{"id":2754,"date":"2010-10-06T17:29:40","date_gmt":"2010-10-06T16:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/teatrodovestido.org\/?page_id=2754"},"modified":"2012-04-30T12:06:02","modified_gmt":"2012-04-30T11:06:02","slug":"dia-2","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=2754","title":{"rendered":"Dia #2"},"content":{"rendered":"<p>13 Outubro 2009<\/p>\n<p><strong><\/strong>Por Raimundo Cosme <strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Babel &#8211; Prepara\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nAli estavam.<br \/>\n&#8220;Ali&#8221;. Nas margens de um aqu\u00e1rio vagamente transparente. L\u00e1 dentro muito menos que \u00e1gua. Talvez um nada de \u00e1gua. Por isso preparavam-se.<br \/>\n&#8220;Estavam&#8221;. Eles, mergulhadores de tempo limitado. Sabiam que o que os esperava era tudo menos pesca. T\u00e3o pouco era mergulho. E era tudo o que sabiam.<\/p>\n<p>Ao som do metr\u00f3nomo-sem-corpo, olhavam-se. Tudo era profundamente marcado, ritualizado. sagrado at\u00e9.<br \/>\nTudo era tenso.<\/p>\n<p>O metr\u00f3nomo calava-se. Todos conheciam aquele sil\u00eancio. Tinham chegado o momento.<br \/>\nEstavam prontos.<\/p>\n<p>Por ordem ascendente de idades respiraram fundo. Um de cada vez.<br \/>\nE pisando as h\u00famidas margens de vidro saltaram corajosamente l\u00e1 para dentro.<\/p>\n<p>O que viam agora era, &#8220;como dizer?&#8221;, levemente perturbador.<br \/>\nO s\u00edtio onde estavam n\u00e3o era um aqu\u00e1rio. E tal como suspeitavam n\u00e3o tinha \u00e1gua.<\/p>\n<p>Primeira descoberta: aquele s\u00edtio era afinal uma caixa branca, mais ou menos quadrada, mais ou menos colada. E era esta a verdade.<br \/>\nO mais novo, primeiro a respirar fundo\u00a0 e \u00faltimo a voltar a respirar, reparava agora que n\u00e3o se lembrava como andar.<br \/>\nPor sorte trazia na carteira um manual de bolso.<br \/>\nO Segundo teve menos sorte. Esqueceu-se de guardar a voz. E nem o megafone que ali o esperava o conseguiu ajudar.<br \/>\nO Terceiro, assustado, procurava nas paredes da caixa, desesperado, uma qualquer fissura por onde pudesse sair. Sem sucesso nega-se a ficar sozinho e por isso procura a voz do Segundo para que puderem conversar.<\/p>\n<p>Eis a segunda descoberta: era dali que saiam os sons do metr\u00f3nomo-sem-corpo. Mas se antes estavam protegidos, agora aquele som perturbava-os, obrigava-os a &#8220;dan\u00e7ar&#8221;.<br \/>\nAo mesmo tempo, Primeiro, Segundo e Terceiro, batiam palmas, saltavam e faziam um barulho quase bonito com os p\u00e9s. No in\u00edcio lento, depois muito lento, depois estranhamente r\u00e1pido.<\/p>\n<p>E agora a terceira descoberta: a dan\u00e7a acalma os mergulhadores. a prova \u00e9 que mal pararam de &#8220;dan\u00e7ar&#8221; come\u00e7aram imediatamente a falar.<br \/>\nN\u00e3o falavam sobre qualquer coisa nem t\u00e3o pouco sobre uma coisa qualquer.<br \/>\nCombinavam construir uma torre. uma torre que os levasse dali embora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 Outubro 2009 Por Raimundo Cosme Babel &#8211; Prepara\u00e7\u00e3o Ali estavam. &#8220;Ali&#8221;. Nas margens de um aqu\u00e1rio vagamente transparente. L\u00e1 dentro muito menos que \u00e1gua. Talvez um nada de \u00e1gua. Por isso preparavam-se. &#8220;Estavam&#8221;. Eles, mergulhadores de tempo limitado. Sabiam &hellip; <a href=\"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/?page_id=2754\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"parent":4769,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2754","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2754"}],"collection":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2754"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3174,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2754\/revisions\/3174"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4769"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/teatrodovestido.org\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}