{"id":4610,"date":"2012-03-14T17:54:59","date_gmt":"2012-03-14T17:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?page_id=4610"},"modified":"2012-03-14T17:55:09","modified_gmt":"2012-03-14T17:55:09","slug":"4610-2","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=4610","title":{"rendered":"Texto"},"content":{"rendered":"<h1>Lugar Nenhum<\/h1>\n<p>Resid\u00eancia Criativa\u00a0<strong>CAPa<\/strong>\u00a0[Centro de Artes Performativas do Algarve], em Faro | Julho de 2002<br \/>\nEstreia\u00a0<strong>CAPa<\/strong>\u00a0[Centro de Artes Performativas do Algarve], em Faro | Agosto de 2002<br \/>\nResid\u00eancia Criativa\u00a0<strong>CENTA<\/strong>\u00a0[Centro de Estudo de Novas Tend\u00eancias Art\u00edsticas], Vila Velha de R\u00f3d\u00e3o |Outubro de 2002<br \/>\nEstreia\u00a0<strong>CENTA<\/strong>\u00a0[Centro de Estudo de Novas Tend\u00eancias Art\u00edsticas], Vila Velha de R\u00f3d\u00e3o, apresentado sob forma de \u2018maratona teatral \u2019, num \u00fanico dia, em percurso pela Tapada da Tojeira. | Novembro de 2002<br \/>\nDesenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o, com direc\u00e7\u00e3o de Joana Craveiro e Interpreta\u00e7\u00e3o de Joana Craveiro e T\u00e2nia Guerreiro.<\/p>\n<p>Lugar Nenhum \u2013 quatro dias de uma jornada para a utopia Lugar Nenhum est\u00e1 dividido em quatro partes, quatro pequenas pe\u00e7as (entre35 e 45 minutos cada),<br \/>\nsubordinadas ao tema da Constru\u00e7\u00e3o do Mundo. A\u00a0 partir de um lugar branco e vazio, um n\u00e3o-lugar, duas mulheres reinventam o mundo de acordo com uma cartografia profundamente pessoal a partir das suas prioridades afectivas e emocionais. Por este espa\u00e7o enorme e vazio desfilam personagens, inventam-se objectos, trocam-se di\u00e1logos e novas descobertas. Inventa-se um mundo de novos par\u00e2metros, novas paragens. Cada parte da pe\u00e7a \u00e9 um dia de constru\u00e7\u00e3o nesta jornada, e para cada dia h\u00e1 um tema:<\/p>\n<p><strong>Dia 1<\/strong>\u00a0\u2013 A mem\u00f3ria \u2013 como o nome indicada, fala-se de mem\u00f3ria, ou da sua aus\u00eancia. O que aconteceria se n\u00e3o nos lembr\u00e1ssemos dos nomes das coisas, ou se n\u00e3o soub\u00e9ssemos a que as coisas correspondem. Duas crian\u00e7as amn\u00e9sicas falam desta inven\u00e7\u00e3o;<br \/>\n<strong>Personagens:<\/strong>\u00a0ela1 e ela2.<br \/>\nDuas crian\u00e7as reinventam as palavras e as mem\u00f3rias de outros, na aus\u00eancia de mem\u00f3rias pr\u00f3prias. E se n\u00e3o soub\u00e9ssemos o que \u00e9 chocolate, e carro, e acidente, e casa, e c\u00e9u azul, e tempestade, e morte? E se a excita\u00e7\u00e3o de aprender a morrer fosse a mesma de aprender a construir uma casa? E se a defini\u00e7\u00e3o de \u00f3dio fosse \u201cescuro e luminoso, a escorrer como chocolate pelos cantos da boca\u201d? E se n\u00e3o soub\u00e9ssemos nada do que sabemos hoje?<br \/>\nAs duas crian\u00e7as revisitam o mito fundador da cria\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o h\u00e1 nada no jardim que as tente (nem sequer h\u00e1 jardim), e s\u00e3o duas criaturas do mesmo sexo, e n\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o para a sabedoria, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 privil\u00e9gios. Porque h\u00e1 o deserto s\u00f3. E o conhecimento que possam adquirir uma com a outra n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica naquela situa\u00e7\u00e3o. Ainda assim, amam e odeiam e emocionam-se e s\u00e3o indiferentes, a tantas coisas, e a nada ao mesmo tempo.<br \/>\nPouco conclusivo, se calhar. Mas elas n\u00e3o querem concluir nada. Nem saberiam o que quer dizer tal palavra.<\/p>\n<p><strong>Dia 2<\/strong>\u00a0\u2013 os Lugares \u2013 reinventar a geografia do mundo e cartograf\u00e1-lo \u2013 uma cartografia emocional;<br \/>\n<strong>Personagens<\/strong>: senhora1, senhora2, Genoveva, Rosinha, Engenheiros, M\u00fasica, Clave de Sol, Rapariga1, Rapariga2, Arquitecto, Cart\u00f3grafo do Rei, Corredor.