Retornos, Exílios e Alguns que Ficaram | em Lisboa

12 e 13 de Setembro de 2014, às 21h*
Na Escola Superior de Dança, Lisboa
(Espectáculo integrado no Festival Todos)

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I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi apresentado pela primeira vez em Janeiro de 2014 no Solar do Dão, em Viseu.
Agora na Escola Superior de Dança, e integrado no Festival Todos, revisitamos estes testemunhos, estas pessoas e fragmentos das suas histórias. sentimos que a missão primordial do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’.

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Inês Rosado, Isabelle Coelho, Joana Craveiro
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Sabine Delgado
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

*Entrada livre.
Não se efectuam reservas de bilhetes.
O espectador deverá comparecer junto da Escola Superior de Dança – Rua academia das Ciências, nº5, 1200-003 Lisboa – a partir das 20h do dia do espectáculo, para adquirir o seu bilhete (sujeito à lotação da sala).

Este espectáculo tem o apoio de:
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Escola Superior de Dança; Regimento de Transportes / Exército Português.

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Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas

foto newsletterSobre a ditadura portuguesa, a revolução e o processo revolucionário

Este projecto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica,  política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado.

O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração actual”.
Walter Benjamin

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os activistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.

IMG_3206O formato que apresentámos no CITEMOR, foi uma estreia absoluta, concebida para o festival, que acreditamos ser um espaço de resistência cultural para cuja continuação queremos contribuir.

A  selecção desses materiais incluiu as palestras performativas: “Actos de Resistência”, “Arquivos Invisíveis da Ditadura Portuguesa”, “Português Entrecortado” e “Quando é que a Revolução Acabou?”.

Esses fragmentos fazem parte de um projecto mais amplo, que estreará em Novembro deste ano, no Negócio-ZDB, e ao qual chamámos:

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Investigação, texto, direcção e interpretação Joana Craveiro
Assistência Rosinda Costa
Colaboração criativa Tânia Guerreiro
Desenho de luz João Cachulo
Produção e assistência Rosário Faria
Apoio Assédio Teatro

 

O TdV é uma estrutura financiada por:

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QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

SÁBADO

                                                               7 de Junho às 16h

Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira


QUANDO É QUE A REVOLUÇÃO ACABOU?

uma palestra performativa do
Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas 

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projecto de investigação e performance de
JOANA CRAVEIRO e do Teatro do Vestido

Em “Quando é que a revolução acabou?” são questionadas, investigadas e apresentadas de forma performática, narrativas conflituantes acerca do fim da revolução e a forma como essas narrativas são transmitidas hoje. A nossa pergunta de partida levou-nos a enunciar outras como “De que revolução estamos realmente a falar?”, “É uma revolução ou são mais?”, e “O que é que as pessoas sentiram com o fim da revolução?” Usando testemunhos de protagonistas e participantes do processo revolucionário, materiais de arquivos privados e públicos, bem como recorrendo à história pessoal de Joana Craveiro, esta palestra performativa aborda algumas formas inter-geracionais de transmissão desta memória, bem como as perplexidades ante as muitas lacunas e ausências no entretecer da história oficial. 



Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Rua Alves Redol 45,
2600 Vila Franca de Xira
263 285 626


Performance apresentada no âmbito da Exposição Além da Ucronia - 

Histórias Não Vividas do 25 de Abril,

com curadoria de Marta Leite, João Baía e Catarina Laranjeiro

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Até comprava o teu amor (mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

“Só as casas explicam que exista/ uma palavra como intimidade.”

Foram estes os versos de Ruy Belo que iluminaram o desígnio da última criação do

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Até comprava o teu amor

(mas não sei em que moeda se faz esta transacção)

Um espectáculo do Teatro do Vestido acerca das possibilidades e impossibilidades do amor num clima de falta geral de tudo o resto.

6 actores. 1 casa na cidade. Confissões, lugares, histórias e algumas perguntas.

Um texto original de Joana Craveiro, escrito para/com estes actores e para este espaço.

Uma viagem empreendida por cada espectador dentro de uma casa (dentro de si?..), expostos à frágil e comovente exposição destas seis pessoas.

 Com este espectáculo o Teatro do Vestido retoma uma relação com a cidade do Porto iniciada com Esta é a minha cidade e eu quero viver nela, co-produção de 2012 com o TNSJ. Sete actores estrategicamente colocados em diversas esquinas em torno do Mosteiro São Bento da Vitória, conduziam o espectador numa viagem poética por memórias reais e ficcionadas da cidade do Porto e dos habitantes daquele bairro.

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©TUNA_TNSJ-CIDADEdos-5838Depois do enorme êxito e empatia que se gerou com o público portuense, o Teatro do Vestido regressa agora para dentro de portas – uma casa no meio da cidade – para falar de histórias íntimas – da cidade também, mas sobretudo das pessoas que a habitam. O amor como pano de fundo para uma viagem do espectador através de sete monólogos – um por quarto – escritos por Joana Craveiro a partir de uma pesquisa em torno da cidade do Porto, da casa onde o espectáculo se realiza, e as vidas dos próprios actores do projecto.


É um espectáculo sobre o amor  - 

 as muitas histórias tristes e as outras com finais felizes – e, sobretudo, questiona-se se no clima geral de falta de tantas outras coisas (supostamente mais essenciais) há ainda lugar para um espectáculo sobre o amor. E responde a essa pergunta através do acto (talvez subversivo) da própria construção deste espectáculo.

