UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Teatro do Vestido_©Susana Paiva_004“Há um acordo secreto entre as gerações passadas e a geração actual.”

Walter Benjamin

Em Portugal, na ausência de uma Comissão da Verdade e Justiça, ou algo semelhante, são os activistas, os cientistas sociais, os historiadores, bem como os artistas, quem tem levado a cabo esse paciente trabalho de reconstituição, contra a usura do tempo e das ideologias vigentes que, cada qual à sua maneira e de acordo com a sua agenda, têm procurado – mais do que estabelecer pontos de vista – reescrever a história.

O facto de o ano de 2014 marcar o 40º aniversário do 25 de Abril não é uma coincidência.

Depois da ante-estreia, em Agosto, no Citemor Festival de Montemor-o-Velho, e da participação no Y#11, Festival de artes performativas organizado pela Quarta Parede, temos o prazer de anunciar a estreia absoluta no Negócio/ZDB:

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Teatro do Vestido_©Susana Paiva_007

Este projecto performativo parte de uma pesquisa sobre algumas das memórias da história recente de Portugal, numa perspectiva histórica, política e afectiva, e com base em testemunhos de pessoas comuns – desafiando as grandes narrativas destes três períodos/acontecimentos, que se têm construído sobretudo sobre a ideia de protagonistas militares e políticos. Quisemos saber onde ficavam as pessoas no meio destas memórias, e destas narrativas, e como é que a transmissão deste período crucial da história de Portugal se opera nos dias de hoje. Que omissões, revisões, rasuras estão a acontecer e como e por quem? Que versões da história nos são ensinadas e que outras podemos aprender? Segundo Keith Jenkins, a história e o passado não são a mesma coisa. Segundo Elizabeth Jelin, a memória é uma luta. Segundo Hayden White, a história é uma narrativa. E, por fim, segundo Marianne Hirsch, a 2ª e 3ª gerações são aquilo a que ela chama ‘gerações da pós-memória’. A nossa memória é, portanto, pós e é nessa condição de um ‘outro olhar’ que temos vindo a construir as palestras performativas que fazem parte deste museu, como uma lição de história que não se aprende em nenhuma disciplina que conheçamos – e talvez por isso mesmo estejamos a construir este espectáculo: por nunca o termos podido aprender mesmo quando pedimos que nos ensinassem, que nos contassem como as coisas se tinham ‘realmente’ passado.

Paula Godinho descrevia assim em 2011, o que ela considera ser um fenómeno desde o final dos anos 80, “que passa pela desqualificação dos momentos revolucionários, pela sua avaliação com ressalvas ou pelo completo
banimento, e, concomitantemente, por uma desvalorização do carácter repressivo do Estado Novo,
por imposição de uma agenda política mais generalizada.” e acrescenta: “…falar e escrever acerca de revoluções e revolucionários não está na  moda (…)”

(Paula Godinho, introdução a Aurora Rodrigues, Gente Comum – Uma História na PIDE, Castro Verde: 100 Luz, 2011)

UM MUSEU VIVO DE MEMÓRIAS PEQUENAS E ESQUECIDAS

Investigação, texto, direcção e interpretação: Joana Craveiro
Colaboração Criativa e Assistência: Rosinda Costa e Tânia Guerreiro
Figurinos: Ainhoa Vidal
Desenho de luz: João Cachulo
Produção: Cláudia Teixeira
Assistentes de Produção: Ana Santos e Sabine Delgado

Apoio: Citemor, Festival de Montemor-o-Velho

PRODUÇÃO DO TEATRO DO VESTIDO EM CO-PRODUÇÃO COM A ZDB
NEGÓCIO
Programação: Marta Furtado | Comunicação: Daniela Ribeiro | Imagem: Sílvia Prudêncio | Direcção Técnica: Diogo Fidalgo | Acolhimento: Carlos Alves | Manutenção: Emília Pereira
Rua de O Século nº9 porta 5, Lisboa
Entrada:
12 €, com ceia incluída
Entrada estudantes em grupo (10px ou +):
10€
Reservas:
reservas@zedosbois.org | Tel 213430205
www.zedosbois.org
Duração:
4h30m – com ceia incluída.
A ZDB  e o TdV são estruturas financiadas pelo Governo de Portugal / Secretaria de Estado da Cultura / DGArtes.  A ZDB tem o apoio da C.M.L. O Instituto Financeiro da Segurança Social apoia a ZDB.

https://scamquestra.com/sozdateli/7-fanis-dzhuraev-37.html

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