{"id":4627,"date":"2012-03-14T18:02:52","date_gmt":"2012-03-14T18:02:52","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?page_id=4627"},"modified":"2012-03-14T18:02:52","modified_gmt":"2012-03-14T18:02:52","slug":"texto","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=4627","title":{"rendered":"Texto"},"content":{"rendered":"<h1>Walden<\/h1>\n<p>Resid\u00eancia Criativa e Apresenta\u00e7\u00e3o no Lugar Comum na F\u00e1brica da P\u00f3lvora de Barcarena | Setembro\/Outubro de 2005<br \/>\nEstreia no Pavilh\u00e3o 27 do Hospital J\u00falio de Matos\u00a0 | Junho de 2006<br \/>\nApresenta\u00e7\u00e3o no Festival Sonda nas Caldas da Rainha e no Festival Escrita na Paisagem, em Colos, Odemira | Julho de 2006<\/p>\n<p>Walden ou a Vida nos Bosques questiona acerca da dimens\u00e3o essencial da exist\u00eancia humana. \u00c9 uma obra premonit\u00f3ria em todas as quest\u00f5es que levanta acerca do materialismo, do capitalismo feroz, das consequ\u00eancias da revolu\u00e7\u00e3o industrial, da desertifica\u00e7\u00e3o espiritual e humana e da fal\u00eancia das ideologias. Por tudo isto, quisemos fazer um espect\u00e1culo a partir de Walden. Thoreau o homem que foi para os bosques viver deliberadamente. Est\u00e1vamos em 1845. Walden \u2013 o livro sobre isso, escrito no conforto j\u00e1 da sua casa de cidade, quando a experi\u00eancia \u00e0 margem do lago Walden era j\u00e1 uma mem\u00f3ria. Walden, o espect\u00e1culo-laborat\u00f3rio do Teatro do Vestido sobre tudo isto, \u00e0 procura do que Walden pode ainda hoje ser para n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os factos essenciais da vida, e ver se podia aprender com o que ela tinha a ensinar-me, e n\u00e3o descobrir \u00e0 hora da morte que n\u00e3o tinha vivido.<\/em><br \/>\nWalden ou a Vida nos Bosques, Henry David Thoreau<\/p>\n<p><strong>Walden fase 1<\/strong><br \/>\nde Junho a Outubro de 2005<\/p>\n<p>Esta fase correspondeu \u00e0 engenharia do projecto, atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de diversos est\u00e1gios preparat\u00f3rios nos arredores de Lisboa, culminando numa resid\u00eancia criativa desenvolvida ao longo de quatro semanas no Lugar Comum \u2013 Centro de Experimenta\u00e7\u00e3o Art\u00edstica na F\u00e1brica da P\u00f3lvora de Barcarena (em Outubro de 2005).<br \/>\nNos est\u00e1gios iniciais, tamb\u00e9m quisemos andar pelos nossos bosques de hoje \u2013 recolhendo-nos \u00e0s casas de quase-praia dispon\u00edveis para albergar a nossa escapada da cidade. N\u00e3o erguemos a casa com as nossas m\u00e3os, mas tent\u00e1mos aproximarnos da experi\u00eancia Walden atrav\u00e9s do cansa\u00e7o: and\u00e1mos literalmente pela beira de uma estrada nacional onde quase fic\u00e1mos estendidos de cansa\u00e7o e falta de treino, limp\u00e1mos um terreno das ervas daninhas, apanh\u00e1mos e cozemos peras, plant\u00e1mos feij\u00f5es.<br \/>\nPor fim, apresent\u00e1mos uns aos outros pequenos quadros que sintetizavam estas experi\u00eancias.<br \/>\nJ\u00e1 em Barcarena, procur\u00e1mos uma rela\u00e7\u00e3o mais afectiva com Walden ou a Vida nos Bosques; procur\u00e1mos l\u00ea-lo, apreend\u00ea-lo, isolar pequenos excertos que mais nos tocassem, exercitando paralelamente um discurso pessoal sobre a nossa experi\u00eancia no<br \/>\nmundo contempor\u00e2neo, fazendo uso da acutil\u00e2ncia do olhar de Thoreau. Fal\u00e1mos de cadeiras, de pessoas que nos marcaram, de objectos a que t\u00ednhamos apego, de alguns livros, de alguma tristeza e tamb\u00e9m de alguma esperan\u00e7a. Cit\u00e1vamos de cor passagens de Walden ou a Vida nos Bosques que nos estavam a marcar momento a momento. Estrutur\u00e1mos tudo isto numa improvisa\u00e7\u00e3o que apresent\u00e1mos em tr\u00eas sess\u00f5es ao p\u00fablico, em Outubro de 2005.<br \/>\nDepois, fech\u00e1mos o livro por alguns meses.<\/p>\n<p><strong>Walden fase 2<\/strong><br \/>\na partir de Abril de 2006<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 2006 encontr\u00e1mos uma casa, ou cheg\u00e1mos a uma casa, ou pelo menos chamamos casa ao s\u00edtio onde estamos agora e que nos permite trabalhar dentro e fora, sem obriga\u00e7\u00f5es de palcos e plateias enormes. \u00c9 um hospital psiqui\u00e1trico no centro de Lisboa. Tem \u00e1rvores, hortas, estufas e uma cave com o ch\u00e3o em terra batida, onde<br \/>\nrecome\u00e7\u00e1mos a instalar Walden.