{"id":3990,"date":"2012-02-23T11:12:39","date_gmt":"2012-02-23T11:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?page_id=3990"},"modified":"2017-06-15T19:21:56","modified_gmt":"2017-06-15T18:21:56","slug":"nunca-serei-bom-rapaz","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=3990","title":{"rendered":"Nunca Serei Bom Rapaz"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-align: justify;\">Resid\u00eancia Criatica a no Lugar Comum, \u00a0F\u00e1brica de P\u00f3lvora de Barcarena | Outubro\/Novembro de 2006<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Apresenta\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio no Lugar Comum, F\u00e1brica de P\u00f3lvora de Barcarena | Novembro de 2006<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Estreia Pavilh\u00e3o 27 do Hospital J\u00falio de Matos | 1 a 16 de Dezembro de 2006 e 10 a 13 de 2007<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o, com direc\u00e7\u00e3o Joana Craveiro e interpreta\u00e7\u00e3o de Gon\u00e7alo Alegria e Simon Frankel<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7\u00e1mos por trabalhar em torno de <\/span><em style=\"text-align: justify;\">A Desobedi\u00eancia Civil<\/em><span style=\"text-align: justify;\"> e <\/span><em style=\"text-align: justify;\">A Defesa de John Brown<\/em><span style=\"text-align: justify;\">, ambos de Henry David Thoreau (de quem j\u00e1 antes hav\u00edamos adaptado <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Walden<\/em><span style=\"text-align: justify;\">), e termin\u00e1mos embrenhados nas cartas de pris\u00e3o de George Jackson, um livro que andava connosco h\u00e1 v\u00e1rios anos, e que tomou de assalto o nosso espect\u00e1culo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">Em 1965, de uma pris\u00e3o em San Quentin, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, George Jackson, um recluso negro preso por ter roubado 70 d\u00f3lares de um posto de gasolina, um crime que nunca foi provado, e que no entanto levou a que fosse condenado a pris\u00e3o perp\u00e9tua, escrevia ao seu pai, \u201cQuando obtiver aquilo de que preciso para trabalhar, nada poder\u00e1 impedir-me de ir para casa. \u00c9 a\u00ed que hei-de investir o meu dinheiro, os meus recursos, e talentos. O meu trabalho desenvolver\u00adse\u00ad\u00e1 onde for apreciado. Os meus impostos ir\u00e3o para uma ordem e sistema de governo que, em compensa\u00e7\u00e3o, me proteger\u00e1 a mim e aos meus interesses. Nunca, enquanto me chamar um homem, pactuarei com a tirania. H\u00e1 algumas coisas que para mim significam mais que a vida.\u201d Ressoando com uma indigna\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de Henry David Thoreau, mas ainda mais poderosa, invocando um \u00f3dio profundo a todos os que o oprimem, aos que n\u00e3o s\u00e3o da sua ra\u00e7a e o perseguem, aos que o aprisionaram injustamente, aos que nunca o ensinaram a pensar, aos que nunca lhe deram sequer uma hip\u00f3tese, Jackson escreve cartas inflamadas, por vezes ternas por vezes brutais, \u00e0 sua m\u00e3e, ao seu pai, \u00e0 sua advogada, a Angela Davis, entre outros. Este conjunto de cartas ficou conhecido como <\/span><em style=\"text-align: justify;\">Soledad Brother: As Cartas de Pris\u00e3o de George Jackson.<\/em><\/p>\n<p><em style=\"text-align: justify;\"><\/em><span style=\"text-align: justify;\">Este trabalho desenvolveu-se em duas fases: uma primeira, durante o m\u00eas de Outubro, no Lugar Comum \u2013 Centro de Experimenta\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, na F\u00e1brica da P\u00f3lvora,em Barcarena. A\u00edprocur\u00e1mos a solid\u00e3o do recluso, desenvolvemos sistemas de ac\u00e7\u00f5es para manter a sanidade, a partir do estudo das ac\u00e7\u00f5es descritas por George Jackson nas suas cartas. Procur\u00e1mos ainda uma implica\u00e7\u00e3o profunda do actor no trabalho, convocando para tal excertos do seu di\u00e1rio pessoal de trabalho, bem como de mem\u00f3rias pessoais, que se entrecruzavam com as de Jackson. Por esta altura, as obras de Henry David Thoreau eram j\u00e1 s\u00f3 uma inspira\u00e7\u00e3o, e foram progressivamente desaparecendo os excertos das mesmas do esbo\u00e7o final do trabalho. A rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica\/ ru\u00eddo\/ som, nessa primeira fase, foi tamb\u00e9m particular, uma vez que n\u00e3o foi desenvolvida m\u00fasica original, mas antes utilizadas faixas sonoras de outros autores. Todavia, a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasico e actor era a que se encontra ainda hoje: um di\u00e1logo constante, momento a momento entre ambos, e que varia consoante as circunst\u00e2ncias, as caracter\u00edsticas, os dias, as sensa\u00e7\u00f5es. Neste sentido, consideramos que temos dois int\u00e9rpretes\/ criadores em cena, e n\u00e3o somente um. Esta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo facto de Gon\u00e7alo Alegria interpretar tr\u00eas mon\u00f3logos neste espect\u00e1culo, escritos por Joana Craveiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">O espect\u00e1culo que aqui se apresenta \u00e9 como uma depura\u00e7\u00e3o da primeira fase, laboratorial, no Lugar-Comum. Agora no Pavilh\u00e3o 27, procur\u00e1mos, em primeiro lugar, um espa\u00e7o adequado \u00e0 instala\u00e7\u00e3o das premissas do trabalho, e, depois, uma abordagem das cartas de Jackson n\u00e3o cronol\u00f3gica, e sim tem\u00e1tica. Quisemos trabalhar tr\u00eas pontos: sobreviver, resistir e aprender. A estes acrescent\u00e1mos ainda a experi\u00eancia do amor, encarcerado \u00e9 certo, mas um amor que redime e liberta, tal como expresso nas cartas que Jackson enviou a Angela Davis, Joan e Z. Tamb\u00e9m inclu\u00edmos uma carta para a sua advogada, Fay.