É ainda uma colaboração do Teatro do Vestido com três artistas da cidade do Porto: Victor Hugo Pontes, Daniel Pinto e Miguel Bonneville, intérpretes e co-criadores do projecto.

Ficha técnica

Texto e direcção: Joana Craveiro

Co-criação e interpretação: Daniel Pinto, João Paulo Serafim, Miguel Bonneville, Rosinda Costa, Simon Frankel, Tânia Guerreiro, Victor Hugo Pontes

Movimento e Figurinos: Ainhoa Vidal

Imagem: João Paulo Serafim

Desenho de Luz: João Cachulo

Produção Executiva: Rosário Faria

Assistência: Sara Barros Leitão

Participação Especial: Maria Leonor

Contra-regra: Diana Raimundo, Diogo Limas, Flávio Miller, Maria Leonor, Sofia Lopes (alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo) e Bruno Relvas

Coprodução Teatro do Vestido, TNSJ
Colaboração Câmara Municipal do Porto

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada por Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes


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Em criação: RETORNOS, EXÍLIOS E ALGUNS QUE FICARAM Estreia dia 31, às 21:30h, no Teatro Viriato


©Rosinda Costa

I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado. Chegados à ‘metrópole’, enfrentaram toda a forma de desafios e provações destinadas aos que começam do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os “retornados”, os que “vinham ocupar os lugares dos que já cá estavam antes”, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na mão com que estas pessoas foram representadas no imaginário dos que habitavam a metrópole. Desta história complexa e contraditória localizada no contexto de um também complexo e contraditório processo revolucionário, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da história de Portugal desse período. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e também por acreditarmos numa história construída a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes – ou seja das pessoas – e talvez, mais fundamentalmente, por não sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos à procura dessas pessoas e das suas história e com elas construímos este espectáculo – que é uma viagem por vidas, por traumas, por livros de história, por pequenas e grandes memórias, e pelas nossas próprias perplexidades ante tudo isto.

“No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…”
(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)

II.

Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do IARN entre 1975 e 1991 naquela região. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na região de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica. Sentimos que uma das missões primordiais do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos. Os processos históricos traumáticos da Guerra Colonial, da Colonização e Descolonização são parte integrante desta tentativa de entendimento deste ‘País Possível’ que nos serve de título ao biénio 2012-14. Paralelamente, o Teatro do Vestido produz assim mais um texto dramático original, escrito por Joana Craveiro, e prossegue a relação privilegiada com o Teatro Viriato enquanto espaço especial de criação – e com a cidade de Viseu – que foi iniciada em 2013 com a criação Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela.

Estreia: 31 de Janeiro, no Solar do Dão, em Viseu, às 21:30
Espectáculos: 1 e 2 de Fevereiro às 21:30

Direcção, Texto, Espaço Cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro, Rosinda Costa
Iluminação: Cristóvão Cunha
Assistência: Maria Aguiar
Produção: Rosário Faria
Co-produção: Teatro do Vestido/ Teatro Viriato

Informações e reservas: 232480110 – Teatro Viriato | Bilheteira – de 2ª à 6ª das 13h às 19h | Teatro Viriato

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A Importância de Ser António de Macedo | Miguel Bonneville | em residência no TdV


©Cláudia Varejão

‘A Importância de Ser António de Macedo’ é a primeira obra, de um conjunto de performances em série, baseada em vidas de artistas cuja importância tenha sido vital no meu percurso.

António de Macedo (Lisboa, 1931) é um cineasta português. Foi um dos realizadores mais activos do Novo Cinema, que explorou as técnicas do cinema directo. É autor de filmes de longa-metragem, de curta-metragem e de séries de televisão. Macedo é mais conhecido como realizador, actividade que abandonou em 1996, por se sentir marginalizado. Depois disso, dedicou-se inteiramente à escrita.

Atravessando quatro décadas, António de Macedo, presenteia-nos com uma obra experimental de indubitável originalidade, cuja importância se evidencia agora, depois da retrospectiva na Cinemateca Portuguesa, vinte anos após a estreia da sua última longa metragem. Assim, não só este espectáculo se presta a uma simples homenagem, mas presta-se sobretudo a ajudar que se escreva no nosso mapa a história da arte contemporânea em Portugal.

‘A Importância de Ser António de Macedo’ deve-se principalmente ao impacto que um artista de 82 anos, lentamente esquecido, provocou em mim,trespassando lancinantemente os 50 anos que nos separam.

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Em acolhimento no TdV entre 28 de Outubro e 10 de Novembro

ESTREIA a 21 de Dezembro, na sala de ensaio do CCB, Lisboa
Mais info. em: http://www.ccb.pt ou http://www.tempsdimages-portugal.com/2013/

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Laboratório de performance | Miguel Bonneville | no TdV

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Plataforma 285 no TdV | Champs-Elysées: projecto de um arquivo morto

Champs-Elysées: projecto de um arquivo morto

13 e 14 de Setembro às 21:30h
no espaço Teatro do Vestido, Cais do Sodré

Podia começar assim: Dia zero, embarcamos amanhã, todos os quatro, nesta viagem, rumo a Champs-Elysées. O caminho é longo, milhas por palmilhar. O trajecto é incerto. A turbulência é guiada pela incerteza da rota e pela certeza do nosso propósito. Aguardamos novas entradas no nosso diário de bordo.
Dia 5: Perdidos na imensidão de encontros, caminhamos, todos os quatro. A incerteza continua longínqua, mas mesmo assim, caminhamos.
Dia 90: Se ontem estavamos mais perto, hoje afastamo-nos a cada passada. O caminho tem tantas curvas como estrelinhas. Mas, caro diário, daqui mesmo já se avista Champs-Elysées.