<br \/>\nS\u00e3o chamadas muitas pessoas ao dia 2, para que cada um construa o mundo que acha necess\u00e1rio. Uma verdadeira cartografia emocional. A Genoveva e a Rosinha constroem a casa, delimitam-na nas divis\u00f5es correspondentes. Os Engenheiros delimitam a paisagem de acordo com a sua \u201cenorme\u00a0obsess\u00e3o\u00a0por \u00e1gua\u201d. O Arquitecto pensa em estruturas enormes, em auto-estradas que \u201ch\u00e3o de ligar tudo a todos a todo o lado\u201d. O Cart\u00f3grafo \u201cdecalca linhas para um papel\u201d, para que todos saibam onde est\u00e3o. O corredor s\u00f3 queria chegar a tempo e acabou por chegar, mas era j\u00e1 tarde, e n\u00e3o soube parar.<br \/>\nPar\u00e1bola do mundo moderno? Talvez \u2013 j\u00e1 perdemos tantas vezes o Norte. Mas quem \u00e9 que o quer encontrar? Os instrumentos precisos de medi\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma ajuda preciosa nisto tudo de viver, mas nem por isso se torna essa actividade (viver) menos dif\u00edcil, menos dolorosa, menos desorientada.<br \/>\nEste dia 2 \u00e9 um apelo, um apelo a uma nova forma de orienta\u00e7\u00e3o. De dentro para fora e n\u00e3o ao contr\u00e1rio \u2013 como no teatro.<\/p>\n<p><strong>Dia 3<\/strong>\u00a0\u2013 As Coisas \u2013 dois caixeiros-viajantes, de malas vazias, falam das coisas, do que se tem e do que nos falta, do que \u00e9 realmente essencial num<br \/>\nmundo cada vez mais povoado de inutilidades;<br \/>\n<strong>Personagens:<\/strong>\u00a0os caixeiros viajantes. Vender, trocar e ter. Coisas, muitas coisas. A solid\u00e3o a tentar ser mitigada por uma acumula\u00e7\u00e3o de inutilidades.<br \/>\nNeste dia, tentamos definir o que \u00e9 de facto importante, essencial. Talvez neste dia cheguemos \u00e0 verdadeira cartografia da sobreviv\u00eancia, ou da viv\u00eancia sem o sobre, para n\u00e3o parecer que custa tanto. A pergunta base deste dia \u00e9: tem que custar assim tanto?<br \/>\nAinda n\u00e3o temos resposta para qualquer das quest\u00f5es acima colocadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o desistimos ainda de procurar.<\/p>\n<p><strong>Dia 4<\/strong>\u00a0\u2013 E o Mundo Aconteceu \u2013 a s\u00famula do mundo constru\u00eddo \u2013 onde se desvendam segredos e se apontam caminhos para continuar em frente.<br \/>\nPrimeiro fech\u00e1mos a personagem no quarto (4\u00ba Dia, dentro do quarto). Depois decidimos traz\u00ea-la para o mundo. Depois, ainda, constat\u00e1mos que ela j\u00e1 n\u00e3o tinha lugar nele. Imagem final de inspira\u00e7\u00e3o: a mulher narradora voga na sua mala, onde escondeu a casa, protegida pelo conforto dessa mem\u00f3ria, em direc\u00e7\u00e3o a cima. \u201cestamos de momento a dois mil p\u00e9s de altitude e a vista \u00e9 linda, fur\u00e1mos o tapete de nuvens e fic\u00e1mos por cima, quase paradas, pena n\u00e3o termos trazido o casaco de l\u00e3 que tricotei para o efeito, esqueci-me que al\u00e9m de escura a morte \u00e9 fria, mas sei que depois h\u00e1 depois e ainda outra vez, e talvez na pr\u00f3xima acerte na bagagem\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lugar Nenhum Resid\u00eancia Criativa\u00a0CAPa\u00a0[Centro de Artes Performativas do Algarve], em Faro | Julho de 2002 Estreia\u00a0CAPa\u00a0[Centro de Artes Performativas do Algarve], em Faro | Agosto de 2002 Resid\u00eancia Criativa\u00a0CENTA\u00a0[Centro de Estudo de Novas Tend\u00eancias Art\u00edsticas], Vila Velha de R\u00f3d\u00e3o |Outubro &hellip; <a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=4610\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"parent":4216,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4610","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4610"}],"collection":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4610"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4612,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4610\/revisions\/4612"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4216"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}