{"id":2176,"date":"2010-12-20T12:58:31","date_gmt":"2010-12-20T12:58:31","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?p=2176"},"modified":"2017-06-15T19:21:15","modified_gmt":"2017-06-15T18:21:15","slug":"chegadas-festival-escrita-na-paisagem-evora","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?p=2176","title":{"rendered":"CHEGADAS Festival Escrita na Paisagem"},"content":{"rendered":"<p><strong>Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de \u00c9vora<\/strong> &#8211; Largo da Esta\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>28 Agosto 2010 (s\u00e1bado), 21h30<br \/>\nEntrada Livre<\/strong><\/p>\n<p>Pe\u00e7a de teatro documental sobre actos de chegar e algumas das implica\u00e7\u00f5es desse verbo.<\/p>\n<p>Aquele s\u00edtio onde paramos vindos de n\u00e3o sei onde. Aquele n\u00e3o lugar. Aquele sorriso que traz\u00edamos, expectantes. Aquele olhar inquieto. Aquela coisa de que nos esquecemos no banco de tr\u00e1s. Aquela pessoa que deix\u00e1mos para tr\u00e1s. A forma de entrar, de andar, de sair, de procurar com olhos, de trope\u00e7ar.<\/p>\n<p>E agora n\u00f3s \u00e9ramos pessoas que sab\u00edamos perfeitamente estar \u00e0 altura de qualquer situa\u00e7\u00e3o.\u00a0 E agora n\u00f3s \u00e9ramos pessoas que n\u00e3o precis\u00e1vamos que nos viessem buscar. E agora n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos esta sensa\u00e7\u00e3o de orfandade, e sab\u00edamos o que fazer numa gare vazia.<\/p>\n<p><em><!--more-->I &#8211; E entretanto chega j\u00e1 uma mulher loura com um sorriso,\u00a0 encontra-se com um homem que a espera sem grande intimidade e mais \u00e0 frente com o seu pai. Enquanto conversa com o seu pai, abre a mala e quase a esvazia retirando tr\u00eas pacotes de cart\u00e3o e dois cadernos que entrega ao homem, ficando apenas com uma muda de roupa na mala. Despede-se do homem e segue caminho com o seu pai.<\/em><\/p>\n<p><em>R \u2013 Uma senhora numa mesa parecia s\u00f3. Chega outra, sua amiga decerto. Pensei ainda bem, v\u00e3o falar. A outra come\u00e7a a fazer gestos que eu n\u00e3o percebo. Chega outro senhor, que tamb\u00e9m gesticula. S\u00e3o mudos, s\u00e3o todos mudos. Eu penso, que sorte a deles \u2013 est\u00e3o protegidos pelo sil\u00eancio, a origem e o fim de tudo, do som e da palavra. <\/em><\/p>\n<p><em>(dos di\u00e1rios de trabalho\/ observa\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Chegadas<\/strong><\/em> \u00e9 uma pe\u00e7a em constru\u00e7\u00e3o que partiu da ideia de uma de n\u00f3s (Ela contou-me v\u00e1rias hist\u00f3rias acerca de um tempo em que havia um vidro e consegu\u00edamos ver as pessoas antes que elas chegassem de facto. Ela disse-me que de cada vez que o pai dela partia, eles de despediam como se fosse para nunca mais se verem.)<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano atr\u00e1s viemos a \u00c9vora preparar materiais sobre este tema. No contexto do Festival Escrita na Paisagem, que tem acolhido sistematicamente as nossas buscas dos \u00faltimos cinco anos. Chamava-se \u2018O Corpo Quando Chega,\u2019 porque and\u00e1vamos \u00e0 procura do corpo local nesse acto de chegar. Foram dias e dias em que fizemos percursos pela cidade de \u00c9vora em busca dessa ideia \u2013 de a compreender, sobretudo &#8211; o que era isso do corpo local e como o poder\u00edamos investigar. A apresenta\u00e7\u00e3o tornou-se numa reflex\u00e3o acerca desse acto de documenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos a certeza de ter inteiramente compreendido isso do corpo local, ou de termos documentado as suas diferentes chegadas.<\/p>\n<p>Este ano regressamos e damos por n\u00f3s aqui, nesta gare fechada \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de comboios.\u00a0 Com os cadernos cheios de anota\u00e7\u00f5es de outras gares, outros terminais de chegadas, e o olhar espantado dos etn\u00f3grafos perante o desconhecido ( o nosso olhar preferido).\u00a0 Estamos em processo, em d\u00favida, em confus\u00e3o. Como aquela sensa\u00e7\u00e3o de estar prestes a embarcar e a \u00fanica certeza ser a dos n\u00fameros do bilhete, que nos indicam uma porta, uma gare, um cais, e depois um lugar. E durante o tempo em que dura a viagem n\u00e3o \u00e9 preciso saber mais nada.<\/p>\n<p>Em <em><strong>Chegadas<\/strong><\/em> recuperamos movimentos e textos que s\u00e3o como que um ensaio geral de actos quotidianos, mil vezes repetidos e vividos, mas que ningu\u00e9m repara que est\u00e3o l\u00e1. Todos est\u00e3o demasiado ocupados em viv\u00ea-los. Desde h\u00e1 uns anos a esta parte, o Teatro do Vestido tem-se dedicado sistematicamente a uma observa\u00e7\u00e3o das coisas m\u00ednimas do quotidiano com vista a inscrev\u00ea-las em objectos performativos que reflictam uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a realidade e transmitam o nosso olhar perplexo (apaixonado?) perante ela.<\/p>\n<p><em>J \u2013 Afinal n\u00e3o estou a chegar pela primeira vez. Estou a regressar. N\u00e3o se nota que sei tudo sobre este lugar?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p>Encena\u00e7\u00e3o <strong>Joana Craveiro<\/strong><br \/>\nCria\u00e7\u00e3o, Interpreta\u00e7\u00e3o, Textos <strong>In\u00eas Rosado, Joana Craveiro, Rosinda Costa<\/strong><br \/>\nDramaturgia <strong>Teatro do Vestido<\/strong><br \/>\nInstala\u00e7\u00e3o <strong>Gon\u00e7alo Alegria<\/strong><br \/>\nAssist\u00eancia de Encena\u00e7\u00e3o <strong>Lara Portela<\/strong><br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o <strong>Sandra Carneiro<\/strong><\/p>\n<p>Co-Produ\u00e7\u00e3o <strong>Festival Escrita na Paisagem<\/strong><br \/>\nApoios <strong>CP, Comboios de Portugal; M\u00e3e Terra;<\/strong><strong> <\/strong><strong>REFER, EPE; Sociedade Guilherme Cossoul<\/strong><\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es<strong> +351 918 388 878<br \/>\ngeral@teatrodovestido.org<\/strong><br \/>\n<strong>http:\/\/www.escritanapaisagem.net\/teatrodovestido_pc<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/7.1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2185\" title=\"7.1\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/7.1-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/7.1-300x168.jpg 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/7.1-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/7.1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/scamquestra.com\/17-dokazatelsta-i-probely-afery-2.html\">https:\/\/scamquestra.com\/17-dokazatelsta-i-probely-afery-2.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de \u00c9vora &#8211; Largo da Esta\u00e7\u00e3o 28 Agosto 2010 (s\u00e1bado), 21h30 Entrada Livre Pe\u00e7a de teatro documental sobre actos de chegar e algumas das implica\u00e7\u00f5es desse verbo. 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