Podia começar assim. Em forma de diário. Talvez assim estivessemos mais perto.
Esta é uma apresentação intercalar e informal sobre o processo de criação do espectáculo Leilão. Construída a partir do material que não entrará no espectáculo (a não ser como referência, como evocação de experiências, referências, lugares, imagens, universos) será uma porta-aberta para o público, uma forma de mostrar um lado tão essencial para os projectos criativos, o processo de trabalho.

Champs-Elysée não é um lugar. É um País em Ruínas.
Champs-Elysée não é um espectáculo. É uma visita a um espaço morto.
Champs-Elysée não é a meta. Mas lá chegaremos.

Direção Artística Raimundo Cosme
Concepção e interpretação Cecília Henriques, Cláudio Teixeira, Isabelle Coelho e Raimundo Cosme 
Apoio à criação Rita Chantre

Projecto financiado por:

ENTRADA LIVRE (com lotação reduzida).
Reservas através do telefone: 918388878 ou do e-mailgeral@teatrodovestido.org

Teatro do Vestido: Travessa do Corpo Santo, nº 29, 2º
1200-131 Lisboa (Cais do Sodré)

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Acolhimento TdV: No espaço de trabalho da companhia, que possibilita uma relação de grande intimidade com o público, bem como a inigualável envolvência do Cais do Sodré, os projectos que programámos reflectem em primeiro lugar uma tentativa de apoio a estruturas e criadores emergentes, que procurem também nos seus processos e metodologias o desenvolvimento de uma linha de criação de nova dramaturgia e trabalhem a partir de materiais e questões que se inscrevem numa linha contemporânea e de pesquisa. Procurámos também colaborar com e apoiar projectos de criadores com quem temos afinidades e cujo trabalho queremos facilitar, apoiar, possibilitar.
O espaço do TdV torna-se assim num espaço de partilha, colaboração, diálogo e divulgação de projectos que não só os da companhia.
“…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.”(John D. Caputo)
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Cartas Não São Ridículas São Só Notícias de Alguém | de Marta Pires e Raquel Leão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Teatro do Vestido acolhe:

Cartas Não São Ridículas São Só Notícias de Alguém

5 e 6 de Setembro às 21:30h
no Espaço Teatro do Vestido, no Cais do Sodré (Lisboa)

Cartas Não São Ridículas São Só Notícias de Alguém é o resultado de um projecto de pesquisa alargado iniciado no ano de 2012, através de uma performance no Espaço do Teatro do Vestido.

Entendemos por cartas todas aquelas que são escritas pelo punho, que são enviadas pelo correio, que têm selo, que demoram dias a percorrer um caminho, que falam de amor, de saudades, que dão notícias. Este projecto baseia-se na transformação dos materiais resultantes de uma pesquisa, num objecto performativo. Trata-se de uma criação experimental sobre o que nos escreveram, sobre as nossas respostas, sobre as nossas respostas a cartas que nunca chegaram, sobre histórias que nos contaram, sobre as nossas próprias histórias, sobre o aprender com quem nos quis ensinar, sobre o tempo ou a falta dele, sobre a procura, sobre a procura pelo dizer o que não tínhamos coragem, sobre a procura pelo lembrar do que ficou lá atrás, sobre a criação de várias personas que convergem num Eu que se expõe.

Uma zona cheia de possibilidades, de afirmações contraditórias, de respostas e ironias. Chegámos a um porto e sem nenhum egoísmo mostrar-nos-emos numa carta aberta a todos que a queiram l(v)er.

Criação e interpretação Marta Pires e Raquel Leão
Produção Jorge Ganhão
Assistência de Encenação e Design André Raposo

Entrada Livre (com lotação reduzida).
Reservas através do telefone: 91 838 88 78 ou do e-mail: geral@teatrodovestido.org

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Acolhimento TdV: No espaço de trabalho da companhia, que possibilita uma relação de grande intimidade com o público, bem como a inigualável envolvência do Cais do Sodré, os projectos que programámos reflectem em primeiro lugar uma tentativa de apoio a estruturas e criadores emergentes, que procurem também nos seus processos e metodologias o desenvolvimento de uma linha de criação de nova dramaturgia e trabalhem a partir de materiais e questões que se inscrevem numa linha contemporânea e de pesquisa. Procurámos também colaborar com e apoiar projectos de criadores com quem temos afinidades e cujo trabalho queremos facilitar, apoiar, possibilitar.
O espaço do TdV torna-se assim num espaço de partilha, colaboração, diálogo e divulgação de projectos que não só os da companhia.
“…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.” (John D. Caputo)

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CADÁVER ESQUISITO NÚMERO UM – talvez não haja mais nenhum | Isabelle Coelho

O Teatro do Vestido acolhe:

CADÁVER ESQUISITO NÚMERO UM – talvez não haja mais nenhum

30 e 31 de Agosto às 21:30h
no espaço Teatro do Vestido, Cais do Sodré

Ninguém me disse que isto tinha que ser uma peça de teatro. Não é. Está provavelmente mais próximo de um recital de poesia ou de um concerto manhoso e solitário. É uma montanha de fragmentos mais ou menos recuperados e interligados como um cadáver esquisito.

