Dia #1

12 Outubro 2009

Por Raimundo Cosme

[2x; (x=3)]
Espectáculo em doze cenas sem actos.
A um qualquer não-lugar chegaram os três, ou antes, os seis.
Ponto comum: todos Homens (descritos pelo “H grande” anterior ao acordo ortográfico).
O que poderia parecer uma simples escolha revela-se ao longo de todo objecto, (na verdade um simples trajecto) um facto peculiar, promissor, por vezes desconfortável, sem ser nunca irritante ou irreal.
Revelava-se apenas como uma simpática coincidência.

Mal a claridade surge lá fora, por entre as grades das janelas frias de linho, os três, ou seis, entram.

Silêncio.

O palco do não-lugar, chão corrido fabricado pelas falsas quarteladas, abre-se, parte-se três, ou antes, seis vezes.
Se da primeira aberturas parece sair o próprio mar enrolado numa tempestade, de outra pressente-se um estranho esboço feito de uma licorosa tinta vermelha que insiste em jorrar da mão de um deles. Chamemos, portanto, a esse ser sem nome “Pintor”.
Ao que provocou a tempestade saída das entranhas da terra chamemos “Navegador”, visto parecer controlar perfeitamente cada sussurro das ondas.

Nomeemos por fim aquele de onde nasce o sol. “Poeta”. É ele que comanda a luz. É ele que pinta de azul as ondas. É ele que voa enquanto dança.
Pacheco diria, ao vê-lo que “era o nome que melhor lhe ficava”.

Não nos deixemos enganar se por agora nos parecem três.

Tal como sempre dissemos, eles são, na verdade, seis.

Aprendamos matemática: 1+1+1=6.

Errou Almada ao afirmar que 1+1=1. pelo menos errou aqui, nesta não-terra, neste não-lugar.

Cada armadura aprisiona exactamente dois seres.

Aprendamos mais matemática: dois não se divide. Pelo menos aqui.

Comments are closed.