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Apresentação no Palácio Burnay, Lisboa | 25 e 26 de Junho
Na segunda Criação performativa do projecto MANIFESTO-ME, Rosinda Costa, do colectivo TdV, convida Tomé Quirino.

A premissa deste projecto, é a mesma que assistiu a uma primeira edição, Esta é a Minha Cidade e eu Quero Viver Nela: um elemento da companhia convida um criador exterior para colaborar durante duas semanas. O resultado é uma criação efémera que documenta esse encontro e, no caso específico deste projecto, a reflexão e manifestação activa sobre algo que se tenha muita urgência de dizer hoje, aqui onde estamos.

É condição obrigatória que as apresentações tenham lugar em espaços diversificados e não-convencionais da cidade. Ainda há uma relação com a cidade neste projecto, apesar de a palavra “cidade” ter desaparecido do título.

A escolha deste local surgiu após uma pesquisa e visita a vários espaços na cidade, potenciais palcos, para um espectáculo que se propõe homenagear a preservação e conservação da herança que nos oferece a cidade de Lisboa. Tendo esta ideia como ponto de partida, o encontro da actriz Rosinda Costa com o actor Tomé Quirino pretende manifestar-se começando por olhar a cidade, o país, a nossa História e o nosso lugar em relação a isso.

Com os olhos postos no futuro não posso deixar de reparar que os homens do lixo fizeram greve, e que à medida que me aproximo de casa as ruas cheiram cada vez pior. Pergunto-me: até quando irão durar estas greves que se repetem e que quanto mais se repetem menos significado têm. Aproveitamos este trabalho para sublinhar o nosso desejo de querer fazer diferente. De resistirmos à ideia de que nada pode ser feito. É nosso direito e dever nunca desistir de procurar novas soluções criativas para oferecer ao público a esperança necessária que reforce as suas/nossas convicções. Por isso se vos parecer que existe algum pressuposto de que tudo vai mal em Portugal na nossa reflexão performativa  será apenas porque quisemos sublinhar o que algumas vezes impede a expressão das nossas forças. A nossa intenção foi a de fazer surgir algumas linhas de fuga em relação à grande crise humana que, do nosso ponto de vista é muito mais importante do que a económica.

Rosinda Costa

Fui convidado pela Rosinda para integrar este projecto com o objectivo de construir, em duas semanas, um objecto artístico – Manifesto-me – e apresentá-lo num espaço da cidade e para a cidade. Lisboa não é a minha cidade, foi a cidade em que a minha Mãe escolheu viver. Rapidamente chegámos ao ano de 1985, ano em que nascemos, como ponto de contacto e fomos, a partir daí, estabelecendo correspondências entre o lugar de onde viemos (para além do local físico) e este onde agora nos encontramos – A Lisboa, o Portugal de 2012. Carregamos esta responsabilidade de “ter que ter” uma opinião, por fazermos parte de um grupo (não de uma geração, porque é transversal a várias gerações) que tem em mãos a missão de fazer qualquer coisa! Sinto, acima de tudo, um dever acrescido porque pertenço a um núcleo mais restrito deste grupo, somos artistas – que classe! E estou aqui à procura do meu lugar, do meu papel e desconfio quando me dizem “Rapaz, não és um herói nem vais mudar o mundo” (in reunião dos Precários Inflexíveis).

Tomé Quirino

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