Criação Isabelle Coelho & Rosana Pereira

ENTRADA LIVRE (com lotação reduzida).
Reservas através do telefone: 918388878 ou do e-mailgeral@teatrodovestido.org

Teatro do Vestido: Travessa do Corpo Santo, nº 29, 2º
1200-131 Lisboa (Cais do Sodré)

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Acolhimento TdV: No espaço de trabalho da companhia, que possibilita uma relação de grande intimidade com o público, bem como a inigualável envolvência do Cais do Sodré, os projectos que programámos reflectem em primeiro lugar uma tentativa de apoio a estruturas e criadores emergentes, que procurem também nos seus processos e metodologias o desenvolvimento de uma linha de criação de nova dramaturgia e trabalhem a partir de materiais e questões que se inscrevem numa linha contemporânea e de pesquisa. Procurámos também colaborar com e apoiar projectos de criadores com quem temos afinidades e cujo trabalho queremos facilitar, apoiar, possibilitar.
O espaço do TdV torna-se assim num espaço de partilha, colaboração, diálogo e divulgação de projectos que não só os da companhia.

“…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.” (John D. Caputo)

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Labor #1 no CITEMOR, Montemor-o-Velho

|CITEMOR, Sala B, Montemor-o-Velho
|24 de Julho às 22h30


© Helena Colaço Salazar

Haverá uma conversa no final do espectáculo com a moderação de António Pedro Pita.

Reservas (Citemor):
telf: 916 688 601 (14:00/20:00)
e-mail: reservas@citemor.com

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Labor #1 estreia no Teatro Maria Matos

Labor #1

|Sexta-feira, 19 de Julho às 21:30h

|Palco da sala principal do Teatro Maria Matos, Lisboa

© Catarina Vasconcelos

Labor #1 faz parte de um projecto teatral em três partes sobre a história, função e contradições do trabalho. O trabalho “edifica,” “liberta,” “confere dignidade,” “identidade” – estas são expressões que nos são familiares, sendo que algumas moldaram o nosso percurso, em que desde cedo começámos a pensar no que ‘queríamos ser’, ou ‘aquilo em que queríamos trabalhar.’ A sociedade moderna, como a conhecemos, organizou-se e organiza-se em função do trabalho. Mas mudanças subtis tomaram conta da realidade desta sociedade moderna na qual crescemos, e têm vindo a operar uma transformação no lugar central que o trabalho ocupava até agora. As questões hoje em debate sobre a contratação colectiva, o esvaziamento da importância dos sindicatos, a preponderância das tecnologias sobre o trabalho manual humano, o desemprego galopante resultado também destes aspectos (e doutros que bem conhecemos) – tudo isto nos motiva a construir este espectáculo. António Guerreiro escreve “A tendência irreversível é para uma ordem social em que temos de um lado uma elite do trabalho, e do outro, uma massa crescente de trabalhadores pobres, de precários e intermitentes, de desempregados.”1

O Teatro do Vestido prossegue com este projecto a sua tentativa de compreensão do presente através de uma convocação da História de Portugal, nomeadamente, fragmentos de uma história que considera ‘invisível’ e esquecida.

Haverá uma conversa no final do espectáculo com a moderação da Prof.ª Irene Flunser Pimentel.

Texto, Direcção, Interpretação e Espaço Cénico Joana Craveiro 
Participação Especial Rosário Faria
Colaboração Criativa João Paulo Serafim, Rosinda Costa, Tânia Guerreiro 
Concepção e construção dos ‘Trabalhadores’ Pedro Silva
Iluminação Luís Gomes
Produção Rosário Faria
Consultoria Histórica Fernando Rosas, Irene Pimentel

Apoios Teatro Maria Matos, CITEMOR, Lugar Instável, Teatro do Frio, Pastelaria Rosa Doce

Entrada livre (sujeita à lotação da sala) mediante levantamento prévio de bilhete no próprio dia a partir das 15h00

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1 António Guerreiro, O Fim da Sociedade do Trabalho, Expresso, Revista Actual, ed. de 02 de Junho de 2012
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PAREDES DE VIDRO estreia dia 6 de Março na Sala de Ensaio do CCB

ESTREIA

PAREDES DE VIDRO

6 a 10 de Março | CCB – Sala de Ensaio
6, 7 e 8 Mar 2013 – 11:00
9 Mar 2013 – 15:30
10 Mar 2013 – 11:30

Uma criação que se segue a Tropeçar, que foi também uma encomenda com co-produção da Fábrica das Artes / CCB, a partir do universo, das inquietações e das dúvidas postas pelas crianças, pelos filhos. Paredes de Vidro apresenta o outro lado, pois parte do universo dos pais. A realidade é a mesma, mas como que vista noutra perspectiva, através de uma parede de vidro, a tal de que falávamos no texto final do Tropeçar: «Às vezes entre mim e eles havia uma parede de vidro.»
Paredes de Vidro aborda, pois, o ponto de vista dos pais, para que não se achem esquecidos ou marginalizados em todo este processo, para que sintam que também têm uma voz.


Direcção, Textos: Joana Craveiro
Co-criação e Interpretação: Gustavo Vicente, Inês Rosado, Isabel Gaivão
Co-criação, Movimento, Figurinos: Ainhoa Vidal
Co-criação, Assistência de Encenação: Miguel Seabra Lopes
Música: Gonçalo Alegria e Isabelle Coelho
Vídeo: Miguel Seabra Lopes
Iluminação: Gonçalo Alegria
Assistência Geral: Rosário Faria
Produção: Joana Vilela
Co-Produção: Teatro do Vestido, Centro Cultural Vila Flor e CCB/Fábrica das Artes

Paredes de Vidro é um espectáculo criado a convite do Serviço Educativo de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura e do CCB/Fábrica das Artes.

