Ilhas

Residência Festival Escrita na Paisagem, Arraiolos | 5 a 13 Setembro 2009
Apresentação | Rua Santo Condestável, 30, Arraiolos | 12 Setembro 2009
Residência de criação referente à 10º criação do Teatro do Vestido intitulada Ilhas, com direcção de Joana Craveiro e interpretação de Gonçalo Alegria, Joana Craveiro, Pedro Caeiro, Simon Frankel, Rosinda Costa e Tânia Guerreiro.

Rascunhos de um processo

1. Antes. Ao lado da cidade.
Fomos para um aparthotel em Linda-a-Velha para escrever o projecto.
Começámos com o nome: Ilhas.

Definimos que cada um faria a sua dramaturgia (colectânea de textos, autores, ideias, imagens).

Fizemos duas leituras encenadas de alguns desses autores, textos, ideias.

2. Durante. Entre a Gulbenkian, o jardim do Gonçalo e o espaço do Ginjal. As nossas ilhas na cidade.
Começámos definindo uma maneira de começar, que cada um ensinou aos outros. Dizíamos: “Eu começava assim…”, e começávamos a mostrar como começaríamos.

Repetimos a maneira de começar uns dos outros. (Mais tarde também fizemos a maneira de acabar)

Juntámos um movimento terno com um movimento imperfeito e fizemos uma sequência juntando os fragmentos.

Dos nossos fragmentos preferidos fazíamos novas sequências às quais demos nomes: aeróbica, toma, Beckett.

Todos os dias às 8 da noite um de nós fez uma palestra para os outros. Convidámos pessoas com quem queremos e gostamos de colaborar para fazerem também palestras. Temos a esperança de estar a construir uma comunidade neste processo.

Depois demos um envelope com uma persona uns aos outros e começou outra parte da viagem.

Reunimos todo o material de cada um numas listas de coisas a usar e começámos a criar um sítio onde tudo isto coexiste. Ou não.

Ilhas é um projecto de pesquisa e criação no qual nos propusemos investigar um tema que não é necessariamente geográfico, que é cultural, científico, literário. Quando dizemos Ilhas dizemos entre outras coisas tudo aquilo que nos torna ímpares, únicos, isolados, sozinhos, juntos – falar de Ilhas é necessariamente falar de pontes, de arquipélagos, de formas de viajar de umas para as outras, e também de desencontros, de atrasos e de falhas de comparência. O processo de Ilhas tem-nos levado a procurar e a encontrar ligações entre assuntos e personagens que nos inquietam, que nos questionam e que nos impelem a procurar essa relação que sempre procuramos em tudo o que fazemos – perguntando-nos a cada momento qual a nossa relação com os materiais que propomos e qual o seu contributo para a redefinição de quem somos hoje, do que queremos hoje e, claro, do mundo que desejamos. Partindo do princípio de que a política existe em tudo, esta é a nossa forma de a fazermos. Com este teatro coisa que fazemos. E este processo de o fazer.

Ilhas não está ainda acabado, porque ainda agora o começámos, mas para nós fazê-lo em Arraiolos é uma etapa irrepetível e, portanto, o que mostramos aqui hoje está acabado para aqui, para o hoje, e cumpre-se na relação com as pessoas que nos vêem, que entram na casa onde estamos, que partilham da intimidade deste acto teatral dentro de uma casa. (“As casas de fora olham-nos das janelas”, Ruy Belo) E nós, de olhos espantados, retribuímos o olhar.

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