24 a 28 de Julho

Vidigueira, Portugal

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Sob forma de residência de trabalho artístico no município da Vidigueira, esta primeira Escola de Verão do Teatro do Vestido organiza-se em torno das ideias de geografia, terra, comunidade e observação, propondo um espaço de experimentação artística e de respiração com lugares e pessoas. Aberto à comunidade artística nacional e internacional, bem como a outras disciplinas e interesses (como jornalismo, antropologia, história e mesmo as ciências exactas), esta Escola de Verão pretende criar um momento laboratorial de exploração, observação, partilha e criação artística.
 
O Teatro do Vestido é um colectivo teatral formado em 2001 e que trabalha continuamente para desenterrar histórias, memórias e, no geral, camadas de sentidos, sentimentos e reflexões sobre o nosso atribulado quotidiano/país/mundo. Dizer que fazem ‘teatro documental’ é, no seu entender, reduzir um pouco o espectro do seu trabalho. Preferem dizer que fazem teatro político, com tudo o que isso engloba e implica.

Valores de Inscrição:

150€ – s/alojamento incluído, com 5 almoços (de 24 a 28 de julho)

270€ – alojamento em quarto duplo partilhado na Hospedaria São João (check in 24/07; check out 29/07),  com 5 almoços (de 24 a 28 de julho)
 
300€ – alojamento em quarto duplo partilhado no Hotel Santa Clara* (check in 24/07; check out 29/07),  com 5 almoços (de 24 a 28 de julho)
* possibilidade de upgrade para quarto individual com um acréscimo de custo de 95€


Sugestão de alternativa de alojamento: Parque de Campismo Alqueva Rural Eco Camping (distância de 15 minutos de carro da Vidigueira) 


data limite de inscrição: 9 de Julho, 2023
participantes: 12
comunicação de selecção: 16 de Julho, 2023

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Aquilo que ouvíamos

(c) João Paulo Serafim

Após várias sessões esgotadas no verão de 2021, na discoteca Lux Frágil em Lisboa, “Aquilo que ouvíamos” regressa aos palcos para uma apresentação única, integrada no Festival de Teatro de Almada.

6 de Julho ás 22h

Escola D. António da Costa (Palco Grande), Almada

+info e bilheteira em festival.ctalmada.pt

era exactamente assim que era
se nos lembrássemos de como era e,
de certa forma, lembramo-nos.

‘Está a gravar?’

Desta vez voltámos para nós próprios o gravador.

era exactamente assim que era se nos lembrássemos de como era e,

de certa forma, lembramo-nos.

Convidámos uma banda (3 músicos) e mais 2 músicos, num total de 5, para que, no barulho ensurdecedor que fazem (chama-se música, pá!, ah, pois é), não nos deixarem pensar assim muito. Lembrarmo-nos, chega. Contar uns aos outros, chega. Dançar, também. Cantar, por vezes, trautear, outras. Outras, só ficar a ouvir, chega.

Desta vez, voltámos para nós o gravador. Está a gravar, sim, o que é contas sobre isto?

Aquilo que ouvíamos parte das nossas experiências de escuta de música alternativa – de diferentes estilos – de meados dos anos 80 à passagem para os anos 90 (sendo que, em cena, estão diferentes gerações, por isso será mais rigoroso dizer que se estende no tempo para além [e antes] desse tempo). É, sobretudo, um espectáculo sobre como a música foi e é parte da identidade das pessoas que a escutam, e sobre um tempo em que a materialidade da música era crucial e em que muitas das nossas actividades e vivências se organizavam em torno disso.

Por exemplo, comprar vinis com parcas mesadas, trocá-los no pátio da escola secundária, fazer amigos por causa disso, comprar cassetes para gravar esses vinis, que assim se multiplicavam, ou comprar cassetes de concertos mesmo raros e mesmo mal gravados mas muito preciosos, ou cassetes gravadas com programas de rádio feitos por nós e para nós. Ou, quando aquilo que ouvíamos era muito daquilo que nós éramos – ou, como a música nos conferia uma identidade.

Aquilo que ouvíamos leva-nos numa viagem por histórias pessoais de relação com a música e o seu consumo, que criaram e definiram identidades ao longo do tempo que ainda perduram.


O TEATRO DO VESTIDO TEM O APOIO DE

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Intimidades com a Terra, no Teatro Viriato em Viseu

(c) Pedro Pina

Teatro Viriato, Viseu
7 de Junho às 21h00

um espetáculo de Joana Craveiro, 
uma criação do Teatro do Vestido
sobre a terra
sobre as espécies nela
sobre como a antropologia começou e sobre aquilo em que se tornou
sobre um encontro com o Chefe Mann e a Mãe do Clã Miekie
sobre a ideia de diários de campo
sobre relações.

porque é uma relação de intimidade
porque é uma relação horizontal
porque é uma relação de amor
porque é uma relação de parentesco e ancestralidade.

Nesta nova criação, que teve como precursora a performance Desaprender, apresentada no ciclo Ecologias Imateriais, do CAM/ Fundação Calouste Gulbenkian, em Novembro de 2022, Joana Craveiro reflecte, entre outros temas, sobre os primórdios e o desenvolvimento da antropologia, ciência que estudou e na qual se licenciou nos anos 90 do século XX.

Partindo de um conjunto de diários de campo – dela e de outros antropólogos e antropólogas; da própria ideia de diário de campo, de caderno, onde o antropólogo – observador do chamado ‘outro’ – anota os fragmentos ou os textos extremamente completos daquilo que vive e presencia.

Intimidades com a terra explora o pensamento colonial que se manifesta no encontro com o chamado ‘outro’ e a urgente necessidade de um novo e renovado olhar sobre as metodologias, práticas e vivências indígenas, como forma de epistemologia e transmissão de um conhecimento que nos permita navegar a emergência climática, a crise ecológica, e no geral a relação com um planeta de recursos finitos, pautado por uma desigualdade extrema da forma como esses recursos são usados, esgotados e cujas sobras contaminam os lugares e as populações mais frágeis e vulneráveis, tem que ser repensada. 

Nesta criação, Joana Craveiro explorará diferentes dispositivos dentro do que ela considera ser um vasto potencial da palestra performativa poética – um formato que tem vindo a explorar ao longo dos últimos 12 anos, criando performances como Um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas, que é hoje uma incontornável obra de referência do teatro contemporâneo português. Em Intimidades com a Terra, Joana Craveiro regressa ao formato do solo em profundidade, no qual vai ao cerne dos temas que se propõe debelar, propondo ao espectador uma viagem, um pacto de descoberta mútua e exploração. Acompanhada em cena pela banda sonora original de Francisco Madureira, e com a colaboração criativa de Tânia Guerreiro e Estêvão Antunes, seus cúmplices no Teatro do Vestido, com espaço cénico de Carla Martinez e desenho de luz de Leocádia Silva, Joana Craveiro constrói aqui um trabalho épico de fôlego político e documental, cruzando as ideias de arquivo e o repertório enunciadas por Diana Taylor no seu seminal The Archive and the Repertoire.

O Teatro do Vestido tem o apoio de

República Portuguesa- Cultura e DGArtes para o biénio 2023-2024.

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