Sala de Ensaio
Duração 50 minutos
M/8

Preços
Semana 3,20€
Fim de semana 5,35€

 

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MONSTRO (parte II: Hecatombe) estreia dia 18 de Dezembro às 21h30 na ZDB

ZDB

De 18 a 21 de Dezembro às 21h30

Monstro é o nome do todo.
Calamidade foi a primeira parte, construída com a cumplicidade de espaços e estruturas como o CITEMOR, o Alkantara e o Teatro Pradillo em Madrid. Nele, falávamos de uma perspectiva mais de fora para dentro na procura das razões deste lamaçal-lodo em que nos vemos metidos e para o qual ninguém parece ter uma explicação plausível, nem tão pouco consegue traçar a genealogia do como começou. E não nos entendam mal, não estamos a falar da crise económica – mas deste mal de vivre cá dentro, desta crise de valores mais do que tudo, esta crise de esperança, esta crise política, sim, ou melhor, crise ideológica (que como todos sabemos também já não é de agora), esta coisa a que chamámos Monstro – que nos agarra, agarra, agarra – e nós, como o Coiote, a tentar escapar mas a correr no ar até nos darmos conta que ups! lá em baixo é o abismo.
Enfim, adiante, novo capítulo: Hecatombe. Uma segunda parte agora dirigida por Maurício Paroni de Castro, que escreveu a propósito deste espectáculo:

A linha ténue entre nós

Esta segunda fase de trabalho vê três actores – Joana Craveiro, Tânia Guerreiro, Gonçalo Alegria –  e o seu director – Maurício Paroni de Castro – envolvidos na escrita cénica de uma caminhada emocional pelo espaço vazio entre as nossas individualidades pessoais e quatro personagens  da dramaturgia convencional, nomeadamente: Nora, de Casa de Bonecas (Ibsen), a Qualquer Uma de Como tu me Quiseres (Pirandello), Hamlet e o fantasma de seu pai, de  Hamlet (Shakespeare).
Tal caminhada é cartografada dramaturgicamente pela actuação de  algumas passagens-chave que eles decidem interpretar ou ler das suas respectivas  personagens. O público testemunhará o traçar das linhas cartográficas entre as mesmas passagens – pontos cardeais – e poderá vir a estabelecer paralelismos, dicotomias, abismos e limites entre individualidades assim relacionadas. Isto favorece estarmos em primeiro plano diante da história pessoal que é a carne das personagens e hecatombes encenadas que sempre nos é escondida nos palcos.
Trata-se de momentos fugazes  de um intimismo que somente a  arte do teatro pode ensejar – desde que  feito desta maneira particular e tão pessoalmente empenhativa. Espero que se tenha reflexão e deleite pessoal nestas réplicas irrepetíveis; porque nós é que somos irrepetíveis, nós é que temos visões irrepetíveis e feitas da nossa própria carne e pensamento, enquanto material dramático.

Mauricio Paroni de Castro

Nesta segunda parte a viagem é interior. As ligações com a primeira parte têm que ser procuradas por entre as linhas que traçamos – diferentes a cada dia – nesta complexidade de se ser humano e perdido no meio das nossas próprias contradições.

Direcção, dramaturgia e lição: Maurício Paroni de Castro?
Co-criação e interpretação: Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Tânia Guerreiro
Voz do original Ibseniano: Zoe Barossi
Ruído: Cardeal da Alegria e Isabelle Coelho?
Assistência de encenação: Isabelle Coelho?
Assistência a tudo o resto: Sylvia Soares?
Produção: Joana Vilela?

O Teatro do Vestido é financiado pelo Governo de Portugal/ Secretaria de Estado da Cultura/ Direcção Geral das Artes

Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian, ZDB, Teatro Meridional

Outros apoios ao Projecto Monstro: CITEMOR, Alkantara

Portugal Brasil Agora

RESERVAS: reservas@zedosbois.org | 213 430 205

 

 

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MONSTRO (parte 1: Calamidade) estreia hoje às 21h30 no Espaço Alkantara

Espaço Alkantara

de 27 de Novembro a 2 de Dezembro, 21h30

O que é que acontece quando habitas um país sem memória? O que é que acontece quando perdes o rasto ao passado e dás por ti fechado no presente sem respostas para o que te explora, corrompe, viola os teus direitos fundamentais como cidadão, como habitante de um país? O que é que acontece quando ninguém te quer explicar como chegaste até aqui porque assim legitima o teu presente e hipoteca o teu futuro e não tem que te dizer porquê nem como, porque as coisas são mesmo assim e o caminho é acreditar ‘que esta é a única solução’ e que ‘nunca vai ficar melhor’, e que, enfim, a solução é aguentar, aguentar em silêncio e acreditar que estamos todos a contribuir para o grande esforço colectivo de resgatar um país à beira da miséria (ou já mergulhado nela)? O que é que acontece quando te dás conta que fazes parte da maioria silenciosa, que tens costumes brandos, que a tua voz a pedir justiça afinal é um queixume, e que, pronto, mesmo que levantes os braços para fazeres alguma coisa, já não vais a tempo para o não sei quando, que era quando isto deveria ter acontecido e poderíamos ter alterado o rumo da história?
O país onde nascemos está a saque. A nós dizem-nos que emigremos, e que o desemprego pode ser um momento de grande criatividade, e dizem-nos mais coisas do domínio do absurdo que nem vale a pena reproduzir. E nós, fechados no presente eterno, sem memória do passado, dizemos: para o diabo com a vossa condescendência, o vosso risco ao lado no cabelo penteadinho, do alto do qual nos dizem que é inevitável. Para o diabo com a delapidação da nossa dignidade, dia a dia, como quem nos faz pagar uma promessa da qual não temos memória de ter feito.
Este é o momento para fazer teatro sobre isto. A ‘isto’ chamámos calamidade, e ao conjunto de calamidades que nos trouxeram até aqui, chamámos monstro.