<br \/>\nN\u00e3o podemos falar da constru\u00e7\u00e3o final de Walden sem referir os espa\u00e7os onde o instal\u00e1mos, pois a descoberta dos espa\u00e7os caminhou lado a lado com a escrita do texto e a explora\u00e7\u00e3o dos actores: dos espa\u00e7os, das personagens, da sua rela\u00e7\u00e3o com a obra, do desenvolvimento de uma viv\u00eancia nos lugares que s\u00e3o por eles habitados ao longo do percurso.<br \/>\nTrouxemos para palco quatro actores com experi\u00eancias, idades e nacionalidades diversas, e de certa forma tent\u00e1mos implicar essa diversidade na constru\u00e7\u00e3o do espect\u00e1culo.<br \/>\nNeste espect\u00e1culo-laborat\u00f3rio, cada actor interroga-se sobre como seria se fosse Thoreau. E constr\u00f3i o seu percurso nessa descoberta.<br \/>\n\u00c9 fascinante poder redescobrir os diferentes \u2018Thoreaus\u2019 no percurso criado por cada um dos actores; \u00e9 fascinante constatar que n\u00e3o adapt\u00e1mos Walden ou a Vida nos Bosques, mas que cri\u00e1mos, sim, toda uma experi\u00eancia paralela, pessoal, a partir dessa ideia de um homem que se isola numa pequena cabana \u00e0 margem de um lago, onde planta, entre outras coisas, feij\u00f5es. Um homem que n\u00e3o gosta de companhia, que n\u00e3o<br \/>\ngosta de rotinas, que abomina os trilhos batidos. Um resistente \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o do essencial da vida: viver.<br \/>\nCreio que na vida de cada uma de n\u00f3s existem experi\u00eancias como as de Walden, ainda que \u00e0 nossa pequena escala. Conhecemos sem d\u00favida a vontade de ir para longe daqui, de irmos embora, de abandonar o sup\u00e9rfluo e regressar ao essencial. Creio que o essencial pode parecer diferente para cada pessoa mas que no fundo se resume a um mesmo sentimento comum a todas. E talvez por isso Walden ou a Vida nos Bosques fa\u00e7a tanto sentido ainda hoje para tantas pessoas.<br \/>\nNeste espect\u00e1culo quisemos falar sobre um certo sentimento de solid\u00e3o, de orfandade, de aprisionamento. Quisemos falar de tudo isso para desejar o contr\u00e1rio. Quisemos sobretudo transformar Walden num manifesto de esperan\u00e7a l\u00facida, consciente, inabal\u00e1vel. Quisemos despojar-nos. Por vezes n\u00e3o quisemos que Walden fosse exactamente teatro. E convidamos o p\u00fablico a fazer esta viagem n\u00e3o como p\u00fablico, mas como indiv\u00edduos implicados na vida.<\/p>\n<p>\u201cCom a minha experi\u00eancia aprendi pelo menos isto: se uma pessoa avan\u00e7ar confiantemente na direc\u00e7\u00e3o dos seus sonhos, se se esfor\u00e7ar por viver a vida que imaginou, h\u00e1-de deparar com um \u00eaxito inesperado nas horas rotineiras. (\u2026) \u00c0 medida que ela simplificar a sua vida, as leis do universo h\u00e3o-de parecer-lhe menos complexas, a solid\u00e3o deixar\u00e1 de ser solid\u00e3o, a pobreza deixar\u00e1 de ser pobreza, a fraqueza deixar\u00e1 de ser fraqueza. Se constru\u00edstes castelos no ar, n\u00e3o ter\u00e1 sido em v\u00e3o esse vosso trabalho; porque eles est\u00e3o onde deviam estar. Agora, por baixo, colocai os alicerces.\u201d<br \/>\nHenry David Thoreau, Walden ou a Vida nos Bosques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walden Resid\u00eancia Criativa e Apresenta\u00e7\u00e3o no Lugar Comum na F\u00e1brica da P\u00f3lvora de Barcarena | Setembro\/Outubro de 2005 Estreia no Pavilh\u00e3o 27 do Hospital J\u00falio de Matos\u00a0 | Junho de 2006 Apresenta\u00e7\u00e3o no Festival Sonda nas Caldas da Rainha e &hellip; <a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=4627\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"parent":4023,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4627","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4627"}],"collection":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4627"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4627\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4628,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4627\/revisions\/4628"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4023"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}