{"id":10742,"date":"2024-06-17T13:00:52","date_gmt":"2024-06-17T12:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?p=10742"},"modified":"2024-06-26T14:30:49","modified_gmt":"2024-06-26T13:30:49","slug":"um-museu-vivo-de-memorias-pequenas-e-esquecidas-teatro-sa-da-bandeira-de-santarem-23-de-junho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?p=10742","title":{"rendered":"Um Museu Vivo de Mem\u00f3rias Pequenas e Esquecidas | Teatro S\u00e1 da Bandeira de Santar\u00e9m &#8211; 23 de Junho"},"content":{"rendered":"\n<p>um espect\u00e1culo de Joana Craveiro | Teatro do Vestido<br>digress\u00e3o 2024 | 50 anos do 25 de Abril<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">M\/12<br>dura\u00e7\u00e3o 6h30 (aprox.), jantar inclu\u00eddo<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/m2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/m2-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10287\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/m2-1024x682.jpg 1024w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/m2-300x200.jpg 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/m2-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Foto \u00a9Estelle Valente<\/p>\n\n\n\n<p>0. Frio<\/p>\n\n\n\n<p>Revisitamos hoje, Junho de 2024, o nosso Museu Vivo. Ao longo dos \u00faltimos 13 anos (a investiga\u00e7\u00e3o para este espect\u00e1culo come\u00e7ou em 2011), muita coisa aconteceu. Na verdade, e como sabemos, as coisas n\u00e3o deixam de acontecer em perman\u00eancia, e a isso se chama hist\u00f3ria (escrevo aqui com h pequeno; faz-me sentido). N\u00e3o \u00e9 por isso que o arrepio de medo e de frio e de \u00e2nimo e de expectativa \u00e9 menor quando estamos prestes a abrir a porta a 6 horas desta viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O frio est\u00e1 c\u00e1. Ele vem da vontade de querer fazer isto convosco.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Reconstitui\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 talvez a d\u00e9cima folha de sala que escrevo para este espect\u00e1culo, e em todas me parece importante explicar como tudo isto come\u00e7ou: Este projecto parte de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre mem\u00f3rias, narrativas, constru\u00e7\u00f5es e imagens de 88 anos da hist\u00f3ria de Portugal, a partir da instaura\u00e7\u00e3o da ditadura militar (1926) que iria dar origem ao Estado Novo (1933), e prolongando-se at\u00e9 \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es dos 40 anos do 25 e Abril de 1974, em 2014. Depois disso, continu\u00e1mos sempre a pesquisar e a tomar notas no nosso caderno, e a recolher mais e mais hist\u00f3rias pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>2. As pequenas mem\u00f3rias<\/p>\n\n\n\n<p>Porque n\u00e3o sou historiadora e este n\u00e3o \u00e9 um projecto de hist\u00f3ria; porque procurei encontrar vozes cuja hist\u00f3ria n\u00e3o estava acess\u00edvel no espa\u00e7o p\u00fablico nem nas narrativas que est\u00e3o fixadas nos manuais de hist\u00f3ria (com H grande, dizem); porque procurei escavar e desenterrar a minha pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o pessoal, familiar e geracional com tudo isto; porque, quando estre\u00e1mos, est\u00e1vamos no meio de uma crise financeira que nos diziam por vezes sem precedentes e outras vezes com antecedentes e estava dif\u00edcil de perceber como t\u00ednhamos chegado at\u00e9 ali e quando \u00e9 que as coisas tinham come\u00e7ado a correr t\u00e3o mal \u2013 por estas raz\u00f5es e outras, a express\u00e3o \u201cmem\u00f3rias pequenas\u201d est\u00e1 no t\u00edtulo do espect\u00e1culo. Gosto de pensar que n\u00e3o \u201cdei voz aos que n\u00e3o t\u00eam voz\u201d, porque acredito que todos t\u00eam voz, v\u00e1rias vozes, at\u00e9. Prefiro o verbo amplificar.<\/p>\n\n\n\n<p>3. 6 horas<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais ou menos isso. Menciono a dura\u00e7\u00e3o porque ela \u00e9 importante e define uma boa parte do que este espect\u00e1culo \u00e9 ou tenta ser: um mergulho. N\u00e3o encontr\u00e1mos forma de o tornar mais curto; pelo contr\u00e1rio, foi-se tornando mais longo (denso?) desde a sua estreia em 2014, com adendas, notas de rodap\u00e9, hist\u00f3rias improv\u00e1veis, um fragmento sobre a emigra\u00e7\u00e3o portuguesa para Fran\u00e7a que nos foi proposto pelo Th\u00eaatre de la Ville e o S\u00e3o Luiz Teatro Municipal &#8211; e essas tais coisas todas que n\u00e3o deixam de acontecer, mesmo que n\u00f3s as queiramos fixar num texto teatral e repetir sempre as mesmas palavras, as mesmas linhas de texto, como se s\u00f3 tivessem acontecido aquelas e n\u00e3o outras depois disso. A vida, simplesmente, n\u00e3o \u00e9 assim. N\u00e3o p\u00e1ra. Aos acontecimentos sucedem-se outros acontecimentos e outras (novas) formas de os entender.