Este projecto tem três fases: 1.Calamidade, em Montemor-o-Velho, Madrid, e agora aqui, em Lisboa, no espaço Alkantara; 2. Hecatombe, em Lisboa outra vez; e 3. Apocalipse, em São Paulo. Vai ocupar-nos o resto do ano de 2012 e parte de 2013. Porque precisamos de tempo para perceber, e tempo para falar sobre isto. Porque a lama já nos começa a chegar aos olhos e dentro em pouco já não há maneira de continuar a discernir.
Consideramos este espectáculo como o nosso treino para não perder essa faculdade essencial: o discernimento.

no final do espectáculo haverá uma conversa moderada por:

29 de Novembro – Irene Pimentel, historiadora
30 de Novembro – Marta Lança, editora do portal buala - http://www.buala.org/
1 de Dezembro – Fernando Rosas, historiador

de e com: Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Tânia Guerreiro
Produção: Joana Vilela
Montagem e iluminação: José Pedro Sousa, Nuno Patinho
Assistência: Isabelle Coelho
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian, Espaço Alkantara

Agradecimentos: CITEMOR, Teatro Maria Matos, Teatro Pradillo

Reservas: geral@teatrodovestido.org   |    918388878

Espaço Alkantara, Calçado Marquês de Abrantes, nº99 (Santos, Lisboa)

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Teatro do Vestido recebe menção honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro

No texto da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro pode ler-se:

Joana Craveiro e o Teatro do Vestido: Desde 2001 que Joana Craveiro e o Teatro do Vestido têm vindo a desenvolver uma actividade aberta a todas as formas de arte, atenta a todos os cidadãos e curiosa de tudo o que se passa no mundo em que as pessoas vivem. Registo e memória, erudito com os pés na terra, original e trivial, socialmente preocupado e interveniente, o Teatro do Vestido alia como poucos, no seu percurso, a estética e a ética. A companhia comemorou em 2011 dez anos de existência com um espectáculo especial – [agora já tinham passado dez anos e] nem sombra deles em lado algum - num ano em que a sua actividade não se resumiu, contudo, a esse evento. Seria praticamente impossível passar à margem desta data e desta realidade.

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Em criação, no espaço Teatro do Vestido.

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Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela – Edição Porto

ter-sex 21h30
M/12bilhetes
Fnac, TNSJ, TeCA, www.ticketline.pt

MSBV
Mosteiro de São Bento da Vitória
4050-543 Porto
T 22 340 19 00

Linha Verde
800-10-8675

Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela é um projecto que parte da cidade, da vivência que nela se constrói dia-a-dia, do quotidiano às vezes doloroso dos espaços, dos sentidos que se encontram nas coisas mínimas, nas pessoas, atrás de um muro, de uma esquina, de um banco de jardim, de uma porta fechada, de uma janela entreaberta. É um projecto de colaboração que já conheceu quatro edições em Lisboa e agora se estende ao Porto, sempre com a mesma permissa: o Teatro do Vestido convida criadores exteriores à companhia e durante duas semanas de trabalho intensivo concebe um projecto de intervenção e questionamento da cidade.
Para esta edição especial no Porto, o Teatro do Vestido propõe-se descobrir uma cidade que lhe é, de certa forma, estrangeira, com a ajuda de criadores que a ela pertencem, ou pertenceram, ou se encontram em processo de vir a pertencer. Conduzidos pelos seus olhos, memórias e interrogações, lançam-se como cegos numa cidade nova para poderem vir a desejar viver nela também. Como descobrir uma cidade? “As grandes cidades ensinam, educam, e não com doutrinas roubadas aos livros. Não há aqui nada de académico, o que é lisonjeiro, pois o saber acumulado rouba-nos a coragem”, responde Robert Walser. Coragem – uma palavra-chave para conquistar território desconhecido.

cocriação e direcção
Joana Craveiro

cocriação e interpretação
Ainhoa Vidal
Gonçalo Alegria
Joana Craveiro
Rosinda Costa
Sofia Dinger
Tânia Guerreiro
Victor Hugo Pontes

figurinos
Ainhoa Vidal

participação especial
Margarida Campos
Paulo Ferreira
Rosa Moura
Rodrigo Pereira
Aureliano Silva
Carlos Costa
Márcia Fretias

produção executiva
Joana Vilela
assistência de produção
Raquel Leão

coprodução
Teatro do Vestido
TNSJ

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Activismo, ou o acto de agir sobre a realidade para a transformar.

