RETORNOS, EXÍLIOS E ALGUNS QUE FICARAM

RTD_0453

7 a 10 de Junho | 21h

Palácio Sinel de Cordes*, Lisboa

 

I.

Na sequência do processo de descolonização de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-colónias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este ‘regressar’? Dentre essas pessoas há as histórias daqueles que pouca relação tinham com Portugal, considerando portanto que são exilados e não retornados; outros há que decidiram ficar lá e ajudar a construir um país novo; outros ainda que, embora retornando, não o tinham desejado.

II.
Construído a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e histórias de vida de pessoas que viviam nas ex-colónias portuguesas aquando do processo de Descolonização e de independência destas novas nações africanas, este espectáculo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do Dão, em Viseu, local emblemático deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de residência do Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) entre 1975 e 1991 naquela região. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na região de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnográfica no terreno, a história oral, e a investigação histórica. Sentimos que uma das missões primordiais do Teatro do Vestido neste momento é a de abordar de forma performática fragmentos da história de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este “presente permanente” em que todos vivemos.

 “No IARN as secretárias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas…Estavam lá retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida…” (Dulce Maria Cardoso, O Retorno) 

Joana Craveiro

 

Direcção, texto, espaço cénico: Joana Craveiro
Interpretação: André Amálio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro e Rosinda Costa
Desenho de luz: Cristóvão Cunha
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Co-produção: Teatro do Vestido e Teatro Viriato

Duração: 2h30 aprox.
No final do espectáculo haverá uma conversa com os espectadores.

*Palácio Sinel de Cordes
Campo Santa Clara, 142
110-155 Lisboa
(no local onde se realiza a feira da ladra)

Para mais informações, por favor consulte o site do Teatro Nacional D. Maria II

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

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UM MINI-MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS DO PORTUGAL RECENTE

Mini-Museu Vivo

24 a 29 de Abril | todos os dias às 16h (excepto quarta, 25, às 11h)

Teatro Municipal Joaquim Benite

Almada

Partindo dos materiais que são a base da construção de Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas, que aborda, a partir das memórias das pessoas, a ditadura de 1926-1974, a revolução de 25 de Abril de 1974 e o processo revolucionário de 1974-76, o Teatro do Vestido constrói agora este Mini-Museu contado aos jovens. Nele, são revisitados muitos temas da história recente de Portugal que nem sempre se encontram nos livros do Ensino Secundário; ou que, mesmo sendo aí abordados, não o são do ponto de vista das memórias pessoais, dos pequenos objectos. Estamos rodeados de versões gloriosas sobre a história, contadas pelos grandes protagonistas militares e políticos. Este mini-museu vivo, pelo contrário, contará histórias dos anónimos que fizeram, também eles, essa história, mesmo que na história não tenha ficado o seu registo. 42 anos depois do 25 de Abril, já são os filhos de Abril que transmitem as memórias que ouviram contar, a outros para quem este passado é já um país distante. E, no entanto, como mostra este espectáculo, este passado faz muito daquilo que é o nosso presente. Não o conhecer, não saber como chegámos até aqui, é como faltar-nos um mapa para o futuro.

Texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Colaboração criativa: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Desenho de luz: João Caculho
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Co-produção: Teatro do Vestido e CCB / Fábrica das Artes

Duração: 75 minutos
M/12

Para mais informações, por favor consulte o site do Teatro Municipal Joaquim Benite

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

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ELAS TAMBÉM ESTIVERAM LÁ

Espolio A A Costa©Espólio A. A. Costa

Elas Também Estiveram Lá
quotidianos de resistência e de revolução de mulheres

13, 17, 18, 19 e 20 de abril, às 21h | 14, 15 e 21 de abril, às 19h
Cinema São Jorge

Um percurso que começa na Avenida da Liberdade, entra por uma porta, sobe um lance de escadas, e desemboca numa antiga sala de visionamento da censura, percorrido por testemunhos de mulheres acerca da sua vivência durante a ditadura do Estado Novo, o dia 25 de Abril de 1974, e o processo revolucionário que se lhe seguiu.
Arredadas da história, pelo menos das narrativas históricas dominantes, as mulheres portuguesas têm contudo muito a dizer sobre a repressão, a censura, o machismo e o sexismo ao longo do século XX, nomeadamente durante a ditadura portuguesa, onde o mote de ‘a cada um o seu lugar’ as relegava para lugares afastados da esfera pública, e sujeitas ao domínio dos maridos, numa sociedade profundamente conservadora e patriarcal. Dos relatos do dia 25 de Abril, as mulheres também não constam, dominados que são por narrativas masculinas heróicas militares e políticas. No processo revolucionário que ensaiou novas formas de organização e acção política, não sabemos onde estavam, ou em que livros de história se fixaram, mas vêmo-las nas fotografias de manifestações, nos filmes e documentários da época. Quisemos ir resgatar essas vozes perdidas, anónimas, mas participantes, não obstante, em tudo isso, e assim dar conta de uma multiplicidade de retratos da mulher portuguesa, que são também um espelho do presente, ou de como chegámos até aqui.
Construído para um emblemático espaço, e para a zona exterior circundante, esta é mais uma criação do Teatro do Vestido profundamente ancorada nas memórias da própria cidade, resgatando a pequena história que nos constitui a todos e a todas.

Texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Interpretação: Ainhoa Vidal, Inês Rosado, Joana Craveiro, Joana Margarida Lis, Tânia Guerreiro, Vera Bibi
Participação especial: uma mulher com uma história singular
Figurinos: Ainhoa Vidal
Desenho de luz: João Cachulo
Produção: Cláudia Teixeira
Estagiária de produção: Mafalda Rôla
Estagiários ESAD: Joana Margarida Lis, João Diogo Ferreira, Vera Bibi
Assistência: Carolina Cardoso Faias

Duração: 2h (aprox.)
M/12
Recomendamos o uso de roupa e calçado confortáveis

Entrada livre, mediante lotação limitada do espaço. Levantamento de ingresso no próprio dia do espectáculo na bilheteira do Cinema São Jorge (a partir das 13h). Cada espectador pode levantar até um máximo de dois bilhetes.

O Teatro do Vestido é uma estrutura financiada pela República Portuguesa / Ministério da Cultura/ Direcção-Geral das Artes

 

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