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Residência Festival Escrita na Paisagem | 23 a 28 de Julho
Estreia Monte do Quiosque, Évora | 28 de JulhoDesenvolvido em Colaboração, com direcção de Gonçalo Alegria e interpretação de Joana Craveiro, Ainhoa Vidal e Inês Rosado.

A Inês pergunta-me, mas afinal este trabalho é sobre o quê? Não leste o projecto, pergunto, é sobre o mesmo de sempre, pessoas, lugares, memórias. Só que desta vez não estamos na cidade, ou nos livros. Estamos a começar aqui no Alentejo, na Azaruja. Estamos a pensar as coisas que nos movem. Estamos a querer um estado, uma concentração para escrever. Não é a primeira vez que fazemos isto. O Esta é a minha cidade e eu quero viver nela é a partir da cidade, este é a partir do campo.
Ok, o tempo é outro, este é mais longo, mais esparso, como as distâncias das casas e dos montes entre elas. O Sobre os Escombros está a ser isso e sobretudo está a ser sobre o que resta depois de andarmos a dar com a cabeça nas paredes com o estado das coisas neste momento. A ideia inicial começou há 2 anos. Era suposto seguir durante um ano um grupo de pessoas, depois não deu, não havia lugar, não havia dinheiro e depois um jornal começou com uma coisa chamada 1 ano na crise ou coisa semelhante, e ai percebi que não conseguiríamos nunca uma visão assim. Não somos repórteres.
Mas então este trabalho é sobre o quê? É Sobre os Escombros, pensei que o título dispensaria a sinopse, escombros é aquele restolho das casas abandonadas, ou destruídas e sobre é estar em cima a tentar perceber  o que é que aconteceu.


Dia 1 – A Paisagem.
Começamos a residência, é uma residência de escrita na paisagem. O que estamos aqui a fazer é procurar um estado que nos permita pensar e escrever este trabalho. Um trabalho que se resolve e se explica no trabalho. Ah! Este trabalho tem a duração de um ano. Começou agora dia 23 de Julho de 2012 e e terminará no ano seguinte, algures no Julho de 2013.
A paisagem é a primeira missão, elas foram enviadas para um passeio, um caminho lento, para encontrarem uma inquietação. Passa-se tudo no plano horizontal. Depois regaram o jardim. Durante todo o dia em vários momentos escrever, escrever, escrever.

Dia 2 – As Pessoas
Procurar pessoas e ver o que elas nos dão não é fácil. As pessoas nunca estão fora de casa na torreira do sol. Os bravos que se aventuram fazem as suas tarefas de ir comprar uma lata de grão ou levantar dinheiro do multibanco. Este Sobre os Escombros é a nossa tentativa de viver fora da cidade e perceber-nos fora da cidade, como vivem as pessoas fora delas, como as estações e apeadeiros ficam abandonadas. Tentamos encontrar uma correspondência e percebemos que esta passa apenas por comunicar, estar atento e ouvir. Dão-nos conselhos, recebem-nos na sua casa, falam-nos de inundações e de construção civil. Há uma mulher que já caiou e agora pinta a tira azul e o mecânico pinta a tela do avião e faz testes em motores e hélices
Vimos aves de rapina que até agora não sabemos a espécie nem o género. Planam em circulos aproveitando as correntes de ar quente. Como as cegonhas.

Dia 3 – O Problema
Este dia é sobre a teia das pessoas, ligações, as idas e as vindas, o abandono, o jogo humano do explorador e do explorado. Famílias. Pedi-lhes que me apresentassem uma solução para as questões humanas. Afinal precisamos de perceber como resolver a nossa vida. O quotidiano da alimentação. Lavei o tanque com o João. Reguei. De noite jantámos em família

Dia 4 – A Possibilidade
Para não nos deixarmos tomar pelo Problema, tentámos arranjar um outro ponto de vista. Como o das aves de rapina. Ficamos a perceber que lá em baixo é tudo pequeno. Aqui a 2000 metros de altitude vimos o sítio onde estamos a trabalhar. Ali mais para o lado da linha de comboio, e o apeadeiro que a servia.

Dia 5 – A pausa.
Ainda não aconteceu, mas também não será parar. Não sabemos o dia de amanhã e em rigor vamos cumprir a nossa missão que é começar isto. Escrever, apresentar, escrever, apresentar.

Dia 6 – ?????
Às 21h30 apresentar o resultado destes 6 dias de trabalho, num sítio chamado Monte do Quiosque, perto do apeadeiro da Azaruja.

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