Para o biénio de 2011-12, o Teatro do Vestido estabeleceu como tema geral o Activismo, ou o acto de agir sobre a realidade para a transformar. Consciente do momento crucial que o país atravessa, apelidado pela generalidade das pessoas como “crise”, o Teatro do Vestido, não querendo negar a realidade dos factos nem utilizar estratégias escapistas, prefere não obstante, ater-se no caracter chinês para “crise” que é “oportunidade”. Por isso chamamos a este momento um momento crucial. Empenhados que estamos em construir um teatro que activamente fale sobre a realidade, à realidade, um teatro dito político naquilo que enuncia como seus vectores de pesquisa – uma relação activa com a realidade do presente e as suas perplexidades e múltiplas perspectivas – desenvolveremos ao longo dos próximos dois anos uma programação consonante com estes pressupostos, e que aposta mais do que nunca numa formação consistente de públicos, através de um serviço educativo directamente relacionado com cada uma das criações, bem como de acções complementares de partilha dos nossos processos de trabalho. Estamos também empenhados numa maior abertura à nossa comunidade envolvente, nomeadamente com a existência do espaço físico da companhia, que se situa no Cais do Sodré.

É nossa convicção de que este é o tempo certo. Certo no sentido em que é o tempo em que vivemos e o tempo em que vivemos é sempre o certo: para alcançar qualquer coisa, para transformar qualquer coisa. Porque acreditamos que os valores do humanismo se devem impor aos do capital e das trocas meramente monetárias. Porque acreditamos neste tempo (como já dissemos), neste mundo, e no nosso papel nele. Porque acreditamos no teatro e no contributo disso. Porque não consideramos que o que fazemos é supérfluo. Porque não acreditamos no discurso que pretende julgar o que é ou não é teatro, o discurso da ausência de dramaturgia em Portugal, o discurso dos subsídio-dependentes, o discurso absurdo de quem não faz a mínima ideia do que fazemos realmente todos os dias e alimenta fantasias (porque são fantasias) do tempo em que os artistas viviam em águas-furtadas num bairro do centro de Paris e morriam de tuberculose (o que de si era também já então uma fantasia). Porque, enfim, nós ainda estamos vivos, estamos aqui, a fazer coisas, ainda a fazer coisas.

Mais do que numa rede económica – a cujos limites e falências todos estamos a assistir e a experienciar – propomos aqui a criação de uma rede essencialmente solidária. E é enquanto companhia de teatro que o fazemos, pois esse é o contributo que podemos prestar à comunidade – um contributo que deriva directamente daquilo que somos e que fazemos.

«…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.» (John D. Caputo)

Projectos 1º semestre 2012:

Tropeçar: (Digressão) Centro Cultural de Cascais, Teatro Viriato, Centro Cultural de Vila Flor, Espaço do Tempo
(espectáculo encomendado e co-produzido pelo CCB/Fábrica das Artes)

Em Tropeçar misturamos as nossas memórias com as apropriações que fomos fazendo das crianças que observámos, recuperamos perguntas que ainda hoje nos inquietam sem tentarmos dar-lhes resposta (ainda), falamos de jantares de natal, de viagens de carro, de quando mudamos de pele (e dói um pouco), do absurdo de algumas histórias que nos contavam, de quando pensávamos ser invencíveis e da descoberta de não o sermos, de acidentes e percalços, de dificuldades, da parede que se atravessa à nossa frente quando menos esperamos, e da coragem de finalmente a atravessar.

Tropeçar pretende ser mais sobre aquilo que as crianças nos dizem e menos sobre o que nós lhes dizemos a elas.

Zona de Acolhimento

abrir a nossa casa para acolher os sem casa que quiserem fazer do nosso espaço o espaço de apresentação dos seus projectos. Zona de Acolhimento é um projecto semanal (em semanas pré definidas ao longo do ano) e cuja curadoria está a cargo da equipa TdV. Convidamos todos a construir esta comunidade de ideias, partilha, projectos.

Zona da Comunidade

Dias específicos em que o TdV abre o seu espaço à comunidade envolvente – do Cais do Sodré – pretendendo estimular relações de proximidade prolíferas e em que a companhia desempenhe um papel proactivo e positivo na zona em que está inserida. Neste dia, convidamos a comunidade envolvente a expressar-se no nosso espaço, a falar dos seus produtos, dos seus trabalhos, das suas questões – uma comunidade que se vá tornando menos estranha e mais empenhada e partilhada. Numa zona da cidade em rápida transformação e alguma descaracterização, esta Zona pretende registar e relembrar o que já vai passando, bem como o que se vai instalando e que é, também, comunidade.

Esta é a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela – Edição Porto

Originalmente concebido como um projecto de colaboração para intervir sobre espaços de Lisboa, onde o Teatro do Vestido está sedeado, o projecto Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela já contou com três edições, em espaços tão diversos quanto o Largo de Santo Antoninho, o nº 49 da Rua da Barroca (espaço da ZDB), e o Internacional Design Hotel. Em cada uma das edições, um membro do Teatro do Vestido convidou um criador exterior à companhia e, num espaço de duas semanas intensivas, o trabalho foi criado a partir de um lugar, de um tema ou de uma questão suscitada pela cidade.
Para a edição do Porto, e contando com a co-produção do Teatro Nacional de São João, o Teatro do Vestido propôs-se descobrir uma cidade que lhe é, de certa forma, estrangeira, pelos olhos dos que a ela pertencem, ou pertenceram, ou se encontram no processo de vir a pertencer. Conduzidos pelos olhos deles, as memórias deles, as perguntas deles, lançamo-nos como cegos numa cidade nova para podermos vir a desejar viver nela também.
Esta é a minha cidade e eu quero viver nela (edição especial Porto) é uma colaboração entre a equipa do Teatro do Vestido e criadores oriundos da cidade do Porto ou que nela habitam.

