{"id":5287,"date":"2014-01-16T00:47:11","date_gmt":"2014-01-16T00:47:11","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?p=5287"},"modified":"2015-04-26T22:23:30","modified_gmt":"2015-04-26T21:23:30","slug":"em-criacao-retornos-exilios-e-alguns-que-ficaram-estreia-dia-31-as-2130h-no-teatro-viriato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?p=5287","title":{"rendered":"Em cria\u00e7\u00e3o: RETORNOS, EX\u00cdLIOS E ALGUNS QUE FICARAM Estreia dia 31, \u00e0s 21:30h, no Teatro Viriato"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"retornos-tdv\" src=\"http:\/\/www.teatroviriato.com\/fotos\/calendario\/detalhe_retornos_1388752884.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"462\" \/><br \/>\n\u00a9Rosinda Costa<\/h6>\n<p>I.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do processo de descoloniza\u00e7\u00e3o de 1974-75, milhares de pessoas regressaram das ex-col\u00f3nias portuguesas. Mas o que quer exactamente dizer este \u2018regressar\u2019? Dentre essas pessoas h\u00e1 as hist\u00f3rias daqueles que pouca rela\u00e7\u00e3o tinham com Portugal, considerando portanto que s\u00e3o exilados e n\u00e3o retornados; outros h\u00e1 que decidiram ficar l\u00e1 e ajudar a construir um pa\u00eds novo; outros ainda que, embora retornando, n\u00e3o o tinham desejado. Chegados \u00e0 \u2018metr\u00f3pole\u2019, enfrentaram toda a forma de desafios e prova\u00e7\u00f5es destinadas aos que come\u00e7am do zero, num clima de acentuado preconceito para consigo, os \u201cretornados\u201d, os que \u201cvinham ocupar os lugares dos que j\u00e1 c\u00e1 estavam antes\u201d, tudo isto aliado a imagens de um colonialismo de chibata na m\u00e3o com que estas pessoas foram representadas no imagin\u00e1rio dos que habitavam a metr\u00f3pole. Desta hist\u00f3ria complexa e contradit\u00f3ria localizada no contexto de um tamb\u00e9m complexo e contradit\u00f3rio processo revolucion\u00e1rio, estamos ainda hoje a tentar discernir os fios com que se entretecem as narrativas oficiais da hist\u00f3ria de Portugal desse per\u00edodo. Foi por desconfiarmos das narrativas oficiais e tamb\u00e9m por acreditarmos numa hist\u00f3ria constru\u00edda a partir de testemunhos directos dos seus intervenientes &#8211; ou seja das pessoas &#8211; e talvez, mais fundamentalmente, por n\u00e3o sermos historiadores mas sim criadores teatrais, que fomos \u00e0 procura dessas pessoas e das suas hist\u00f3ria e com elas constru\u00edmos este espect\u00e1culo \u2013 que \u00e9 uma viagem por vidas, por traumas, por livros de hist\u00f3ria, por pequenas e grandes mem\u00f3rias, e pelas nossas pr\u00f3prias perplexidades ante tudo isto.<\/p>\n<p>\u201cNo IARN as secret\u00e1rias eram velhas e sujas e as cadeiras onde os retornados se sentavam quando chegava a sua vez estavam desconjuntadas, tenho a certeza de que nem aguentariam um corpo pesado como o do pai. Estavam l\u00e1 retornados de todos os cantos do imp\u00e9rio, o imp\u00e9rio estava ali, naquela sala, um imp\u00e9rio cansado, a precisar de casa e de comida&#8230;\u201d<br \/>\n(Dulce Maria Cardoso, O Retorno)<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo a partir de uma aprofundada recolha de testemunhos e hist\u00f3rias de vida de pessoas que viviam nas ex-col\u00f3nias portuguesas aquando do processo de Descoloniza\u00e7\u00e3o e de independ\u00eancia destas novas na\u00e7\u00f5es africanas, este espect\u00e1culo foi criado especificamente para ser apresentado no Solar do D\u00e3o, em Viseu, local emblem\u00e1tico deste processo de retorno e que serviu como um dos locais de resid\u00eancia do IARN entre 1975 e 1991 naquela regi\u00e3o. A recolha de testemunhos teve lugar precisamente na regi\u00e3o de Viseu, num trabalho aprofundado que combina a pesquisa etnogr\u00e1fica no terreno, a hist\u00f3ria oral, e a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Sentimos que uma das miss\u00f5es primordiais do Teatro do Vestido neste momento \u00e9 a de abordar de forma perform\u00e1tica fragmentos da hist\u00f3ria de Portugal que nos possam fazer melhor entender o nosso presente, desafiando aquilo que Eric Hobsbawn descreveu como este \u201cpresente permanente\u201d em que todos vivemos. Os processos hist\u00f3ricos traum\u00e1ticos da Guerra Colonial, da Coloniza\u00e7\u00e3o e Descoloniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o parte integrante desta tentativa de entendimento deste \u2018Pa\u00eds Poss\u00edvel\u2019 que nos serve de t\u00edtulo ao bi\u00e9nio 2012-14. Paralelamente, o Teatro do Vestido produz assim mais um texto dram\u00e1tico original, escrito por Joana Craveiro, e prossegue a rela\u00e7\u00e3o privilegiada com o Teatro Viriato enquanto espa\u00e7o especial de cria\u00e7\u00e3o \u2013 e com a cidade de Viseu &#8211; que foi iniciada em 2013 com a cria\u00e7\u00e3o Esta \u00e9 a Minha Cidade e Eu Quero Viver Nela.<\/p>\n<p><strong>Estreia: 31 de Janeiro, no Solar do D\u00e3o, em Viseu, \u00e0s 21:30<\/strong><br \/>\n<strong> Espect\u00e1culos: 1 e 2 de Fevereiro \u00e0s 21:30<\/strong><\/p>\n<p>Direc\u00e7\u00e3o, Texto, Espa\u00e7o C\u00e9nico: Joana Craveiro<br \/>\nInterpreta\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 Am\u00e1lio, Isabelle Coelho, Joana Craveiro, Rosinda Costa<br \/>\nIlumina\u00e7\u00e3o: Crist\u00f3v\u00e3o Cunha<br \/>\nAssist\u00eancia: Maria Aguiar<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Ros\u00e1rio Faria<br \/>\nCo-produ\u00e7\u00e3o: Teatro do Vestido\/ Teatro Viriato<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es e reservas: 232480110 &#8211; Teatro Viriato | Bilheteira \u2013 de 2\u00aa \u00e0 6\u00aa das 13h \u00e0s 19h |\u00a0<a href=\"http:\/\/www.teatroviriato.com\/pt\/calendario\/retornos-exilios-e-alguns-que-ficaram\/\" target=\"_blank\">Teatro Viriato<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a9Rosinda Costa I. 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