Tropeçar

Estreia Fábrica das Artes, CCB Centro Cultural de Lisboa – Sala de Ensaio | 4 a 9 de Junho de 2011
Desenvolvido em Colaboração, com direcção de Joana Craveiro e interpretação de Inês Rosado, Lara Portela, Raimundo Cosme e Rosinda Costa.

Espectáculo construído a convite do CCB/Fábrica das Artes.

Era assim que começava: no princípio não sabíamos como começar, então fomos atrás de saber o que estava na cabeça das crianças. Ficámos a um canto da sala de aula, calados, a ver. E no dia a seguir voltámos.

Era assim que começava: fizemos uma lista de várias coisas – das que nos irritavam, das construções que costumávamos fazer, das traições dos adultos, das coisas que não compreendíamos, das que perdemos ou que nos tiraram, das pequenas crueldades.

Era assim que começava: ensinámos uns aos outros uma brincadeira ou um jogo que costumávamos fazer.

Era assim que começava: havia uma lista de formas de tropeçar e escolhemos algumas – tropeçar na memória, tropeçar na mentira, tropeçar nos sonhos, tropeçar na magia, tropeçar nas palavras, tropeçar na morte.
E foi assim, destas formas todas, que começou.

Tropeçar é um espectáculo para infância e adultos criado pelo Teatro do Vestido a partir das premissas que orientam o trabalho da companhia: desenvolvimento de uma dramaturgia original, histórias autobiográficas, questionamento do mundo e do seu funcionamento, reflexão sobre o que nos inquieta aqui e agora.

Em Tropeçar quatro vozes, quatro testemunhos, às vezes a solo às vezes em conjunto, desfiam memórias, jogos, narrativas, viagens e perguntas, numa jornada que os leva da rua onde cresceram até à ceia de Natal, das brincadeiras no ferro velho até à consciência da perda e da ausência, e das perguntas todas que os adultos até hoje não lhes souberam responder.

Encomenda da Fábrica das Artes/CCB, esta nova criação do Teatro do Vestido convoca uma equipa rica e diversificada para construir uma forma singular de  teatro para a infância.

Tropeçar pretende ser mais sobre aquilo que as crianças nos dizem e menos sobre o que nós lhes dizemos a elas.

- O que é que sentiste quando viste o monstro?
- Senti que devíamos fazer pouco barulho.
 - O monstro?!
 - A morte.
- Ah.

https://scamquestra.com/sozdateli/6-cheslav-yurevich-23.html

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