projecto pode ser revisitado na abertura do significativo de Festival Mirada, em Santos. É um espectáculo onde, sob forma de conto, narramos um conjunto de perguntas, acompanhadas de imagens e de referências sobre este “pequeno país na esquina de um continente velho” (do texto Viagem a Portugal, de Joana Craveiro).

Na crónica que escreveu depois de ter visto o espectáculo no Festival de Teatro de Almada, em 2021, Joaquim Paulo Nogueira confessava-se “perfeitamente deliciado”, descrevendo este projecto como “inabitual”, numa companhia que é em si inabitual. (Texto completo disponível aqui)

Para o Teatro do Vestido, colectivo constituído há 21 anos, cada nova criação é uma aventura e uma viagem onde, a par de uma linguagem cénica e de uma marca temática e processual reconhecíveis, a experimentação e a descoberta não deixam de nos apaixonar e de nos motivar artisticamente a trilhar – com e sem medo, depende dos dias e dos projectos – novos caminhos.
Neste sentido, é nossa convicção de que esta última paragem da nossa Viagem a Portugal constitui um momento ímpar no nosso percurso artístico, e que poder apresentá-la no contexto deste importante festival, no Ano do Bicentenário da Independência do Brasil, é marcante, até para a própria ressignificação do espectáculo neste contexto.

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Elas também estiveram lá | Exibições em Cabo Verde e Viseu

Elas também estiveram lá
um filme realizado por Joana Craveiro
uma produção Teatro do Vestido
Portugal, Doc. 2021, 105′

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Elas também estiveram lá, o filme de estreia de Joana Craveiro na realização, continua em digressão com exibições durante o mês de Maio, em Cabo Verde e em Viseu.

Estreado em Novembro de 2021, o filme foi galardoado com o Prémio Especial do Júri do Festival Olhares do Mediterrâneo “pela imensa criatividade, mistura de formatos, do teatro à reportagem, filme de arquivo e linha pedagógica e uma rara erudição de Cinema, a fazer evocar as Histoires du Cinéma de Godard, bem como a explícita citação de filmes portugueses. Mostra trabalho, ideias de cinema, inteligência e humor.”

Um documentário poético sobre a invisibilidade das mulheres em acontecimentos históricos, como a ditadura portuguesa de 1926-1974, ou o processo revolucionário de 1974-75. Combinando histórias de vida, fotografias e documentos originais, o filme reencena essas vidas invisíveis e culmina com uma cena filmada numa pequena sala de cinema, que se acredita ter sido usada pelos censores durante a ditadura portuguesa

 

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Tailer disponível aqui

Elas também estiveram lá, originalmente um espectáculo de teatro estreado em 2018, foi nomeado pela SPA para melhor Texto Português Representado, em 2019.

MaioDoc
Centro Cultural Português – Mindelo (Cabo Verde)
23 Maio | 19h00 | Sala José Afonso
+info aqui

Carmo’81
Rua do Carmo 81 – Viseu
27 Maio | 21h30 | Carmo’81
+info aqui

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