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Ilhas

Estreia parte I NegócioZDB, Lisboa | 15 a 18 e 22 a 25 de Outubro 2008
Estreia parte II Bomba Suícida, Lisboa | 10 a 13 e 17 a 21 de Dezembro 2008
Desenvolvido em colaboração, com direcção de Joana Craveiro e interpretação de Gonçalo Alegria, Simon Frankel e Tânia Guerreiro

Por Joana Craveiro

Partimos para este trabalho mais determinados do que nunca a construir/sedimentar uma comunidade. Não lhe queremos chamar “nossa” porque seria clamar pertença de uma coisa que na verdade não nos pertence. Mas sim da qual fazemos parte. Uma comunidade pressupõe agentes de estatuto igualitário. No caso, porque nós fazemos o teatro, parece que somos nós a dirigir a comunidade. Mas sentimos que nós nos limitámos a marcar o encontro – foi isso que fizemos.

Quando afirmávamos no fim do espectáculo “estamos prontos para responder às vossas perguntas”, estávamos nesta demanda comunitária. Mas sim, claro, apagámos a luz antes de responder às perguntas, e se calhar não o devíamos ter feito. Mas a luz apagada não pode apagar todas essas perguntas que ficaram por fazer. Vamos por favor reunir-nos para em conjunto conseguirmos encontrar a resposta.

Desejamos ser parte de uma comunidade plena de perguntas, de inquietações, de irritações, de episódios hilariantes, e de vontade, muita, de ver o que se passa, o que andamos a fazer – e  que nos digam a nós o que andam a fazer no vosso dia a dia e solicitar-nos que coloquemos isso de alguma forma no nosso trabalho. O nosso trabalho é a forma que encontrámos de fazer o exercício da nossa cidadania. Mas pensamos que isso não se esgota na apresentação dos espectáculos. Tem que ir para além disso. Gostaríamos de contar com a vossa colaboração neste processo.

Desde já agradecemos a construção de uma plataforma de pensamento e de acção sobre a realidade, e queremos continuar a partir dessa base de partilha.

“…Até poderíamos sonhar com uma comunidade de sonhadores que se juntassem para sonhar o que vem aí.” (John D. Caputo)

Ilhas é uma dramaturgia original do Teatro do Vestido, de acordo com as características do trabalho desenvolvido pelo colectivo desde a sua fundação – a companhia trabalha exclusivamente textos originais, construídos com base em diversos pontos de partida. Ilhasé um projecto de pesquisa e criação no qual nos propusemos investigar um tema que não é necessariamente geográfico, que é cultural, científico, literário. Quando dizemos Ilhas dizemos entre outras coisas tudo aquilo que nos torna ímpares, únicos, isolados, sozinhos, juntos – falar de Ilhas é necessariamente falar de pontes, de arquipélagos, de formas de viajar de umas para as outras, e também de desencontros, de atrasos e de falhas de comparência.

“Mas a minha pobre e velha ilha ainda está por redescobrir e por rebaptizar. Ainda não apareceu correctamente em nenhum livro.” (Elizabeth Bishop)

Ilhas é projecto que reflecte em toda a sua construção/criação a procura de um aprofundamento do nosso processo colaborativo, e o nosso questionamento constante acerca do mundo e das coisas em geral. O processo de Ilhas tem-nos levado a procurar e a encontrar ligações entre assuntos e personagens que nos inquietam, que nos questionam e que nos impelem a procurar essa relação que sempre procuramos em tudo o que fazemos – perguntando-nos a cada momento qual a nossa relação com os materiais que propomos e qual o seu contributo para a redefinição de quem somos hoje, do que queremos hoje e, claro, do mundo que desejamos. Partindo do princípio de que a política existe em tudo, esta é a nossa forma de a fazermos. Com este teatro coisa que fazemos. E este processo de o fazer.

Cruzamos neste projecto referências, autores, ideias, a partir de um percurso que cada criador organizou em cinco capítulos, cujos títulos são já uma declaração de intenções dramatúrgicas.

https://scamquestra.com/sozdateli/5-aleksandr-prochuhan-9.html

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