{"id":6272,"date":"2016-02-17T17:58:40","date_gmt":"2016-02-17T17:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?p=6272"},"modified":"2016-02-17T18:32:51","modified_gmt":"2016-02-17T18:32:51","slug":"retornos-exilios-e-alguns-que-ficaram","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?p=6272","title":{"rendered":"RETORNOS, EX\u00cdLIOS E ALGUNS QUE FICARAM"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5351 size-full\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453.jpg\" alt=\"RTD_0453\" width=\"3000\" height=\"2000\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453.jpg 3000w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453-300x200.jpg 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453-1024x682.jpg 1024w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/RTD_0453-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 3000px) 100vw, 3000px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><strong><span style=\"color: #808080;\">18 e 19 de Fev, \u00e0s 15h (escolas) | 19 e 20 de Fev, \u00e0s 21h30<\/span><\/strong><\/h3>\n<h3><strong><span style=\"color: #808080;\">Solar do Vinho do D\u00e3o, Viseu<\/span><\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">I.<br \/>\nNa sequ\u00eancia do processo de descoloniza\u00e7\u00e3o de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-col\u00f3nias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este \u2018regressar\u2019? Dentre essas pessoas h\u00e1 as hist\u00f3rias daqueles que pouca rela\u00e7\u00e3o tinham com Portugal, considerando portanto que s\u00e3o <em>exilados<\/em> e n\u00e3o <em>retornados<\/em>; outros h\u00e1 que decidiram ficar l\u00e1 e ajudar a construir um pa\u00eds novo; outros ainda que, embora retornando, n\u00e3o o tinham desejado. Chegados \u00e0 \u2018metr\u00f3pole\u2019, enfrentaram toda a forma de desafios e prova\u00e7\u00f5es destinadas aos que come\u00e7am do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os \u201cretornados\u201d, os que \u201cvinham ocupar os lugares dos que j\u00e1 c\u00e1 estavam antes\u201d, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na m\u00e3o com que estas pessoas foram representadas no imagin\u00e1rio dos que habitavam a metr\u00f3pole. Desta hist\u00f3ria complexa e contradit\u00f3ria localizada no contexto de um tamb\u00e9m complexo e contradit\u00f3rio processo revolucion\u00e1rio, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da hist\u00f3ria de Portugal desse per\u00edodo. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e tamb\u00e9m por acreditarmos numa hist\u00f3ria constru\u00edda a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes &#8211; ou seja das pessoas &#8211; e talvez, mais fundamentalmente, por n\u00e3o sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos \u00e0 procura dessas pessoas e das suas hist\u00f3ria e com elas constru\u00edmos este espect\u00e1culo \u2013 que \u00e9 uma viagem por vidas, por traumas, por livros de hist\u00f3ria, por pequenas e grandes mem\u00f3rias, e pelas nossas pr\u00f3prias perplexidades ante tudo isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<em>\u201cNo IARN as secret\u00e1rias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas&#8230;Estavam l\u00e1 retornados de todos os cantos do imp\u00e9rio, o imp\u00e9rio estava ali, naquela sala, um imp\u00e9rio cansado, a precisar de casa e de comida&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II.<br \/>\nConstru\u00eddo a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e hist\u00f3rias de vida de pessoas que viviam nas ex-col\u00f3nias portuguesas aquando do processo de Descoloniza\u00e7\u00e3o e de independ\u00eancia destas novas na\u00e7\u00f5es africanas, este espect\u00e1culo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do D\u00e3o, em Viseu, local emblem\u00e1tico deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de resid\u00eancia do Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) entre 1975 e 1991 naquela regi\u00e3o. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na regi\u00e3o de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnogr\u00e1fica no terreno, a hist\u00f3ria oral, e a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Sentimos que uma das miss\u00f5es primordiais do Teatro do Vestido neste momento \u00e9 a de abordar de forma perform\u00e1tica fragmentos da hist\u00f3ria de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este \u201cpresente permanente\u201d em que todos vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III.<br \/>\nFalar no plural \u00e9 sempre dif\u00edcil \u2013 <em>eles<\/em>. Generalizar \u00e9 sempre perigoso \u2013 <em>eles<\/em>, outra vez. <em>Eles <\/em>e <em>n\u00f3s<\/em>. Neste espect\u00e1culo, procuramos ir para al\u00e9m do <em>eles<\/em>, para descobrir a singularidade de cada uma das hist\u00f3rias, onde eles pr\u00f3prios se assumem ou como retornados, ou como refugiados, ou como exilados, ou at\u00e9 como nada disso, como pessoas s\u00f3, apanhadas num momento hist\u00f3rico de grande complexidade e que os afectou de uma forma directa e imediata. Dar a possibilidade a diferentes vozes deste processo serem ouvidas, foi uma das coisas que nos propusemos fazer. Esse \u00e9, acreditamos, um papel fundamente que o Teatro pode ter. Repetimos que este espect\u00e1culo \u00e9 constru\u00eddo a partir de exemplos \u00fanicos, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel escrever uma hist\u00f3ria colectiva destas pessoas \u2013 por muito que seja tentador aproximar as experi\u00eancias de cada um e dizer \u2018ah, os retornados\u2019.<br \/>\nTodos eles viveram um retorno diferente.<br \/>\nE ainda hoje, muitos dentre eles, est\u00e3o presos dentro da mem\u00f3ria desse retorno.<br \/>\nPorque nos horroriza a vitimiza\u00e7\u00e3o, o carpir colectivo, tanto quanto o sectarismo ideol\u00f3gico, a ignor\u00e2ncia hist\u00f3rica e o preconceito, a ideia principal que est\u00e1 na base da constru\u00e7\u00e3o deste espect\u00e1culo \u00e9 a de <em>reconcilia\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 do pa\u00eds e das pessoas com a sua hist\u00f3ria, e do pa\u00eds entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<strong>Joana Craveiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Direc\u00e7\u00e3o, texto, espa\u00e7o c\u00e9nico:<\/strong> Joana Craveiro<br \/>\n<strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Andr\u00e9 Am\u00e1lio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro e Rosinda Costa<br \/>\n<strong>Desenho de luz:\u00a0<\/strong>Crist\u00f3v\u00e3o Cunha<br \/>\n<strong>Opera\u00e7\u00e3o de luz:<\/strong> Pedro Teixeira<br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Cl\u00e1udia Teixeira<br \/>\n<strong>Assist\u00eancia:<\/strong> Maria Aguiar<br \/>\n<strong>Co-produ\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Teatro do Vestido e Teatro Viriato<\/p>\n<p>Dura\u00e7\u00e3o: 2h30 aprox.<br \/>\nNo final do espect\u00e1culo haver\u00e1 uma conversa com os espectadores.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es, por favor consulte o\u00a0site\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teatroviriato.com\/pt\/calendario\/retornos-exilios-e-alguns-que-ficaram-1\/\">Teatro Viriato<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>18 e 19 de Fev, \u00e0s 15h (escolas) | 19 e 20 de Fev, \u00e0s 21h30 Solar do Vinho do D\u00e3o, Viseu I. 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