<\/p>\n\n\n\n<p>4. \u00c9 preciso referir<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes \u00faltimos dez anos, tamb\u00e9m, o pr\u00f3prio teatro portugu\u00eas e a sua rela\u00e7\u00e3o com a mem\u00f3ria, com a hist\u00f3ria, com o documental, com os arquivos, com as hist\u00f3rias de vida, foi-se desenvolvendo e florescendo com uma pung\u00eancia que o ano de 2014 \u2013 o das comemora\u00e7\u00f5es dos 40 anos do 25 de Abril \u2013 n\u00e3o deixava adivinhar. Embora mais timidamente, isto tem sido acompanhado pelo pr\u00f3prio Estado e pelas suas pol\u00edticas da mem\u00f3ria \u2013 essa coisa sobre a qual nada sab\u00edamos at\u00e9 h\u00e1 uns anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das boas not\u00edcias deste 50\u00ba anivers\u00e1rio do 25 de Abril \u00e9 a inaugura\u00e7\u00e3o do nosso primeiro museu nacional dedicado \u00e0 mem\u00f3ria: o Museu Nacional Resist\u00eancia e Liberdade, na Fortaleza de Peniche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">*<\/p>\n\n\n\n<p><em>Um museu vivo de mem\u00f3rias pequenas e esquecidas<\/em> tem navegado momentos pol\u00edticos v\u00e1rios da hist\u00f3ria presente do pa\u00eds ao longo destes \u00faltimos 10 anos, sempre na mesma convic\u00e7\u00e3o de que a mem\u00f3ria \u2013 essa coisa fr\u00e1gil que nos constitui \u2013 deve ser fixada, preservada, transmitida, questionada, tamb\u00e9m \u2013 e amplificada (j\u00e1 o disse mais acima). Mem\u00f3ria aqui escrita no singular com m pequeno que \u00e9 na verdade grande (M), e que pretende significar o seu plural: Mem\u00f3rias. N\u00e3o h\u00e1 duas iguais, e n\u00e3o se conseguir\u00e1 falar de todas. Estas s\u00e3o as que foram fixadas neste trabalho que \u00e9 uma homenagem a isso mesmo: \u00e0s experi\u00eancias reais e memor\u00e1veis de um conjunto de pessoas que generosamente as partilhou comigo &#8211; convosco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Joana Craveiro (escrito na ortografia antiga)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-background has-small-font-size\" style=\"background-color:#de0000a1\">Investiga\u00e7\u00e3o, texto, direc\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o: Joana Craveiro                                                                                           Colabora\u00e7\u00e3o criativa e assist\u00eancia: Rosinda Costa (na vers\u00e3o de 2014-16) e T\u00e2nia Guerreiro                                     Figurinos: Ainhoa Vidal                                                                                                                                                                   Desenho de luz, adapta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, opera\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Cachulo                                                                                              Montagens: Crist\u00f3v\u00e3o Cunha                                                                                                                                                  Opera\u00e7\u00e3o de som: Igor de Brito                                                                                                                                                Montagens e assist\u00eancia v\u00eddeo: Jo\u00e3o Pedro Leit\u00e3o                                                                                                                  Opera\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo: Henrique Antunes                                                                                                                                      Direc\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: Ala\u00edde Costa                                                                                                                                            Apoio: Est\u00eav\u00e3o Antunes, Francisco Madureira                                                                                                                          Apoio t\u00e9cnico: FX Roadlights                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Co-produ\u00e7\u00e3o: Teatro do Vestido, Neg\u00f3cio \/ ZDB, S\u00e3o Lu\u00edz Teatro Municipal                                                                              Apoios: Citemor &#8211; Festival de Montemor-o- Velho, Alkantar                                                                                                 Digress\u00e3o com o apoio: Abril \u00e9 Agora     <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Um Museu Vivo de Mem\u00f3rias Pequenas e Esquecidas<\/em> estreou-se em 2014, no contexto da Tese de Doutoramento de Joana Craveiro. A realiza\u00e7\u00e3o da tese contou com o apoio de Rep\u00fablica Portuguesa \u2013 Ci\u00eancia e Tecnologia, Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia, QREN \u2013 Quadro de Refer\u00eancia Estrat\u00e9gico Nacional, UE \u2013 Fundo\u00a0Social\u00a0Europeu.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"196\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10738\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image.png 1024w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-300x57.png 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-768x147.png 768w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-500x96.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"104\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10739\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1.png 1024w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-300x30.png 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-768x78.png 768w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-500x51.png 500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O TEATRO DO VESTIDO TEM O APOIO DE<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"721\" height=\"154\" src=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10740\" srcset=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2.png 721w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-300x64.png 300w, http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-2-500x107.png 500w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><\/a><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>um espect\u00e1culo de Joana Craveiro | Teatro do Vestidodigress\u00e3o 2024 | 50 anos do 25 de Abril M\/12dura\u00e7\u00e3o 6h30 (aprox.), jantar inclu\u00eddo Foto \u00a9Estelle Valente 0. 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