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o estes os seguintes interlocutores de Jackson na selec\u00e7\u00e3o de cartas que trabalh\u00e1mos:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">Robert Lester Jackson: seu pai.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Georgia Bea: sua m\u00e3e.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Jonathan Jackson (Jon): seu irm\u00e3o mais novo.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Joan: amiga e amante.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Z. : amiga e amante.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Angela Y. Davis: activista dos direitos civis negros e membro do partido comunista, amiga e amante.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Fay Stender: advogada de George Jackson.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">Greg: editor de George Jackson.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">Com este espect\u00e1culo e no decurso do processo, procur\u00e1mos ainda prosseguir a linha de pesquisa acerca do trabalho do actor, que vimos perseguindo desde a nossa funda\u00e7\u00e3o: o actor consciente e respons\u00e1vel, criador de uma dramaturgia c\u00e9nica, aut\u00f3nomo, na posse de todas as ferramentas e informa\u00e7\u00f5es, na posse de um discurso sobre o trabalho. Um actor em di\u00e1logo constante, momento a momento, dia a dia, com a realidade, com cada espect\u00e1culo a cada dia, com o m\u00fasico, consigo pr\u00f3prio. A ideologia subjacente \u00e0 nossa actividade teatral \u00e9 sempre uma ideologias de transforma\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o resigna\u00e7\u00e3o. Desafiamos as circunst\u00e2ncias, tornamo-las nossas aliadas, aproveitamos o acaso, o erro e os restos. Trabalhamos com o que temos e desejamos sempre mais, desejamos n\u00e3o parar. Envolvemos a equipa nesta forma de trabalhar, de pensar. E estimulamos que todos se sintam parte criadora do trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify;\">O Teatro do Vestido acredita num teatro que n\u00e3o se divorcia da realidade, antes olha para ela de frente sem medo e com uma vontade indom\u00e1vel de a transformar. A injusti\u00e7a prevalece; a guerra prevalece; a discrimina\u00e7\u00e3o prevalece. Enquanto prevalecer o estado de s\u00edtio, o teatro, tal como o entendemos e praticamos, ser\u00e1 uma arma de constru\u00e7\u00e3o, de den\u00fancia, de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que esta \u00e9 para n\u00f3s uma pe\u00e7a pol\u00edtica.<\/span><br \/>\n<span style=\"text-align: justify;\">George Jackson, apesar de preso, de condenado \u00e0 morte, demonstra em muitos momentos das suas cartas, uma esperan\u00e7a inabal\u00e1vel, que queremos com este espect\u00e1culo saudar.<\/span><br \/>\n<em style=\"text-align: justify;\"><\/em><\/p>\n<p><em style=\"text-align: justify;\">\u201cSem o frio e a desloca\u00e7\u00e3o do Inverno n\u00e3o haveria o calor e o esplendor da Primavera. A calamidade endureceu-me o esp\u00edrito e f\u00ea-lo de a\u00e7o. O poder para o povo.<\/em><br \/>\n<em style=\"text-align: justify;\">George\u201d<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/scamquestra.com\/21-finansovye-afery-questra-world-i-atlantic-global-asset-management-agam-questraworldes-atlanticgames-18.html\">https:\/\/scamquestra.com\/21-finansovye-afery-questra-world-i-atlantic-global-asset-management-agam-questraworldes-atlanticgames-18.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resid\u00eancia Criatica a no Lugar Comum, \u00a0F\u00e1brica de P\u00f3lvora de Barcarena | Outubro\/Novembro de 2006 Apresenta\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio no Lugar Comum, F\u00e1brica de P\u00f3lvora de Barcarena | Novembro de 2006 Estreia Pavilh\u00e3o 27 do Hospital J\u00falio de Matos | 1 &hellip; <a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=3990\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3990","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3990"}],"collection":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3990"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3990\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7465,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3990\/revisions\/7465"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}