Monstro – Projecto de criação a partir da ideia de “Calamidade”

De onde vem este título?
De uma carta que um de nós escreveu a outro, era uma espécie de carta sobre o estado da nação (do mundo?), como se o outro fosse um alienígena ou assim, como se o outro andasse de abalada mas nem sequer no estrangeiro, noutro planeta. E dizia assim:

“CALAMIDADE É O NOME DADO A ESTE MONSTRO que mata o desejo e a possibilidade de conseguir construir
CALAMIDADE É O FIM DO COMBATE DOS COWBOYS CONTRA OS FEDERAIS EM QUE OS FEDERAIS DIZEM O SEGUINTE AO OUVIDO DO PRESIDENTE:
- Senhor Presidente, já não há cowboys, as suas carcaças estão estendidas ao longo das avenidas, estradas e vias públicas. Os pássaros alimentam-se assim há duas semanas.
- O preço das rações desceu, senhor presidente, mas não façamos disso grande alarido.
- Já podemos arrumar o país, senhor, a um canto, depois tratamos dele quando tivermos tempo e for a altura certa, a altura certa senhor.
CALAMIDADE será não apenas os abusos de poder, as violações dos direitos e dos corpos humanos mas também o começo da coisa má humana, o desistir perante o poder pequeno, desistir perante o grande poder, o roubo da vontade e a cedência da mesma por questões hierárquicas e medo do nunca-melhor
CALAMIDADE é a observação não-participante na comédia divina
LOGO TÂNIA, O NOME DISTO QUE ANDAMOS A VIVER NÃO É OUTRO, É CALAMIDADE
a destruição do valor humano em todas as suas intensidades diferentes, do poucochinho à saturação total.”

E ficou Monstro. Porque queremos reflectir neste trabalho acerca daquilo que nos come por dentro e às coisas à nossa volta, e que queremos que pare, que pare, que pare.
Convidámos Maurício Paroni de Castro, encenador brasileiro, de ascendência italiana, residente em São Paulo, mas com vasto trabalho realizado na Europa, para criar connosco este objecto cefalópode, que terá carreira em São Paulo e em Lisboa.
Trabalhando a partir de uma metodologia que apelidou de “deriva” e da qual o Teatro do Vestido já em 2003 se apropriou e adaptou como parte do seu modus operandi de construção criativa, Maurício Paroni de Castro descreve a sua forma de trabalhar com as seguintes palavras: “O exercício da Deriva foi criado para trabalharmos praticamente com o conceito de cartografia emocional. O exercício é, na prática, criar situações reais, em locais públicos, nas quais o ator realiza um deslocamento a partir de premissas previamente determinadas e com um tempo de duração também estipulado. O exercício gera um fluxo de ações que é determinado pelo percurso feito. Ao termino, são feitas as considerações e reflexões acerca do mesmo, para compreender e contextualizar a trajetória emocional. Esse exercício foi o ponto fundamental desta pesquisa, onde os atores são o suporte da dramaturgia, e não o contrário, como costuma-se fazer tradicionalmente. Os ganhos dessa inversão de percurso são de vários níveis: conceitual, criativo e interpretativo.” A “deriva” será, portanto, a base metodológica da construção de Monstro, e existe à partida um grande entendimento artístico entre o Teatro do Vestido e o encenador. Para este projecto estamos também a tentar viabilizar a participação de Janine Rosati, actriz que integra a companhia Manufactura Suspeita, de Paroni de Castro, e Sérgio Romano, actor e criador italiano, que trabalhou durante um largo período de tempo com Paroni de Castro.

Direcção: Maurício Paroni de Castro.
Co-criação/ Interpretação: Joana Craveiro, Tânia Guerreiro
Espaço Cénico, Imagens, Ruído: Gonçalo Alegria
Colaboração: Sérgio Romano, Janine Rosati.

O projecto será criado de raiz em São Paulo, onde terá o seu primeiro conjunto de apresentações, e terá posteriormente a segunda fase do projecto em Outubro/Novembro de 2012 em Lisboa. Este é um projecto pensado para espaços não convencionais da cidade, decorrendo em avenidas, becos, jardins e entradas de prédios de determinadas zonas de São Paulo. Será também utilizado o espaço de um antigo clube de boxe.

Manifesto-me #2
A premissa deste projecto é a mesma que assistiu a Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela: um elemento da companhia convida um criador exterior para colaborar durante duas semanas, e o resultado é uma criação efémera que documenta esse encontro e, no caso específico deste projecto, a reflexão e manifestação activa sobre algo que se tenha muita urgência de dizer hoje, aqui onde estamos.
É condição obrigatória que as apresentações tenham lugar em espaços diversificados e não-convencionais da cidade. Ainda há uma relação com a cidade neste projecto, apesar de a palavra “cidade” ter desaparecido do título.
Como objecto integrante da criação, far-se-á uma publicação, cuja forma, formato, extensão dependerá do encontro entre os dois criadores e da dinâmica de manifestações que forem criadas.

A primeira edição deste projecto decorreu em Dezembro de 2011: Tânia Guerreiro convidou Maria Gil e juntas criaram “Rua da Esperança.”
Em 2012 as 4 edições de “Manifesto-me” serão apresentadas no CITEMOR, Festival de Teatro de Montemor o Novo.

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